Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

domingo, 6 de julho de 2014

“Aí dos vencidos”, suspirou o profeta. As vezes a dor do derrotado é tão grande que ela fica suspensa eternamente no tempo, como a metáfora da tristeza. Quando Boabdil, o rei de Granada, olhou pela última vez o seu castelo Vermelho, o lugar ficou conhecido como “Suspiro del Moro”. Alguns séculos depois o Fernando Pessoa trouxe para o repertório poético: “Outrora fui talvez, não Boabdil. / Mas o seu mero último olhar, da estrada / dado ao deixado vulto de Granada (...)”. Com o músico espanhol JOAQUÍN RODRIGO também foi assim, no seu maior momento de dor, ele remeteu-se ao olhar de Boabdil a Granada, para ilustrar a angustia. JOAQUÍN RODRIGO (1901-1999) tornou-se cego por fazer uma difteria na infância. Ele superou a incapacidade, aprendeu música e teve sucesso na carreira. Casou-se com a pianista sefaradi Victoria Kamhi Arditti (1902-1997). Tudo ia bem, até nascer o filho, morto. A dor foi tão grande que Joaquín lembrou-se do episódio real e compôs a peça musical espanhola mais tocada no mundo: CONCIERTO DE ARANJUEZ, que é dividida em três movimentos: ela começa no olhar de Boabdil a Granada, a seguir o autor pergunta a Deus sobre a morte do filho e pede que conceda a vida da esposa (a guitarra faz o coração pulsando). Hoje a melodia do adagio é usado em algumas congregações sefaradis no Kadish. JOAQUÍN RODRIGO, morreu num dia como hoje (06/07), já honrado como 1º Marquês de los Jardines de Aranjuez. IMAGEM – Joaquín Rodrigo e a esposa Victoria Kamhi Arditti. http://www.youtube.com/watch?v=CY29JlyAH7c

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