Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Quando um grupo pretende derrubar um governante o que faz? Chama o intelectual do partido e lhe incube criar uma atmosfera de descontentamento. Foi assim e será. O melhor destes trabalhos políticos no Brasil (e o mais engraçado, hoje) é a “Biografia do rev. Padre Correia - Vigário de Ipu”, do historiador Joaquim Catunda (1834-1907). O padre Correia (1814-1881) chegou a Senador, mas, atraiu a ira dos inimigos eleitorais, então Catunda, um deles, lhe escreveu a “biografia”, desde o nascimento até o momento daquela eleição: “(...) nasceu uma criança do sexo masculino. Era uma hora da madrugada. As trevas tornaram-se mais espêssas; uivavam os cães; as aves da noite esvoaçavam apavoradas soltando longos e dolorosos pios (…) foi um ano calamitoso em tôda a ribeira do Jaguaribe: as chuvas faltaram, secaram as águas, os calores ardentes do sertão mataram as sementeiras, a fome e a peste dizimaram a população (…) Seu choro era também objeto de espanto e curiosidade: principiava com o silvar da serpente e descia gradualmente até ao sarrido do urso marinho. Quando mamava, afagava a mãe e mordia-lhe o peito (…) O maldito Chiquinho quebrava a cabeça dos seus companheiros, entornava os tinteiros sobre a mesa, queimava com papagaios de algodão os pés do mestre Professor, quanto este ia dormir a sesta e uma vez tentou incendiar a escola (…)”. O historiador Catunda teve sucesso: elegeu-se Senador, e o Padre Correia morreu num dia destes em junho. IMAGEM: padre Francisco Correia de Carvalho e Silva.

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