Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

A Igreja tem regras. Prenomes para batizados são os dos santos celebrados no hagiológio. Gláuber Rocha ao converteu-se ao Catolicismo para casar-se com Helena Ignês, teve que receber no batismo o prenome “Pedro”, pois o Padre celebrante não reconhecia G. como nome cristão. Durante o período inquisitorial prenomes vetero-testamentários (Abraão, Jacó, Sara, Moisés, etc) foram abandonados pelos descendentes de judeus, convertidos no séc. XV, pois denunciava a origem e só retornaram no final do XIX, com frequência maior nas mesmas famílias. Porém nem sempre os nomes VT são estas marcas étnicas. Personagens negativos na cosmovisão cristã foram usados, até inconscientemente pelo grupo – a observação só vale até os anos Cinquenta do século passado. Hoje vivemos outra lógica onomástica. A princesa HERODIAS (15 aC – 39 dC) é um destes personagens. Neta de Herodes, o Grande, vista como transgressora, pois abandonou o marido para viver com o tio HERODES ANTIPAS e que irritada ao ser advertida por S. João Batista, pediu ao amante sua cabeça, no que foi atendida. Mitema eternizado na literatura (é a companheira de Ashaverus, o Judeu Errante), na pintura, no teatro e cinema (Charlotte Rampling em O porteiro da noite). No Sertão encontrei HERODIAS e ANTIPAS, entre descendentes deste Povo e aceitos como prenomes por padres distraídos. É o mesmo que algum bilionário listado na revista Forbes ter um filho chamado Vladimir. IMAGEM - Herodias (Erodias), nossa prima sertaneja, que casou-se com um... João Batista.

Nenhum comentário:

Postar um comentário