Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Fusca ou Mercedes-Benz? Dependendo do seu caixa, você, escolhe um ou outra. A viatura não é só um meio de transporte. Escolhê-la não é uma questão estética. Ela demarca a posição social do proprietário. Antigamente também foi assim. A fronteira entre o fidalgo e o peão era o cavalo, pois ele lhe trazia a liberdade de movimentos e do alcance de distâncias, algo vedado aos subalternos. Daí ser proibido quem não pertencesse ao circulo da nobreza ter um cavalo ou cavalgar. Só como exceção isto era permitido. Cavalgar é honra, mas, também é humilhação. No Sertão brasileiro o perdedor político, quando despertava muito ódio, além de ser expulso da cidade era obrigado a sair montado num boi. Os tombos e a posição das pernas escanchadas causavam risos pelo ridículo. Um dos últimos registros do costume foi em Vitória da Conquista na guerra entre os Meletes e os Péduros (trinta mortos em cinquenta anos). Os vencedores lembraram da provocação do derrotado: “Ratos não comem gatos” e pegaram o Dr. Antonio José de Araújo, juiz de Direito, seguidor dos perdedores e deram como a condição da paz que ele saísse da cidade montado num boi. Os perdedores concordaram, inclusive em deixar a cidade; mas, sair montado num boi, era humilhação demais. Choraram tanto que conseguiram a anistia. Laudicéia Gusmão (1862-1948), da parentela de ELOMAR FIGUEIRA MELO e GLAUBER ROCHA, em troca de um tratado de desarmamento entre as duas facções, perdoou em parte o juiz derrotado e escoltou-lhe armada de rifle até a divisa da cidade. IMAGEM 1 – Laudicéia Gusmão (sentada);

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