Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

domingo, 1 de junho de 2014

É silêncio a vida da criança de origem cristã-nova, pois, ela é uma figura ausente nos rituais secretos da família, restrito aos adultos. A proteção familiar começava no ato de nomear o filho e a filha, nada de usar nomes veterotestamentários, como Abraão, Sara, Isaac, Raquel, Lia, Jacó, Moisés, etc. Rara é a criança exposta a processo inquisitorial, pois, até pelo regimento da instituição, se recomendava processar apenas quando os suspeitos estivessem na “idade do entendimento”. A vida de uma criança destas era confusa. Ela participava de um drama adulto que não compreendia. Muitas vezes uma pessoa da parentela desaparecia ou ouvia os membros da família comentarem em voz baixa sobre o tio ou a tia que sumira. O choro nos cantos da casa tornava-se constante, até o momento em que aparecia na igreja um “retrato” (o sambenito do condenado) com o nome do parente queimado. Estalava-se de vez o desprezo a família, ela tornava-se “infamada”. A criança tornava-se conhecida como: o Judeu, o Pássaro Gago, o Cheira-Dinheiro, o Faraó, o Cabaço, etc. Infinitos modos de estigmatizá-lo. Até chegar a vez de ser adulto e.... IMAGEM - Filhos do banqueiro português Francisco Lopes Suasso e Leonora da Costa, bem longe da Inquisição. Circa 1709.

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