Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

sábado, 23 de agosto de 2014

Se você olhar bem a fotografia abaixo e um pastel que ela conservava no seu escritório verá a diferença de como ela era e como era vista. No primeiro ela é uma mulata e no segundo uma loura (veja no google: “Belle da Costa Greene by Paul-Cesar Helleu”. Vale a pena). Esta dicotomia vinha do expediente que a bibliotecária BELLE DA COSTA GREENE (1883-1950) usara para sobreviver numa sociedade racista. Abandonar o passado afroamericano, para inserir-se com sucesso na vida americana. Adotar uma origem “exótica” como judeu, português ou francês, para explicar a pele escura. É o que se chama em linguagem local, passing. Foi o que fez a “portuguesa”, o “da Costa” adotado foi para a construção desta nova identidade. Um dia em 1906, John Pierpoint Morgan, o homem mais rico do mundo, perguntou ao sobrinho, se ele conhecia uma bibliotecária, pois pretendia formar a melhor biblioteca particular do mundo. O sobrinho conhecia a bibliotecária de Princeton, uma moça estranha, mas muito viva e sofisticada, uma tal Senhorita Greene. Foi assim que o Sr. Morgan a contratou para ir a Europa comprar incunábulos, manuscritos e livros raros e construir esta biblioteca ideal. Ela ficou quarenta e três anos na função. Ele gostou tanto da personagem que lhe deu o salário vitalicio de 50 mil dólares mensais. Suficiente para que ela tivesse uma vida de luxo. Ela viajava nos navios levando o seu próprio cavalo e hospedava-se nos melhores hotéis. “Just because I am a librarian, doesn´t mean I have to dress like one”. Ela viveu solteira e um dos seus namorados foi o crítico de arte Bernard Berenson (1865-1959), tio-avô de Marisa Berenson. Hoje (13/12) é seu aniversário. Happy Birthday, Miss Greene.

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