Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Eu falo que não conhecia judeus na Itália até ser apresentada a ela. Conheci a ANNA ROSA CAMPAGNANO (1937-2017), quando o Guilherme Faiguenboim fundou a Sociedade Genealógica Judaica do Brasil em 1994. Nascida em Livorno, viveu por anos na Nigéria e no Brasil. Era prima do pintor Amedeo Modigliani (1884-1920) e sobrinha-neta do rabino Giacomo Augusto Hasdà (1869-1943), assassinado em Auschwitz durante o Holocausto. Ela nos apresentava judeus italianos que vivem em S. Paulo, conhecia toda a bibliografia e repartia conosco este conhecimento. Escreveu sobre o baggito (língua dos judeus de Livorno), sobre a “Colônia Mussolini” (judeus italianos expatriados no Brasil durante o final dos anos Trinta), emprestava e doava livros. Fotografou a meu pedido os “portugueses” sepultados no cemitério judaico de Livorno. Mesmo tendo uma casa grande para dirigir, marido, filhos e netos; fez mestrado e doutorado em História Social na USP, ainda encontrava tempo para ser voluntária em associações judaicas (como no Núcleo de História Oral do AHJB e no Ten Yad). G. F., ela e eu escrevemos um livro que foi premiado como “o melhor livro de referencia (judaica) nos EUA” (2003). Era tal a sua urgência de aproveitar a Vida; que, fazer duas coisas ao mesmo tempo, era pouco para ela. Elegante, não só na combinação de cores e no uso de colares extremamente bonitos; mas, também nas relações com os amigos e colegas. Um segredo: sua bolsa chiquíssima, era made in China comprada em Roma; o restante do dinheiro destinado a adquiri-la, ela empregou em caixas de livros despachados ao Brasil. Criatura boníssima, de uma generosidade ímpar, mística, sofreu estocadas da vida sem nenhuma reclamação (por ela eu compreendia o bíblico Jó). Sempre a tive como Irmã. Ela foi para o Jardim depois de uma prolongada enfermidade passada em sua casa italiana (10/06). Perdi alguém que eu admirava, prezava e respeitava muito. É destas pessoas que não serão substituídas nunca. Agradeço a Maria Grazia Gorla, Carla Milano, Deborah Gorla Rocha, Silvia Anna Maria Gorla, pelas notícias nestes dias.

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