Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Como nasce a obra de arte? Com certeza não é produto do momento. Ela vem sendo construída silenciosamente durante milhares de anos até chegar o dia da revelação. É impossível fazer uma genealogia disto. Começa no Jardim ou antes. Se não veja isto: A primeira palavra que o andaluz PABLO Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno Cipriano de la Santíssima Trinidad Ruiz y PICASSO (1881-1973) falou, foi “piz” (lápis). Não se sabe o que a bailarina ucraniana Olga KHOKHLOVA (1891-1955) disse nas palavras inaugurais, mas, quando se encontraram ela apresentou-se assim: “Sou Olga Khokhlova, a sobrinha do Czar (...)”. Casaram-se em julho de 1918. O filho Paulo nasceu em 1921. As telas nos anos seguintes.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty começa hoje e vai até 3 de Agosto, onde se celebra o Livro, razão de atrair muitos judeus, suficientes para ter-se minian (quorum religioso) e um Kaballah Shabbat. Uma sugestão, que tal buscar um modo de lembrar o filho de Israel mais antigo e visível de Paraty? Ele é o trancosano MIGUEL TELES DA COSTA (1655-1717), de família aparentada a dinastia rabínica “de Solla”, que chegou ao Brasil como Capitão-Mór de Paraty (1702-5), posteriormente adentrou MG a dentro, em Rio das Mortes montou uma estalagem, onde plantou milho e feijão. Os seus negócios atingiam até o Nordeste – um dos parceiros econômicos foi o médico e “financista” Manuel Mendes Monforte (pertencente a nossa parentela R.S.) em Salvador. Denunciado a Inquisição em 1710, foi condenado por judaizante, teve os bens confiscados. Morreu louco e como indigente. Ele tem uma biografia escrita pela historiadora Rachel Mizrahi: A Inquisição do Brasil: um capitão-mor judaizante (1984).

terça-feira, 29 de julho de 2014

“(...) A semana portuguesa é hebraica – fenômeno único em todas as línguas modernas – em vez de latina, pois começa no domingo, antiga primeira-feira e termina no sábado, logo depois da sexta-feira, estando claro que o domingo foi introduzido posteriormente (…)”, li na revista O HEBREU em 1988. Sem entender bem o que o autor dizia, fui ao seu encontro. JONAS NEGALHA (1933 – 2007) morava num pequeno apartamento na avenida S. João (em S. Paulo) e sofria com o calor como um personagem de Malamud (v. o Oskar Gassner de O Nu Despido). Falamos por quase duas horas da tímida presença cristã-nova nos Açores – ele descendia dos mesmos Medeiros do Nordeste brasileiro, dentre outras coisas. Era um poeta místico na tradição ocultista-cristã. Conversamos somente aquela vez. Anos depois soube que ele tinha sido indicado ao prêmio Nobel de Literatura em 1970. Naquele ano ganhou Soljenítsin.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Você que é carioca ou vive no Rio já passou a pé durante a noite pela rua Sotero dos Reis? O futuro diplomata Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes também levou o susto com a pergunta ou o convite do Estrangeiro para ir ao Mangue (área de prostituição que transferiu-se depois para a Sotero). Eles foram para lá e depois para tantos outros lugares excluídos de qualquer guia de turista. Foi com WALDO FRANK que Vinicius de Moraes deixou a redoma familiar e conheceu o Brasil. O americano WALDO FRANK (1889-1967) foi um escritor que se especializou no mundo hispânico. Escreveu vários livros de sucesso sobre o tema. Com o aproximar-se da Guerra (a II) foi mandado pelo Departamento de Estado para cooptar o pessoal abaixo do Rio Grande. Porém algo deu errado e ele tornou-se uma espécie de “Mr. Kurtz” (personagem d´O Coração das Trevas), rebelou-se, tomou o lado do cliente. Continuou escrevendo nos anos afora, mas, perdeu a sustentação como escritor (editores, distribuição, prêmios e resenhas nos jornais e revistas). Foi para o limbo literário.

domingo, 27 de julho de 2014

Moro na avenida Aquidabã e a Fotografia foi inventada aqui perto, na rua Barão de Jaguara (antiga Direita) nº 20, pelo monegasco HERCULES FLORENCE (1804-1879) em 1833. Mas não é só por isto que me interesso pela arte fotográfica e claro pelos fotógrafos. Reuni neste álbum, fotógrafos estrangeiros que vieram para cá e contribuíram para o desenvolvimento desta arte. É, uma forma de vê-los como eles foram vistos por colegas anônimos. Ricardo Alfieri, Claudia Andujar, Maureen Bisilliat, Luigi Mamprin (1921-1995), Jean Manzon (1915-1990), Pierre Verger (1902-1996), Wolf Reich, Armando Rozário, David Drew Zingg (1923-2000)....,

sábado, 26 de julho de 2014

Tomar banho já foi um perigo. Não é preciso ter assistido Psicose de Hitchcock, nem ser o Cascão (personagem de Maurício de Souza) para concordar com a afirmação. Basta ver a biografia de MATEUS LOPES FRANCO, nativo de Lisboa e residente em Salvador. Pois o Mateus foi preso em 9 de outubro de 1619, denunciado anonimamente, dentre outras coisas por tomar banho aos sábados. Está no processo nº 3504 (Inquisição de Lisboa) movido a ele. O alcaguete e quem recebeu a denúncia inferiram, como o denunciado era cristão-novo e tomava banho justo neste dia, ele persistia na antiga crença, guardando o shabat. Mateus conseguiu escapar legalmente da acusação que podia lhe causar a morte na fogueira. Casou-se mais tarde com Leonor Ximenes de Aragão, descendente do último Rabino de Castela, Abraham Senior e tiveram uma importante descendência brasileira: Sorór Catarina do Monte Sinai, Condessa de Barral, Maria Amélia Cesário Alvim (mãe de Chico Buarque), Gastão da Costa Carvalho Vidigal, etc. IMAGEM 1 – Processo de Luís (irmão de Mateus, o processo de M. L. F. está se esfarinhando) Lopes Franco, nº 8187, 1618;

sexta-feira, 25 de julho de 2014

O decreto real deixou perplexos os judeus daquela pequena cidadezinha espanhola. O que fazer? Todos deviam ir embora. O Elias tomou a sua família e foi “para onde levasse o vento”, como escreveu o Isaac Abravanel. Já carregava o rótulo do viajante no baú: oriundo de Canetti, Reino de Espanha. Os Canettis estacionaram no Império Otomano; mas, as demandas do pão levaram outro Elias a Rutschuk, Bulgária. O seu filho Jacques casou-se com a neta do rabino e historiador Abraham Israel Rosanes (1838-1879), de uma família expulsa da Catalunha. Deles nasceu o novo Elias. ELIAS CANETTI (1905-1994), depois de tanta deambulação familiar, conversou e namorou em ladino (sua esposa era uma Calderón), viveu em búlgaro e inglês, escreveu sua obra em alemão e terminou ganhando um prêmio sueco, o Nobel de Literatura em 1981. Feliz aniversário (25/07), señor Canetti.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Praga pega? De padre é pior? É possível que estas idéias passassem pela Sr ª Marie Eléonore de Maillé cada vez que recebia notícias do filho DONATIEN ALPHONSE FRANÇOIS, Marquês de SADE (1740-1814), quando tinha que abafar as façanhas do herdeiro. Não eram façanhas comuns; um dia ele torturou uma moça, depois envenenou outras, e assim continuou pela vida toda, buscando tirar prazer do sofrimento alheio. Até escreveu livros sobre isto (os trechos eróticos são em latim). A tara teria alguma relação com o passado familiar? O “religioso” italiano Francesco Petrarca (1304-1374) passava pela igreja de Avignon, quando viu Laure de Noves (1310-1348); tentou namorá-la, mas, foi ignorado. Petrarca aparentemente sublimou a paixão escrevendo poemas a amada (três foram musicados por Liszt) e praticando alpinismo. Laure casou-se com Hugues de Sade o x-avô do Marquês de Sade. A fama da Vovó tomada a Petrarca ficou na família, tanto que na geração posterior ao Marquês despirocado havia também outra Laure (1859-1936), de quem Proust decalcou a biografia para construir a Duquesa de Guermantes. O MARQUÊS de SADE não foi o inútil de tudo; se fracassou na vida, trouxe a palavra “sadismo” para os psicanalistas.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Comecei ler o Suassuna pelos poemas, repletos de símbolos e iluminação; daí fui para uma de suas obras-primas: A pedra do Reino. Estudei o que era Movimento Armorial, senti-me dentro daquele mundo, tomei coragem, escrevi ao Mestre Ariano (sabendo que ele não “respondia” cartas), mas, nos entendemos e trocamos longa correspondência, com o resultado disto escrevi um ensaio sobre o paralelismo da sua obra e genealogia (Suassuna: sob pele de ovelha, 1997) – um dos meus raros orgulhos é tê-lo citado no CADERNO DE LITERATURA BRASILEIRA – ARIANO SUASSUNA (IMS). O maior escritor brasileiro contemporâneo. Deus lhe pague.
Entrou no Ocidente através de um pesadelo. Vindo de Riga, Letônia, ele foi encontrado ao lado do pai, este, morto com ferimentos na cabeça quando escalava as montanhas do Tirol. Acusado e condenado por parricídio, teve a opinião publica ao ...seu lado, pois suspeitou-se de antissemitismo no julgamento, e assim foi expulso da Áustria. Dalí rolou para a França, abandonou o curso de engenharia, para fotografar moda. A Guerra empurrou-o para os EUA onde fez reputação fotografando celebridades e em muitos casos estabelecendo a sua imagem: Einstein (o clown triste), Marilyn, Dalí, Churchill, Hitchcock (o passarinho pousado no charuto), Picasso, et allia. Iluminação pré-estudada e uma abordagem que ele chamava de incomum, influência de Dalí, eram suas armas para a feitura de um portrait, sem parecer artificial. Foi num 2 de junho como hoje que nasceu PHILIPPE HALSMAN (1906-1979) o retratista que elevou o trabalho a uma forma de Arte – a escritora paulistana Tatiana Belinky é sua prima.
No primeiro de semestre de 1963, eu já usava caneta Bic, mas lia a noite sob a luz da lamparina cuja torcida era alimentada pelo querosene Jacaré e não tinha a menor noção do que fosse o Catolicismo. Era criança e minhas relações com Estranhos eram mediadas através dos meus pais. Não brincava com eles e só visitava as suas casas acompanhando a Mãe, já advertido para não comer ou beber nada dos anfitriões. Foi numa destas visitas que soube da agonia do PAPA JOÃO XXIII causada por câncer no esôfago – cultivávamos também tabus linguísticos, não pronunciávamos a palavra câncer, usávamos o eufemismo “doença brava”. A família que visitávamos era muito católica e o sofrimento físico do Papa era o sofrimento espiritual de todos eles. Os espelhos da casa foram virados para as paredes e quando finalmente Sua Santidade morreu em 3 de junho de 1963, a casa foi adornada de papéis roxos. Foram quatro dias de angustia daquela família no ermo paulista que me emociona até hoje. Perguntei a minha mãe quem tinha morrido. Ela foi breve, o deus deles. Aos poucos o Mundo ia entrando na minha cabeça.
O que se ouve de um homem que vai ser queimado vivo no final da tarde? O sapateiro Diogo Dias Fernandes, de 53 anos, natural de Serpa, deixou trôpego a sua cela, com outros infelizes para o mesmo destino. Sujo, doente e “sozinho”, sairia anonimamente deste mundo, como se fosse uma acha de lenha. Dele não se sabe mais nada a não ser o que o processo inquisitorial registrou. Muitas gerações adiante o assunto continuava na família, pois o seu sétimo neto, FERNANDO PESSOA (1888-1935), incorporara silenciosamente ao seu repertório poético as preocupações e imagens ancestrais. Perguntou das crianças cristãs-novas desterradas para a Ilha dos Lagartos (ou de S. Tomé) em 1493: “(...) Enterrar vivas nas ilhas desertas as crianças de quatro anos (...)”. Trouxe a Inquisição para o seu cotidiano: “(...) Eu fui amado em efígie num país para além dos sonhos (...)”. E interpretou como se a Akedá (o “sacrifício” de Isaac) tivesse realmente acontecido: “(...) tenho a impressão de ter em casa a faca / com que foi degolado o Precursor (...)”. Hoje (13/06) é o aniversário de FERNANDO PESSOA.
GUEMATRIA DE ESTACIONAMENTO - Meu pai seria direto como era o seu feitio: é falta do que fazer, mas que ele compreenda, até PV tem o seu dia de Câmara Cascudo. Todos os povos têm as suas preferências e superstições. Os judeus que constroe...m o seu cotidiano em volta das escrituras, dedicam certa atenção as letras e os números (no texto hebraico elas se confundem), que podem trazer boas influências no dia a dia. Sabendo da preferência dos Asquenazes pelo numero dezoito (que usa os mesmos caracteres para escrever “hai, vida”, chet, oito e yod dez) e dos Sefaradis pelo cinco (influência da hamsa, a “mãozinha”) anotei algumas placas de automóveis estacionados numa sociedade israelita paulistana, e encontrei em três dias, um número considerável delas: 1953 (a soma de todos os números), 4545 (esta placa satisfaz as duas tradições), 5094 (por soma), 0532, 9972, 9218 (9 x 2+18), 9698, etc.
FALECEU A PRIMA MARIA JOSÉ VALADARES (1926-2013). Imigrar é buscar a Liberdade econômica e religiosa, mas é também um trauma, que cola a alma dos imigrados e seus descendentes. Quando tomei consciência desta ferida, passei a procurar os meus parentes por todos os meios possíveis, para reuni-los pelo menos em meu coração. A maioria que você procura é indiferente a isto, mas também há os que te ...ajudam e o incentivam, porém sou devedor eterno de dois primos queridos ELIAS VALADARES que vive em Simão Dias (Sergipe) e EDEN VALADARES, que vive em Salvador (Bahia), que me ajudaram encontrando novos personagens e me trouxeram novas informações. Edén Valadares me apresentou a prima MARIA JOSÉ VALADARES, que por sua vez se apresentou em versos (ela era de um ramo de poetas): Eu sou Maria Valadares / Filha de Limba e Maria José / Sou sobrinha de Zendre / Neta de João Valadares [Este é o meu bisavô!] / Meus pais moravam em Palmares / Mudaram para o Pombal / O meu pai tinha moral / E muita dignidade / Meu pai está na eternidade / E eu moro aqui em Pombal. Mamãe é Maria José / Filha de João Valadares / Meus pais moravam em Palmares / Limba é irmão de Zendre / Casou com Maria José / Papai e mamãe são primos / Por designo do divino / Casaram e viveram bem / Por isso a gente tem / A união que a gente quer. Meu avô João Valadares / Era um homem inteligente / Ajudou muito os parentes / Andou por muitos lugares / Com as questões particulares / Do povo que ele protegia / Estava com muita agonia / Meu avô vinha depressa / Com gentileza e conversa / A questão se resolvia. Minha bisavó Gertrudes / A mãe de João Valadares / Levaram ela para os lugares / Onde ela nem conhecia / Ali ela resolvia / Fazendo partos perigosos / Mais a ela ninguém pagava / Pois ela partejava / Por ser prestimosa / E ela tomava essa atitude (...). Pois a prima MARIA JOSÉ VALADARES (1926-2013) morreu hoje. Que nos Deus nos console.
Onde começa o Sertão? Responde Jorge Menezes, de Monteiro, PB. “O Sertão começa a partir da Praça do Meio do Mundo, seguindo para Soledade. Pois aqui não se tem o xique-xique, a coroa de frade, o faxeiro (...)”. In: RODRIGUES,Maria de Fátima Ferreira. Sertão no Plural, da linguagem geográfica ao território da diferença (FFLCH/Geografia, USP, junho de 2001), p. 66.
Você comprou o bilhete de loteria que já foi chamado de gasparinho? Pode ser que o nome para a fração lotérica não tenha sobrevivido, mas, na minha adolescência ainda se usava. É homenagem ao político gaúcho GASPAR DA SILVEIRA MARTINS (1835-1901), que autorizou a circulação desta loteria. Desaforado e cheio de histórias. Morreu num bordel uruguaio enquanto prevaricava. Ele sabia várias línguas: do hebraico ao árabe que aprendeu com um liberto muçurumim no Rio de Janeiro. E fazia questão que todos soubessem de sua habilidade linguística. Conta-se que viajando num trem ele ouviu dois mascates (vendedores ambulantes) tramarem um negócio em francês. Ele advertiu no mesmo idioma: “Je vous avertis que je compreends le français”. A dupla mudou para o inglês, mas, ele voltou a carga: “I understand English”. Eles foram para o alemão e novamente: “Ich spreche Deutsch”. Para o russo: “Taqze ponimain po rusquei”. Um deles não aguentou a disputa: “Diabo, só faltaria que compreendesse também o hebraico!”. G. da S. M.: “Ani vedera gam es loochen ivrice”... Hoje é o seu aniversário (23/07), cumprimentos, Sr. Silveira Martins.

terça-feira, 22 de julho de 2014

O Miguel, vamos chamá-lo assim, vinha daquelas famílias que fugiram da Espanha, quando o fogo passou a ser parte do cotidiano. Primeiro a família assentou-se em Seixas, freguesia de Vila Nova de Fozcoa e quando prenderam um, queimaram outro da família, não teve jeito, buscou uma forma de fugir. Ele entrou no balaio de roupa lavada que ia para um navio e alguns meses depois, estava livre na América com o nome de Abraham Mendes Seixas. A família prosperou: um deles fundou a Bolsa de N.Y., outro foi rabino e conversava com George Washington, porém o melhor viria depois.... EMMA LAZARUS (1849-1887), tetraneta de A.M.S., foi poeta e a mão que escreveu o poema colocado na Statue of Liberty: “Não será como o gigante bronzeado da fama grega, / Com as pernas abertas e desafiadoras entre terras. / Em nossos portões banhados pelo mar e dourados pelo sol / levantar-se-a uma mulher poderosa com tocha e chama / É o relâmpago aprisionado e tem nome, / Mãe dos Exilados. O farol convida: / Sob o suave olhar: bem-vindos a todos, / unindo assim o porto a cidade. / Mantenham o orgulho, terras antigas, lamenta / E com os lábios silenciosos; dê-me porém os cansados, os pobres / as massas encurraladas ansiosas por respirar a liberdade, / o miserável refugo das cidades populosas / Mandem a mim os sem abrigo, os náufragos. / Minha lâmpada os alumiará” (“traição” de pv). Happy Birthday (22/07), miss Lazarus, que o seu poema seja lido e praticado mais vezes.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O que estou fazendo por aqui? Deve ter pensando o imigrante EMIL ODEBRECHT (1835-1912) ao escrever no diário em Santa Catarina: “Comer traíras apenas e sem sal? Palmito não existe mais e caça rendosa não avistamos, há dias, (...) ” (09/2/1863). Ele que era filho de um casal bem-posto na Pomerânia: Louise Juliane Albertha L´Oeillot de Mars, de origem huguenote e August Odebrecht pertencente a uma parentela de juízes e pastores luteranos. Mesmo com todas as dificuldades ele ficou por aqui, onde casou-se com Bertha Bichels e geraram quinze filhos. Calcula-se que os seus descendentes estejam por volta de 1300 pessoas. NORBERTO ODEBRECHT (1920-2014), um bisneto de Emil, nasceu em Recife, mas, criou-se em Salvador. Desenvolveu uma empresa de construção que depois entrou em várias atividades de engenharia. É a mais bem-sucedida empresa baiana de sempre. Estima-se em 130 mil empregados pelo mundo. Uma empresa que também se preocupou com a Cultura nacional, ao instituir o PRÊMIO CLARIVAL DO PRADO VALADARES (1918-1983), em homenagem ao nosso primo, historiador e médico, casado com Érika, irmã caçula do Dr. Norberto, para financiar trabalhos históricos relevantes. O DR. NORBERTO morreu no sábado (19/07). Descanse em paz e que as novas gerações sigam o seu exemplo.

domingo, 20 de julho de 2014

Você se lembra de ter lido “O menino do dedo verde” quando chegou a escola? Pois o autor MAURICE DRUON (1918-2009) era francesíssimo, rosadinho, membro da Académie Française, detentor do prêmio Goncourt e lutara como résistant contra a invasão nazista. Apesar das aparências a sua biografia subterrânea estava muito longe da Gália. Isto se via pelos pais: Lazare Kessel, judeu de Orenburg (Império Russo) e Leonila Samuel, parcialmente judia e neta paterna de Antonio II, “rei da Araucânia e da Patagônia” (Nova França). O reino não é reconhecido pelas nações, mas, foi constituído em 1860 por um advogado francês no sul da Argentina e Chile, ao ouvir três mil chefes mapuches. Antonio II foi o terceiro rei deste território. Antes de ser rei, tinha passado pelo Rio de Janeiro com o seu nome burguês, Antoine Cros (1833-1903), onde teve como paciente o “colega” D. Pedro II. Fez amizades por aqui, tanto que casou-se com Leonila Mendes, filha de Odorico Mendes (1799-1864), tradutor de Virgílio e Homero e da estirpe dos Bequimãos do Maranhão, com quem teve a Juliette, mãe da Leonila Samuel.

sábado, 19 de julho de 2014

Além das genealogias biológicas, há também as genealogias espirituais: Episcopais, mostrando a linhagem dos bispos; as Silsilás, da iniciação dos sufis e as Acadêmicas, da concessão de graus universitários (Mestres e Doutores). Todas podem ser tão longas quanto as biológicas. Elas não surgem do Nada. Sempre há um genearca no topo. As Acadêmicas são as que legitimam a autoridade do grau concedido. O historiador que passou por uma formação acadêmica tem como os colegas de outras áreas do conhecimento uma árvore genealógicas destas. Só como exemplo, a nossa linhagem acadêmica: O professor francês JEAN GAGÉ (1902-1986), especialista no mundo romano e cujo tronco está fincado na Escolas dos “Annales”, orientou quatro doutores: Eurípedes Simões de Paula (1910-1977), Alice Piffer Cannabrava (1911-2003), Olga Pantaleão e ASTROGILDO RODRIGUES DE MELLO; este por sua vez orientou a Araci Abreu Avelino e a MYRIAM ELLIS. Esta por sua vez orientou a Maria de Lourdes Vianna Lyra, Edgard Carone (1923-2003), Otávio Canavarros, Laima Mesgravis, José Mário Gama, Nanci Leonzo, Daise Apparecida Oliveira, Inês Caminha Lopes Rodrigues e ANITA NOVINSKY; nossa orientadora, um grupo de 25 Mestres e 18 Doutores. Por enquanto... IMAGEM – Jean Gagé; IMAGEM – Dra. Lina Gorenstein Ferreira da Silva, P. V., Drª Anita Waingort Novinsky e a Drª Jaffa Rifka Berezin no meu dia.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Ele colocou o ponto final na sua obra em 18 de julho de 1987. Tinha 87 anos e deixou assunto para se discutir pelos séculos adiante. Li primeiro “Ingleses no Brasil” e ao terminá-lo pretendi escrever algo parecido sobre os cristãos-novos (raiz do meu “A presença oculta...”). Foi através dele que tornei-me brasileiro. Dali em diante li tudo que encontrei onde o seu nome apareceu como autor ou como personagem e ainda um dia espero ler o desaparecido “Jazigos e Covas Rasas”. É a minha lembrança de GILBERTO FREYRE. Clique na imagem desejada para vê-la melhor IMAGEM – G. F. (Costados: Silva Freyre, Rocha Wanderley, Pernambucano de Mello e Cunha Teixeira);

quinta-feira, 17 de julho de 2014

O economista ARMANDO Nunes Castanheira da Rosa MARQUES (1930-2014) foi um homem extremamente educado e quando na atividade de árbitro de futebol nunca chamou o jogador por seu nome de guerra; com Pelé, era Senhor Edson e assim com os mais anônimos jogadores. Entre 1960 a 1977 apitou 1898 partidas oficiais, sendo que algumas foram em Copas do Mundo (66 e 74) e numa Olimpíada (72). Dirigiu dois jogos históricos: o do “cai-cai” quando expulsou Pelé e Coutinho e o Santos “saiu” de campo em 1963 e o que fez campeões paulistas o Santos e a Portuguesa em 1973. Ele foi personagem do futebol brasileiro quando era o maior espetáculo da terra. ARMANDO MARQUES morreu ontem (16/07). Descanse em paz.
O seu rosto aparecia nos pesadelos das mulheres brancas de uma região que ia do Texas ao Arizona. Elas eram duronas, mas, ver-se na possibilidade de raptadas por aquele “selvagem”: deixar para trás a Civilização Ocidental, a Cristandade; gestos simples como arrumar o travesseiro dos filhos, era o Terror. Vários grupos militares saíram para pegá-lo, mas voltaram derrotados – ele nunca perdeu uma batalha. Apenas citar o nome do cacique QUANAH (Perfume), da tribo dos Comanches, marido de oito esposas e pai de vinte e cinco filhos, causava tudo isto. Isto porque não lhes conheciam a sua genealogia. QUANAH (1845-1911), era filho e neto de chefes comanches bem conhecidos pela bravura, porém, a sua mãe Nadua (Encontrada), trazia no nome indígena a sua biografia. Ela fora Cinthia Ann Parker, neta dos Taliaferros (o povo ancestral da Glenn Close, Jodie Foster e Muhammad Ali, de quem já falei), tomada como despojo de guerra aos nove anos e que se casara com o cacique Peta Nocona, e tivera três filhos, entre eles, o QUANAH. QUANAH terminou a vida como o companheiro de caçadas de Theodore Roosevelt e fundador da Igreja Nativa Americana.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

No romance Tender is the night (1934) de F. Scott Fitzgerald, a personagem Maria Wallis atira no amante em uma estação ferroviária francesa. Leitores de jornais sensacionalistas logo identificaram na cena um flash da vida da americana ALICE DE JANZÉ, contumaz frequentadora destes periódicos e buscando mais atrás o Happy Valley no Quênia onde a encrenca fora gerada. ALICE DE JANZÉ (1899-1941), da multimilionária família Armour, já violara quase todos os parágrafos do código penal (faltava o homicídio), quando descobriu o Happy Valley no Quênia, colônia europeia onde nobres e milionários viviam num clima de pleno hedonismo, sem preocupar-se com as convenções. Ela se casara em Paris com um conde francês, piloto de corridas e amigo de Proust. O casal conheceu em 1925 o Conde de Erroll que os convidou a viver no Happy Valley. A figura mais conhecida do local era a baronesa Karen Blixen, autora de “A festa de Babette”. Lá, Alice enamorou-se do filho de um baronete (aquele em que ela atirou na Gare du Nord em Paris) e depois foi acusada de matar quem lhe convidara para aquele Xanadu, outro amante. É possível que ela tenha preenchido o álbum de contravenções. IMAGEM - Alice de Janzé e o leãozinho de estimação Samson.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Para o país que precisava de mão de obra braçal aquele grego não era um bom candidato. Ainda mais quando ditou para a ficha consular: “Doutor Theon (...)” com todo o pirranço do emergente. Mesmo assim o cônsul Grieco – o Grieco (grego) era italiano e o Voulgaris (búlgaro) era grego – deferiu o seu pedido de entrada no país em 1950. Ainda bem que o Cônsul não associou o nome da mãe do interessado, Clio Voulgaris, ao primo dela Sotirios estabelecido em Roma, dono da loja de produtos de luxo, Old Curiosity Shop, conhecida depois como Bvlgari (um caso de betacismo, a troca do V pelo B). Pois o Dr. THEON SPANÚDIS (1915-1986), nascido em Esmirna, trocou a sua cidade, quando os turcos expulsaram os gregos locais, por Viena. Formou-se por lá numa área nova da medicina: a psicanálise e foi orientado por August Aichorn, pioneiro nesta ciência. No Brasil ele ficou longe da roça, exerceu a ciência até quando pode, colecionou arte nacional e escreveu poesia neo-concretista em português. Ele será encontrado nos seus trabalhos poéticos e nas 453 telas de sua coleção custodiada na MAC-USP.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

“(...) O negro: “Guntach, Landsmann!” (boa tarde, compatriota!). Surpreso, Hofmann, um alemão, não entendia que um negro falasse alemão. Recebeu do próprio a explicação: “Wenn du mol so lang in Brasilje bist wie ich, wäste aach Schwartz” (Quando tu estiveres tanto tempo no Brasil como eu, tu vais ficar preto” (...)”. (Negros de fala alemã, de René E. Gertz) Imagem 1: Jerome Boateng, campeão mundial pela Alemanha, 2014; IMAGEM 2: Helmut Rahn, tio-avô de Boateng, Campeão mundial, 1954
No tempo em que professores e PMs (policiais) se engalfinhavam aos socos e pontapés pela educação paulista; numa destas refregas o amigo e colega Wolney Colussi notou que o caminhão de som do sindicato docente listava os nossos apoios, todos terminados em “inho” (Paulinho, Luisinho, etc”), e comentou desolado: nestas horas precisamos é de “ão” (Paulão, Luisão, etc). Assim é a Seleção brasileira, com tantos anões escalados pode ser até bom pelo “Politicamente Correto”, mas é uma joça para o resultado. Só dois jogaram bem o torneio (David Luís e Marcelo). O resto pode ser resumido assim: o capitão é um “emo” atormentado. Jô conseguiu “provar” que futebol é mais difícil que equação de terceira grau e os outros pipocaram feio – um até fingiu contusão para não entrar no jogo decisivo (na Copa de 58 o lateral direito engoliu um tubo de dentifrício para isto). Fora do campo os “fracassomaníacos” quebraram as caras. O título da Alemanha é merecido. O melhor jogador do torneio foi o Robben (da partida final, Schweinsteiger e Mascherano) Sempre é bom ver futebol bem jogado. Foi uma boa Copa, mesmo assim, vamos nos tornando lentamente uma Hungria. Já fomos muito bons nisto. Amanhã a Macaquinha (Ponte Preta) pega a Portuguesa.... IMAGEM: Brasil, campeão mundial e Alemanha, 3º colocado, México, 1970.
O navio era de soldados anônimos, que sob o comando do general Lecor, iam fazer a guerra no Prata. O Monteiro de Vila Real e o Borges de Torre do Moncorvo talvez não se conversaram. Cada um tomava conta do seu bornal e cantil sem tempos para as sociabilidades. O Borges ficou por lá e dele é bisneto, o escritor Jorge Luís Borges. Do Monteiro, saiu a dinastia de jornalistas Mesquitas do “Estadão” em S. Paulo. A Argentina tornou-se nação e com o passar dos anos o entra e sai tornou-se normal. Vários brasileiros foram para lá e deram-se bem, e argentinos vieram para cá, com o mesmo resultado. ALEMANHA x ARGENTINA? Que vença o melhor.

sábado, 12 de julho de 2014

Encontro prazeres sutis, como identificar na obra poética de Haroldo de Campos uma reminiscencia do Salvianus de Marselha (séc. V). Escreveu o asceta: “O Império Romano está repleto de miséria, mas é faustoso. Morre, e, no entanto ri”. O argentino Perlongher escreveu o verso e refrão, “Hay cadáveres”. Campos alinhavou os dois: “hay cadáveres canta néstor / perlongher / e está morrendo e canta (...)”. É a partir destes três fragmentos conhecer as relações entre um texto e outro, de uma situação e outra, das analogias ocultas, dos personagens e cenários e daí inferir o inconsciente do poeta que escapou da censura consciente. NÉSTOR PERLONGHER (1949-1992) o homenageado é um poeta quase barroco, sociólogo e militante político. Autor do “O negócio do michê: prostituição viril em S. Paulo” (1987), aluno e professor na UNICAMP. Ele fez AIDS e morreu disto. Haroldo de Campos, numa linha só, uniu a Roma em decadência, da licenciosidade de costumes ao autor e o seu tempo, e da atividade de rapsodo enquanto espera a morte. O poeta “fala” é nas entrelinhas.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Era temperamental e teve um cão perdigueiro chamado “Gaúcho”, mais conhecido na intimidade como “seu Arthur” (“homenagem” ao Marechal-presidente). Conheci o professor César, quando fui gerente de um banco em Barão Geraldo (Campinas). Ele descobrira algo chamado mesón pi, do qual não tenho a mínima compreensão e também não perguntei. Falávamos de números mais concretos, e nas brechas das conversas de serviço, dos Profetas bíblicos. Pelos tais mesón pi ele devia ganhar o Prêmio Nobel de Física em 1950 – mas quem levou o galardão foi o Sr. Powell (um dos integrantes da pesquisa). C´est la vie! CESARE MANSUETO GIULIO LATTES (1924-2005) nasceu em Curitiba, filho do gerente do “Banco Francês e Italiano”. Ele escolheu a Física, segundo o seu testemunho, pois o professor na época tinha três meses de férias e era bem remunerado, portanto uma boa profissão, se comparada as outras disponíveis. O seu pai que conhecia Gleb Wataghin, lhe apresentou, que o aceitou como aluno. César Lattes estudou, pesquisou e encheu lousas de cálculos pelo mundo, de Chalcataya a Chicago. Nos anos 60 veio para Campinas onde fundou o Instituto de Física “Gleb Wataghin” (UNICAMP). Você que já é mandarim ou candidato a ser, quando preencher o “Currículo Lattes”, lembre-se que é uma homenagem a ele. Hoje é o seu aniversário (11/07).

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Índio em filme americano morre sempre no final. E na vida? Claro que não, nem todos foram chacinados e nem ficaram confinados em “reservas”. Veja a trajetória de POCAHONTAS (Matoaka), a filha do cacique Wahunsunacock. Sabe aquelas histórias da genealogia brasileira – da avó pega a dentes de cachorro ou a laço? Pois foi algo semelhante. Ela foi capturada aos dezessete anos e batizada cristã como Rebeca. Apaixonou-se por seu mediador cultural ao Ocidente, capitão John Smith; mas, coube casar-se com o comerciante de fumo e viúvo, John Rolfe e tiveram ao filho Thomas. Seguindo o marido, foi a Inglaterra e lá morreu. A descendência de POCAHONTAS (1595-1617) é conhecida como os “Rolfes Vermelhos” e estão por volta de cem mil pessoas. São reconhecidos como pertencentes a FFV (First Families of Virginia), elite americana. É gente como o astrônomo Percival Lowell (1855-1916), o almirante Richard Byrd Jr. (1888-1957), o ator Glenn Strange (1898-1973), a socialite Pauline de Rothschild (1908-1976) e duas primeiras-damas americanas: Edith Wilson e Nancy Reagan.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Barbear-se sozinho, escrever e saber nadar. Eram as três exigências para alguém ser considerado um homem adulto, segundo o nosso avô Ribeiro. Talvez seja por isto que sempre associo a imagem do Pai a uma caixinha azul com a fotografia de um homem escanhoado e de bigode ao seu lado pela manhã. Eram as famosas “giletes” de aço criadas pelo americano do mesmo nome para substituir as navalhas. KING C. GILLETTE (1855-1932) vinha de um grupo de 140 “Puritanos” de Devonshire, que chegou aos EUA em 1630. Ele trabalhou como vendedor por muitos anos enquanto aperfeiçoava as lâminas para barbear. Depois de algum tempo conseguiu fazê-las e montou a empresa para comercializá-las. Gillette era também um “socialista utópico” e tinha ideias para o futuro da humanidade. Escreveu dois livros sobre estas projeções. Ofereceu a Theodore Roosevelt a presidência de sua empresa para colocar o projeto em ação, sem sucesso. Ele morreu num dia como hoje (09/07).

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Com “autorização paterna” ele passou pelo Brasil em 1946, apesar dos bigodes e de que fora artilheiro do campeonato argentino. Era um atacante rápido, hábil e de chute muito forte. Saiu da Argentina para fazer a vida na Colômbia e depois na Espanha, no Real Madrid, onde foi jogador, treinador e dirigente do clube mais importante do mundo. Ganhou a Bola de Ouro em 1957 e 1959. Foi o maior jogador argentino de futebol em todos os tempos (José Manuel Moreno foi o segundo). Tinha tanto reconhecimento pela profissão que colocou no jardim de casa uma estátua em forma de bola e inscrição “Gracias vieja”. ALFREDO STÉFANO DI STÉFANO LAULHÉ (1926-2014) faleceu hoje pela manhã em Madrid (07/07).
O velho Anton von Zuben, dono da fazenda Tapera, comprou um revolver, colocou a fotografia do ex-capataz no bolso e avisou a família: “no dia que encontrá-lo, mato sem falar nada”. Tentaram dissuadi-lo, mas o suiço era inflexível. O capataz traíra a sua confiança e lhe passara para trás em questão de terras. Um dia ele encontrou o inimigo no centro de Campinas. Nem teve tempo para sacar a arma, morreu de infarto na hora (fui colega durante o ginásio dos seus netos: Antonio Carlos, um dos melhores jogadores de futebol que já vi; e a bela Lilian Maria). Ele fazia parte dos suiços de Obwalden que vieram para Jundiaí e depois Campinas no final do século XIX; como empregados do Barão de Jundiaí, era uma experiência para substituir aos escravos, mas, logo eles compraram 468 alqueires em Indaiatuba e se estenderam pela região. São os Ambiel, Amstalden, Bannwart, Wolff, Sigrist, Hoffstetter, etc. Católicos e pacíficos, o número de padres (eles falam kaplan) saídos desta colônia é grande. O atual responsável pela catedral campineira é o cônego Álvaro Ambiel. Hoje é aniversário de um deles (07/07). D. Constantino Amstalden (1920-1997), antigo Bispo de S. Carlos.

domingo, 6 de julho de 2014

“Aí dos vencidos”, suspirou o profeta. As vezes a dor do derrotado é tão grande que ela fica suspensa eternamente no tempo, como a metáfora da tristeza. Quando Boabdil, o rei de Granada, olhou pela última vez o seu castelo Vermelho, o lugar ficou conhecido como “Suspiro del Moro”. Alguns séculos depois o Fernando Pessoa trouxe para o repertório poético: “Outrora fui talvez, não Boabdil. / Mas o seu mero último olhar, da estrada / dado ao deixado vulto de Granada (...)”. Com o músico espanhol JOAQUÍN RODRIGO também foi assim, no seu maior momento de dor, ele remeteu-se ao olhar de Boabdil a Granada, para ilustrar a angustia. JOAQUÍN RODRIGO (1901-1999) tornou-se cego por fazer uma difteria na infância. Ele superou a incapacidade, aprendeu música e teve sucesso na carreira. Casou-se com a pianista sefaradi Victoria Kamhi Arditti (1902-1997). Tudo ia bem, até nascer o filho, morto. A dor foi tão grande que Joaquín lembrou-se do episódio real e compôs a peça musical espanhola mais tocada no mundo: CONCIERTO DE ARANJUEZ, que é dividida em três movimentos: ela começa no olhar de Boabdil a Granada, a seguir o autor pergunta a Deus sobre a morte do filho e pede que conceda a vida da esposa (a guitarra faz o coração pulsando). Hoje a melodia do adagio é usado em algumas congregações sefaradis no Kadish. JOAQUÍN RODRIGO, morreu num dia como hoje (06/07), já honrado como 1º Marquês de los Jardines de Aranjuez. IMAGEM – Joaquín Rodrigo e a esposa Victoria Kamhi Arditti. http://www.youtube.com/watch?v=CY29JlyAH7c

sábado, 5 de julho de 2014

“Quebraram o acordo. Prenderam o capitão Fonseca.Vamos partir para cima deles. Lá fora tem 3 mil soldados querendo beber nosso sangue. Todos são inimigos. Não é mais política, é a Honra que não pode ser manchada, é a Honra do soldado que está em jogo. Ninguém se entrega. Chance zero de sobreviver. Vamos colocar a marca de Caim neles. Vou urinar e quando voltar, só quero na sala os que vão sair da unidade para morrer. Os restantes estão dispensados”. Eram 301 homens entre soldados e oficiais, quando ele voltou restavam 28 na sala. “Combateremos a sombra”, deve ter pesado o tenente Gomes, que lia bastante. O soldado Santos cortou a bandeira brasileira em 29 frações, um pedaço para cada e outra para o capitão Fonseca (que estava preso). O tenente Carpenter, que vinha de uma linhagem de combatentes na Independência, no Paraguai e em Canudos (onde teve o avô empalado), começou a escrever a carta de despedida para a mãe. O sargento fazia a chamada: Reis, Nunes, Oliveira, Melo.... “Vamos”. 5 de julho de 1922: Saíram duas dezenas de combatentes do Forte de Copacabana pela Avenida Atlântica em direção ao Leme, no meio do percurso alguns desistiram e só dezoito prosseguiram para salvar a Honra. O paisano Dr. Correia entrou na formação e tomou o lugar de um desertor. Tiros e combate corpo-a-corpo. Na altura do Porto 3, os Legalistas encontram apenas três feridos: o tenente Campos, com uma perfuração de baioneta na região do fígado; o tenente Gomes, com fratura exposta do fêmur e o soldado Santos. O restante morreu. As mentalidades mudam lentamente. Mas mudam. IMAGEM – Eduardo Gomes, Mario Carpenter, Newton Prado, Otávio Correia e Pedro Melo caminham para o confronto;

sexta-feira, 4 de julho de 2014

É um triângulo isósceles: os dois olhos do touro e na frente está a vítima. A melhor estratégia é ficar parado, de frente para ele e só saltar ao lado quando ver o escuro dos olhos do atacante. Aprendi isto depois de ganhar uma cicatriz em forma de mapa na panturrilha direita ao tentar fugir de um boi pé-duro. Mas eu não precisei ser profissional, já para os meninos ciganos de Espanha é o modo de fugir ao destino miserável: tourear ou cantar, se não viram lixo humano. Com o MANOLETE também foi assim, filho, sobrinho, neto e bisneto de toureiros, não lhe restou alternativa ao ficar órfão, senão a fiesta brava. Dona Angustias (perceba o nome), a sua mãe, durante 508 noites (o número de corridas feitas por Manolete) ficou a espera da notícia aziaga. Ela chegou pela manhã. MANOEL LAUREANO RODRÍGUEZ SÁNCHEZ (1917-1947) aniversaria hoje (04/07).

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Bibliografia - Livros - PAULO VALADARES

A Presença Oculta. Genealogia, Identidade e Cultura Cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX (Fortaleza: Fundação Ana Lima, 2007). Coautor do Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames (S. Paulo: Fraiha, 2003 e 2004), premiado com o AJL Reference Book Award (EUA); de B.J. Duarte: caçador de imagens (S. Paulo: Cosac Naif, 2007) e Os Primeiros Judeus de S. Paulo – Uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana (S. Paulo: Fraiha, 2009).

BIBLIOGRAFIA - Artigos - PAULO VALADARES

Converted and Reconverted: History of the Jews Who Stayed in Portugal (1497-1997), Avotaynu – The International Rewiew of Jewish Genealogy, volume XIII, nº 4, winter 1997, pp. 9-12 - Uma teia familiar: Cristãos-novos Portugueses Nobilitados no século passado, Gerações/Brasil – Boletim da Sociedade Genealógica Judaica do Brasil, nº 5, 1-2, maio de 1999, pp. 6-11 - O mistério do Padre Sanctos Saraiva, um “judaizante” na Corte de D. Pedro II, Gerações/Brasil – Boletim da Sociedade Genealógica Judaica do Brasil, nº 10, junho de 2001, pp. 7-10 - A costela judaica de António de Oliveira Salazar, Gerações/Brasil – Boletim da Sociedade Genealógica Judaica do Brasil, nº 11, julho de 2002, pp. 18-9 - Dantas Mota, o “Doutor de Sião” e os cristãos-novos mineiros, O Hebreu nº 267, agosto de 2002, pp. 20-1 - Fernando Pessoa: um cristão-novo no século XX, Vértices nº 6 – área de língua hebraica, literatura e cultura judaicas, 2004, pp. 91-104 - O vice-presidente Alkmin: um falso “turco” na genealogia mineira, Revista da Asbrap – Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia nº 11, 2005, pp. 281-6 - Malês, do massacre à sobrevivência clandestina, História Viva nº 20, junho de 2005, pp. 80-5 - As genealogias do capitão Barros Basto, o “Guia dos Maranos”, Cadernos de Estudos Sefarditas nº 5, 2005, pp. 299-311 - Espaço Vivo – Ao contrário do que parece, há muita vida pulsando nos cemitérios: seja em belíssimas obras de arte, ou em preciosas informações sobre a história, Revista de História da Biblioteca Nacional nº 9, abril de 2006, pp. 72-5 - Os Mesquitas do “Estadão” vistos pela genealogia judaica, Revista da Asbrap – Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia nº 12, 2006, pp. 255-274 - Qual a família judia mais antiga de S. Paulo? Revista da Asbrap – Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia nº 13, 2007, pp. 277-288 - O “tição” do Colégio Pedro II: Identidade Judaica no Rio de Janeiro (década de quarenta), Boletim do Arquivo Histórico Judaico Brasileiro nº 37, maio de 2007, pp. 29-33 - Jesus “made” in China, Revista de História da Biblioteca Nacional nº 31, abril de 2008, pp. 56-9 - Terror num shtetl gaúcho: Quatro Irmãos (1924) – Uma história oculta da Coluna Prestes, Boletim do Arquivo Histórico Judaico Brasileiro nº 39, maio de 2008, pp. 15-8 - Judeus em Campinas: uma comunidade em movimento, Sinpro Cultura nº 69, Campinas, julho de 2008, pp. 36-9 - Bartolomeu de Gusmão, o Messias desconhecido, Revista da Asbrap – Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia nº 14, 2008, pp. 19-32 - De Jerusalém para Lisboa, de Lisboa para o Sertão, Boletim do Arquivo Histórico Judaico Brasileiro nº 42, maio de 2010, pp. 23-7 - De Vila Flor a Jerusalém, a jornada do general David Shaltiel – primeiro embaixador de Israel no Brasil, Lattitudes – Cahiers Lusophones nº38-9, maio-outubro de 2010, pp. 42-6 - Os Judeus em S. Paulo, I, Morasha nº 69, setembro de 2010, pp. 68-76 - Os Judeus em S. Paulo, II, Morasha nº 70, dezembro de 2010, pp. 72-80 - Semi-Ótica do Ex-libris de Joaquim Nabuco – A importância de ler o profeta Daniel, Boletim do Arquivo Histórico Judaico Brasileiro nº 44, junho de 2011, pp. 34-7 - Lafer-Klabin de Poselvja – Empreendedores e intelectuais brasileiros, Boletim do Arquivo Histórico Judaico Brasileiro nº 45, outubro de 2011, pp. 36-40 - Nomes de árvores e de animais correspondem a sobrenomes de judeus? Revista de História da Biblioteca Nacional nº 73, outubro de 2011, p. 29 - Peter Scheier (1908-1979): um fotógrafo alemão no Brasil, Revista da Asbrap – Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia nº 17, 2011, pp. 97-110 - Mister Benny, o personagem do Bom Retiro paulistano, Boletim do Arquivo Histórico Judaico Brasileiro nº 46, abril de 2012. pp. 8-11 - Consanguinidade próxima ao Dr. Ribeiro Sanches (1699-1783), Revista da Asbrap – Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia nº 19, 2012, pp. 259-282 - O teatro ídiche está de volta, Boletim do Arquivo Histórico Judaico Brasileiro nº 47, outubro de 2012, pp. 10-3 - O misterioso Romy Fink, “personagem” de Bodenlos, Boletim do Arquivo Histórico Judaico Brasileiro nº 49, 2014, pp. 12-9 -
Se Sua Excelência, D. Francisco Javier Maria de la Paz Bernardo Eulogio Juan Nepomuceno Girón y Espeleta La Casas y Enrile, 2º DUQUE DE AHUMADA (1803-1869) pudesse voltar ao século XVI, subir numa daquelas pirâmides da Tenochtitlán (Ciudad do Mexico), olhar para a planície e tentasse encontrar naquela multidão em conflito um ancestral, provavelmente procuraria um castelhano ensanguentado, pois através dele, talvez pudesse chegar aos “reis godos” tão festejados pelos genealogistas. Mas não, o seu ancestral não estava nas ruas, e sim trancado num quarto escuro esperando os deuses chegarem, era o imperador-sacerdote asteca MOCTEZUMA II. Moctezuma Xocoyotzim (1446-1520) foi o penúltimo imperador asteca, porém os descendentes de sua linha dinástica receberam tributos pecuniários até o séc. XIX. Derrotado e morto, onze gerações depois nasceu o Sr. Duque, fundador da Guardia Civil espanhola. Hoje são 600 descendentes do infeliz monarca que vivem no México e mais 300 na Espanha.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Nem sempre o autor está a altura de suas obras e da persona que construiu para si. Com ele foi assim, nascido numa família previsível e tributável, primo em graus variados de treze presidentes americanos: Washington, Taylor, Lincoln, Hayes, Taft, os Bushs, Roosevelt (Franklin), Cleveland, Harding, Coolidge, Madison e Harrison. Ele deixou o conforto de lado, buscou ter uma vida solar e vivê-la como os herdeiros dos gregos e romanos. Foi tenente na I Guerra Mundial, conviveu com mulheres bonitas e inteligentes, caçou feras, lutou boxe, seguiu toureiros e principalmente escreveu grandes romances. O preço a pagar foi excessivo. A Mãe não entendia o porquê de tantos palavrões no texto, se ninguém falava assim em casa; os patrões temiam que ele fosse comunista. Nem o prêmio Nobel de Literatura lhe deu fôlego, cada elogio ou crítica era um fio de cabelo branco a mais e também uma libra de gordura no corpo. Envelheceu rápido e logo era conhecido como Papá. O Sr. ERNEST HEMINGWAY (1899-1961) não esperou por dezenove dias o aniversário e sacrificou-se num dia como hoje (02/07).

terça-feira, 1 de julho de 2014

“Fazer do mundo um lugar melhor e eliminar o sofrimento”, não é um bom objetivo? Pois MENAHEM MENDEL SCHNEERSOHN (1902-1994), nascido numa parentela de místicos e líderes (os Lubavitchers Rebbes), uma espécie de príncipe hassídico, teve este propósito desde criança. Nascido no ermo czarista ele estudava Matemática e Engenharia na França quando os Nazistas tomaram a cidade. Na fuga ele passou por Portugal para chegar a América. Em Portugal, terra ancestral do rabino Baruch Batlan Portugali, seu nono avô, ele falou sobre um tema talmúdico: “O filho de David só virá quando se procurar um peixe para os doentes e nenhum for encontrado”. Em 12 de junho de 1941 ele embarcou no navio Serpa Pinto e foi para Nova York, onde mais tarde tomou conta do principado espiritual (foi o 7º Rebbe). Nesta terça-feira (01/07), 3º de Tamuz no calendário judaico marca duas décadas do seu falecimento.