Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Alexandre & Nora. Os nomes parecem destinar-se a um casal destes que vivem nos proclamas dos cartórios. Só parece, pois esta é uma história com final infeliz. Em 1950 a socióloga e poeta francesa Nora Mitrani (1921-1961) fez conferência sobre o Surrealismo em Lisboa. Na plateia, ALEXANDRE Manuel Vahia de Castro O´NEILL de Bulhões (1924-1986), da família de Santo Antonio, apaixonou-se pela oradora sefaradi. Estado e Família especaram no contra. Ela foi malvista & ele foi preso. Alguém da família aproveitou a oportunidade e pediu para cassar o passaporte do apaixonado evitando a fuga. Nora suicidou-se anos depois (por outra desgraça, presumo) e Alexandre amadureceu como poeta: “(...) Não tu não podias ficar presa comigo / à roda em que apodreço / apodrecemos (…) Não podias ficar nesta cadeira / onde passo o dia burocrático / o dia-a-dia da miséria / que sobe aos olhos vem às mãos / aos sorrisos / ao amor mal soletrado / à estupidez ao desespero sem boca / ao medo perfilado / à alegria sonâmbula à vírgula maníaca / do modo funcionário de viver (...)”. Alexandre morreu num 21 de agosto como hoje.

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