Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O documento era quente. Dados vitais verdadeiros. Nada despertava suspeita quando se apresentou a aduana brasileira. O comerciante NAUM EITINGON (1877-1981) vinha de Nova York, e tinha nacionalidade americana, porém, ele era um dos mais eficientes agentes soviéticos. Não se sabe o que ele fez por aqui, crê-se que a passagem pelo Brasil, era apenas uma manobra diversionista, uma forma de despistar quem estava no seu encalço. Ele era tão bom na atividade que até os anos 70 ninguém conhecia a sua identidade verdadeira – em alguns momentos foi confundido com o Dr. Max Eitingon, auxiliar de Freud, seu primo. Dependia de onde estivesse: Era Naumov em Xangai, Pekim e Istambul; general Kotov na Guerra Civil Espanhola; Grozowski na Bélgica; usava também o Leonid Alexandrovich...Foi ele quem recrutou Mercader para assassinar Trotsky (era o motorista no atentado), infiltrou agentes na Projeto Manhattan (bomba atômica americana), etc. Nos anos 50 voltou a URSS, para receber as divisas de major-general e assumir a chefia das atividades secretas. A fuxicaria fez efeito e logo estava preso. Não “cantou” e terminou a vida como um aposentado qualquer. Lembrei-me de sua história, pois a agência EFE, tocou superficialmente neste assunto, sábado passado.

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