Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

15 de outubro foi escolhido Dia do Professor, no Brasil, por D. Pedro I em 1827, como homenagem a santa Tereza de Ávila, mas caiu em esquecimento, somente nos anos quarenta ela foi recuperada pelo professor Salomão Becker (1922-2006) e oficializada pelo Decreto Federal nº 52.682 (14/10/193). Isto me permite algumas linhas sobre a educação formal. Até os quinze anos, quando param...os em Valinhos, interior de S. Paulo, vivemos como nômades. Troquei de cenários geográficos muitas vezes no mesmo mês. Nesta condição não tive oportunidade de frequentar as aulas diariamente. Aprendi a ler sozinho aos três ou quatro anos apenas para entender que figura era aquela na caixa amarela de Maisena. Minha família para remediar este problema utilizava a legislação educacional dos nômades (circenses e ciganos) que me dava o direito de prestar exames na escola mais próxima e assim prosseguir os estudos que fazia sozinho sob a orientação de minha Mãe. Tenho ainda um caderno que sobrou destas andanças. Por exemplo: em 15 de março de 1968 eu estava na Escola Mista (neste tempo homens não se misturavam com mulheres comumente) Joaquim Carvalho Barros (não tenho a menor ideia em que cidade ela ficava) e o maior problema daquele dia eu acertei: “Uma operária tece 39 metros de fio num dia i (sic) a sua irmã 47 m. No fim de 10 dias quanto deveram receber ambas, se ganham NCR$ 0,40 por metro?” E um dia chegamos a Valinhos. Ali fiz o curso de Admissão com o professor Jonas e entrei no Colégio Estadual Cyro de Barros Rezende e depois no José Leme do Prado, onde encontrei um mundo novo, tanto social, quanto histórico. Sinto ainda nas narinas o cheiro de naftalina da modesta Enciclopédia Barsa que li maravilhado na biblioteca da escola. Foi no José Leme do Prado que encontrei o professor que lembro até hoje, Edgar Rizzo, diretor de teatro e professor de matemática. Amoroso, paciente com os nossos erros e incompreensões, e a quem devo não apenas o aprendizado da regra de três, que garantiu minha sobrevivência no comércio e no banco durante anos, mas, principalmente alguém que me ouviu como gente pela primeira vez. Obrigado, professor Edgar, sou grato a você e a todos os outros que encontrei pela vida, mesmo que não me lembre os nomes. FOTO: EDGAR RIZZO

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