Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

sábado, 2 de agosto de 2014

O hai-kai é uma forma sucinta de poesia e o epitáfio, uma biografia condensada em duas linhas no máximo. Quando ELIEZER BEN ABA BEN TZVI HaLEVI (Eliezer, filho de Aba, filho de Tzvi, o Levita, 1891-1957), judeu de Vilna, morreu em S. Paulo, o encarregado de escrevê-lo tinha alguns elementos. Para as informações biográficas bastava copiá-las dos documentos pessoais; mas, como representá-lo diante da cultura judaica, já que o extinto fora um pintor célebre, filho de um sofer (escriba) e pertencia a casta dos Levyim (descendentes dos auxiliares dos sacerdotes no Templo)? Como colocar todas estas informações, sem ocupar espaço demais. Não foi preciso gravar o vaso que tradicionalmente identifica os levitas em suas lápides, pois ele encontrou uma situação vivida pelo extinto nos textos bíblicos. Pintor (uma ocupação nova para os judeus, dada a proibição de “não farás imagens”) e levita: “E de Levi disse: abençoa o seu poder e aceita a obra de suas mãos (Dt. 33-11)”, que foi escrito na pedra. Estava pronto o epitáfio do morto daquele 2 de agosto: LASAR SEGALL.

Nenhum comentário:

Postar um comentário