Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

sábado, 12 de julho de 2014

Encontro prazeres sutis, como identificar na obra poética de Haroldo de Campos uma reminiscencia do Salvianus de Marselha (séc. V). Escreveu o asceta: “O Império Romano está repleto de miséria, mas é faustoso. Morre, e, no entanto ri”. O argentino Perlongher escreveu o verso e refrão, “Hay cadáveres”. Campos alinhavou os dois: “hay cadáveres canta néstor / perlongher / e está morrendo e canta (...)”. É a partir destes três fragmentos conhecer as relações entre um texto e outro, de uma situação e outra, das analogias ocultas, dos personagens e cenários e daí inferir o inconsciente do poeta que escapou da censura consciente. NÉSTOR PERLONGHER (1949-1992) o homenageado é um poeta quase barroco, sociólogo e militante político. Autor do “O negócio do michê: prostituição viril em S. Paulo” (1987), aluno e professor na UNICAMP. Ele fez AIDS e morreu disto. Haroldo de Campos, numa linha só, uniu a Roma em decadência, da licenciosidade de costumes ao autor e o seu tempo, e da atividade de rapsodo enquanto espera a morte. O poeta “fala” é nas entrelinhas.

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