Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Argélia ou Alemanha? Pode não ser a favorita, mas, vou de Argélia. Simplesmente como homenagem aos músicos argelinos, tanto os cantores judeus de lá: Enrico Macias, Lili Boniche e Line Monty, dentre outros; como os muçulmanos, caso de DAHMANE EL-HARRACHI (1926-1980), filho do muezim da Grande Mesquita de Argel, compositor, cantor e multi-instrumentista, autor da melhor canção de exílio que conheço: YA RAYAH (Ó emigrante), que cometi a desfaçatez de “trair” (não posso em sã consciência afirmar que traduzi), linhas abaixo: “Ya rayah win msafar trouh taaya wa twali / Chhal nadmou laabad El ghaflin qablak ou qabli (bis) / Oh emigrante, / aonde você vai / se um dia terá de voltar / quanta gente se lamentou antes de você e eu / quantas cidades anônimas e quantos desertos você já viu?/ Quanto tempo você já perdeu? / quanto você ainda vai perder?/ Oh emigrante no país que é dos outros / sabes o que está passando aqui e ali ? / o destino e o tempo seguem os seus cursos, mas você ignora / por que você está tão triste? / Por que te sentes tão miserável? / esgotarás os teus dias sem haver aprendido nada / os dias se vão com a nossa juventude / Oh pobre que desperdiçou a sua oportunidade, como eu desperdicei a minha / Oh viajante te dou um conselho, que deves seguir hoje mesmo / estuda o que convém, antes de vender ou comprar / Oh sonhador, chegou notícias tuas e o que lhe passou, ocorreu também a mim / Assim regressará a sua alma ao Criador”. http://www.youtube.com/watch?v=9j0L57HJkm4. IMAGEM 1 – Dahmane El-Harrachi.

domingo, 29 de junho de 2014

Música não enche a barriga de ninguém. Enche a Alma, deve ter respondido o “tio” LIONEL BATISTE (1931-2012), o 16º filho de um ferreiro, que ganhou o quiabo diário exercendo o ofício de alfaiate no bairro Tremé, em Nova Orleans. Ao lado das agulhas e tecidos ele também foi músico, tocou vários instrumentos, mas, ficou no bumbo. O sepultamento do Tio Lionel seguiu a tradição negra local. O ataúde foi acompanhado por músicos, que abriram a seção tocando Just a closer walk with thee, melodioso hino batista do séc. XIX, já gravado pelos melhores cantores americanos (conheço pelo menos trinta gravações). O cortejo fúnebre é uma despedida alegre. É majoritariamente Católico Romano, mas percebe-se praticantes de outros ritos na despedida: no início um muçulmano carrega o caixão (de taqiyah na cabeça); mas, pouco sobrou da África ancestral, apenas os guarda-sóis enfeitados usados antigamente pelos dignatários africanos, as folhas de bananeiras que seguem a frente como insígnia... http://www.youtube.com/watch?v=9SzWx79Z9BQ

sábado, 28 de junho de 2014

As vezes a Europa (a parte que nos interessa) é pequena para ocupar tantos talentos nativos. Foi assim com JEAN BAPTISTE DEBRET (1768-1848), primo do bem-sucedido pintor napoleônico Jacques-Louis David (1748-1825), autor do Marat morto que dá tanto assunto para os historiadores (Carlo Ginzburg escreveu uma genealogia da tela); que aceitou o convite do governo brasileiro e veio para cá na função de pintor, para ensinar e retratar o cenário e os seus personagens. E ele fez isto com muita competência. A sua obra é imensa em todos os sentidos, mas, para mim fica a bandeira nacional, símbolo bem-sucedido da nação. A bandeira que ele criou não foi uma ruptura na tradição. Exceptuando as cores. Os elementos que surgiam nas bandeiras anteriores permaneceram. Ele rearrumou e harmonizou todos eles. Num dias destes (28/06) monsieur Debret morreu.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Você precisa de mais o que? Na minha geração a frustração por não conseguir algo era o motor para valorizar o que se tinha e o impulso para lutar por novas coisas. Percebo que a geração contemporânea não aguenta um não, tornam-se ressentidas; isto, quando não queimam os fracos pelas ruas ou atiram em pessoas nos cinemas, nas escolas. Ingerir água fresca e a comida bem temperada; sentir o perfume das coisas; ouvir o outro e a música; ver toda a beleza do mundo; parece pouco para esta gente. E quem como HELEN KELLER (1880-1968) que foi MUDA (aprendeu a falar mais tarde), SURDA e CEGA? Pense em quanto ela era privada de compartilhar a existência humana. Ela não desistiu, aproveitou todas as oportunidades, imagine o seu esforço; depois que a sua mestra Anne Sullivan lhe prontificou-se em ensinar-lhe. H. K. escreveu doze livros, lutou pelo sufrágio feminino e direitos dos trabalhadores. Professou o cristianismo de Swedenborg. Um dia ela passou pelo Brasil; mas, hoje é (27/06) é o seu aniversário.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Pá-pá-pá. Todos batiam à porta do escritório de FRANCISCO OTAVIANO (1825-1889) com certo medo. Ele era um quadro do Partido Liberal. Editor, manejava o jornal criando atmosfera, para implantar a política de sua família política. Foi deputado e senador. Era Abolicionista e um dos negociadores na Guerra do Paraguai. É nome de rua pelo Brasil todo. Nas horas vagas, que eram poucas ele colocava no papel a sua concepção de mundo como poesia: “Morrer...Dormir... Nada mais! Termina a vida / E com ela terminam nossas dores: / Um punhado de terra, algumas flores, / E às vezes uma lágrima fingida! / Sim! Minha morte não será sentida; / Não deixo amigos, nem tive amores, / Ou se os tive, mostraram-se traidores, / Algozes vis de uma alma consumida. / Tudo é podre no mundo. Que me importa / Que ele amanhã se esb'roe e que desabe, / Se a natureza para mim é morta! / É tempo já que meu exílio acabe... / Vem, pois, ó morte, ao nada me transporta! / Morrer...Dormir...Talvez sonhar...Quem sabe? Imagine se ele tivesse ouvido o tango Cambalache.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Não é sobre a Jennifer Lopez que escrevo, mas chega perto. Estes Lopes são outros, apesar de sua exposição midiática quase ininterrupta. Eles começam no canavieiro e político MORDECAI RODRIGUES LOPES (1729-1752), filho de cristãos-novos portugueses beirões e trasmontanos estabelecidos na Jamaica (Pereiras, da Paz, Lousadas, Lamegos, etc). A sua filha Esther casou-se com o baronete da mesma origem, ABRAHAM FRANCO. A partir daí a sua descendência entrou na upper-class inglesa: Abraham Franco gerou a Ralph, que gerou a Massey. Este por sua vez gerou ao 1º Barão Roborough, este ao Honorável George, que casou-se com Sarah Violet Astor, e tiveram em 1977, a HARRY MARCUS GEORGE LOPES. HARRY LOPES fez algumas coisas imprevisíveis para um nobre inglês. Posou para o anúncio de roupas underwear Calvin Klein, mas, voltou ao normal, casando-se com a filha da Duquesa de Cornwall (Camilla Rosemary Parker Bowles). A filha de ambos, ELIZA LOPES, no casamento do príncipe Harry com a srtª Middleton foi considerada "one of the most photogenic members of the royal bridal party".

terça-feira, 24 de junho de 2014

Fusca ou Mercedes-Benz? Dependendo do seu caixa, você, escolhe um ou outra. A viatura não é só um meio de transporte. Escolhê-la não é uma questão estética. Ela demarca a posição social do proprietário. Antigamente também foi assim. A fronteira entre o fidalgo e o peão era o cavalo, pois ele lhe trazia a liberdade de movimentos e do alcance de distâncias, algo vedado aos subalternos. Daí ser proibido quem não pertencesse ao circulo da nobreza ter um cavalo ou cavalgar. Só como exceção isto era permitido. Cavalgar é honra, mas, também é humilhação. No Sertão brasileiro o perdedor político, quando despertava muito ódio, além de ser expulso da cidade era obrigado a sair montado num boi. Os tombos e a posição das pernas escanchadas causavam risos pelo ridículo. Um dos últimos registros do costume foi em Vitória da Conquista na guerra entre os Meletes e os Péduros (trinta mortos em cinquenta anos). Os vencedores lembraram da provocação do derrotado: “Ratos não comem gatos” e pegaram o Dr. Antonio José de Araújo, juiz de Direito, seguidor dos perdedores e deram como a condição da paz que ele saísse da cidade montado num boi. Os perdedores concordaram, inclusive em deixar a cidade; mas, sair montado num boi, era humilhação demais. Choraram tanto que conseguiram a anistia. Laudicéia Gusmão (1862-1948), da parentela de ELOMAR FIGUEIRA MELO e GLAUBER ROCHA, em troca de um tratado de desarmamento entre as duas facções, perdoou em parte o juiz derrotado e escoltou-lhe armada de rifle até a divisa da cidade. IMAGEM 1 – Laudicéia Gusmão (sentada);

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Aonde vamos? Devem ter pensado os RIVLIN, descendentes do rabino MOSES (da Rivka, daí o Rivlin) b. NAFTALI HIRSCH SOFER (falecido em. 1671), quando encontravam uma dificuldade pela frente. Como as dificuldades faziam parte do cotidiano judaico da Europa Oriental deambularam bastante. O próprio Moses saiu de Viena para Amsterdam, onde conviveu com Jacob Castelo, Dr. Efraim Bueno e os rabinos Yitzhak Aboab e Saul Levi Morteira, assimilando o misticismo do grupo. Dentre os seus descendentes está o GAON DE VILNA (1720-1797) e HILLEL RIVLIN (1758-1859). Em 1808. H. R. subiu para o Eretz Israel, onde escreveu um tratado místico sobre os 999 passos para a chegada do Maschiach. No século XXI os descendentes do rabino Moisés da Rivka são uma multidão de cinquenta mil pessoas – destes 35 mil vivem em Israel. O restante está espalhado pelo mundo, inclusive no Brasil. Muitos deles são intelectuais. YOSSEF YOEL RIVLIN casou-se com uma Rivlin e traduziu o Alcorão e as 1001 Noites para o hebraico. O filho REUVEN RIVLIN foi eleito 10º Presidente de Israel dias atrás.
O menino não se interessava por nada e quando se interessava, fracassava na empreitada. O pai, um homem importante, não sabia o que fazer com o filho. H. Ridder Haggard (1856-1925) não concluiu o curso superior. Desesperado o pai lhe mandou para África como secretário de um figurão britânico, onde além de não receber salários, a parte mais emocionante do trabalho era descobrir se colocava um “with compliments” ou não nas cartas. Foi nestas condições que assumiu a condição de aspone. Tudo arrumado para não dar certo mais uma vez. Porém imprevistamente ele foi mandado para o interior, ao Reino Banto de Balobedu, África do Sul, onde somente as mulheres ascendiam ao trono e ele conheceu a rainha Masalanabo Modjadji II (+1884). O encontro incendiou a sua imaginação. Ele deixou tudo para escrever um livro e conseguiu levá-lo até o parágrafo final. É o romance “She: A history of adventure” (1886), que lhe deu leitores fascinados por ele, como o Dr. Sigmund Freud e o diplomata Eça de Queirós, dentre tantos outros. A carreira de english writer decolou. Hoje (22/06) é o seu aniversário. Agradecimentos de um leitor apaixonado por sua criação.

sábado, 21 de junho de 2014

Quem serão os nossos descendentes? Deve ter-se perguntado o calmo NATHAN, o SOFER (escriba de textos sacros) ao casar-se com Amélia, filha de Samuel de Mainz, em Amsterdã. A resposta devia ser óbvia: escribas e rabinos; mas, a vida deu uma reviravolta inesperada ao mudar-se de Continente. O filho de Nathan, Moses e a esposa, foi para Londres em busca de melhores condições de vida. Lá tiveram filhos, um deles, Nathan Nathan casou-se com Julia Solomon e tiveram ao Moses Nathan, primeiro rabino em Nova Orleans e NEWTON BENNATON, que foi engenheiro ferroviário e veio para o Brasil, aproveitando a expansão ferroviária pelo mundo. Ele indicou para os Sulistas americanos a Fazenda Funil (hoje Americana) como o local para se instalarem. Também projetou o Mercado Municipal paulistano. Trabalhou na execução do traçado e na construção das ferrovias Central, Ingleza, Mogiana e Rede Sul-Mineira. N. B. casou-se em Lorena com Guilhermina Rosa Freire e tiveram cinco filhos. Destes filhos: de Fileta, são filhos, o tenente NEWTON PRADO (1897-1922), um dos líderes da batalha suicida dos “18 do Forte de Copacabana” e o capitão JOÃO BATISTA PRADO, que morreu combatendo em 1932; de Guilhermina, outra filha, é bisneto, o capitão CLAUDIO COUTINHO (1939-1981), preparador físico da Seleção Brasileira em 1970. Dentro dum carneiro esconde-se também o leão.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Sabe aquele parente discreto, que não aparece nas fotos de família e tem descendentes femininas (que não transmitem o nome); mas, é genearca de uma grande parentela que se desconhece. Pois o nonno BARTOLOMEO TALIAFERRO (1560-1601) foi este personagem. Ele saiu de Veneza e viveu como músico em Londres, onde tocou até para a rainha. Os seus descendentes chegaram a América no período colonial e são do grupo conhecido como FFV – First Families of Virginia. Alguns deles: MUHAMMAD ALI, campeão mundial de boxe; GLENN CLOSE e JODIE FOSTER, atrizes, pertencem a parentela dos Taliaferros.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

A banca de penhores de ABRAHAM e SOL OURO em Barcelos tivera dias melhores, pois, chegara a trabalhar para os fidalgos Braganças. O herdeiro SHEMTOV, conhecido por Santo Fidalgo, teve azar, pois viveu a fase de transição, comercial e religiosa. Converteu-se, porém não adiantou muito, pois continuou pagando tributos especiais. Não conseguiu transmitir patrimônio aos heréus. Os seus descendentes começaram a espalhar-se pelo reino. No desterro está a lavoura do português. O bisneto de Shemtov b. Abraham ou Santo Fidalgo, DUARTE de SÁ tomou uma casquinha de noz para a Índia em 1653. Sabia mercar, ler e escrever, podia encontrar o seu pote de ouro por lá. Infelizmente o barco arrebentou-se num lugar de nome estranho: Tatuapara. Nadou ou deixou-se levar pela correnteza. Chegou a Torre de Garcia d´Ávila, onde contou bois e vacas para o Morgado e depois pulou para Recife onde assentou-se. O CHICO BUARQUE que aniversaria hoje (19/06) é da semente de Duarte de Sá. IMAGEM – C.B. de H., antes de aprender a criar palíndromos e capicuas.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Quando as apresentações diminuíram em Londres, o ator inglês Lane e a esposa Elza Trentner (1796-1886), pensaram: “a língua deles é parecida com a nossa, portanto, vamos para a América”. A filha do casal, Louise Lane, continuou interpretando e contracenou com um ator inflamado de nome Booth, aquele, que passou fogo no presidente Lincoln. Louise casou-se com o ator Drew e tiveram a filha Georgina, também atriz. Ela casou-se um sujeito nascido na Índia, que se ocultava sob o name-of-stage de MAURICE BARRYMORE (1849-1905). A família Blythe não suportava ver o filho metido em ambiente tão “dissoluto”, mesmo assim ele foi ator e deixou quase duas dezenas de descendentes nos palcos. ETHEL BARRYMORE, filha de Maurice e Georgina, foi a quarta geração de atores. Na juventude namorou a “Sir” Winston Churchill, o Duque de Manchester, mas, casou-se com um Colt (da fábrica de armas). Ganhou um Oscar por None But the Lonely Heart em 1944. Depois de três filhos, divorciou-se, mas, não casou-se outra vez. Era Católica praticante. Ela morreu num dia como hoje (18/06).

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Está escrito, hoje é o BLOOMSDAY (16/06). Ele rolou em Dublin, no romancebola “Ulysses”, aquele que pode ser descascado em camadas, sendo que cada camada é um nível de leitura. A cabeça que lê desata o nó que quer. Primeiro é a história do herói grego epônimo; é também a história de Leopold Bloom, de vida tão banal que é heroica. É um dia na vida do autor JAMES JOYCE (1882-1941), mas, que ele transfere para o amigo ITALO SVEVO (Aronne Ettore Schmitz, 1861-1928), também escritor. Pode ser também o contrário. Não me livro dele, pensou Svevo. É como se alguém quisesse romancear a anônima existência de P.V. e contasse a vida do profeta Daniel. “Stately, plump Buck Mulligan came from the stairhead, bearing a bowl of lather on which a mirror and a razor lay crossed. A yellow dressinggown, ungirdled, was sustained gently behind him on the mild morning air. He held the bowl aloft and intoned: —Introibo ad altare Dei (...)”. IMAGEM 1 - J.J. e a editora Sylvia Beach;

domingo, 15 de junho de 2014

O FRANCISCO MONIZ BARRETO (1804-1868) ficava em silêncio por segundos, erguia a cabeça e descarregava uma enfiada de versos de improviso. Criava versos no momento conforme o mote dado, líricos, reivindicações sociais e escabrosos versos de corar serial killer em atividade – ele foi o primeiro brasileiro processado por pornografia. O seu filho, Dr. Rosendo, enquanto amputava pernas e braços avariados na Guerra do Paraguai, tinha o caderninho para anotar os versos que vinham a cabeça durante as operações. Durante gerações os M. B. de Jacuípe foram artistas bem-sucedidos. EROS VOLUSIA (1914-2004) trineta de F. M. B. não escapou a sina artística. Fascinada pelo movimento humano dedicou-se a criar uma escola de dança genuinamente brasileira, pois, tinha sólida formação, foi aluna de M. Olenewa, e conhecia as danças brasileiras, do cacumbe ao samba, passando pelo maxixe. Carmen Miranda copiou-lhe alguns gestos. Dançou no Brasil e no exterior, foi atriz em Hollywood e a única latina na capa da revista Life. Lembrei de sua arte hoje.

sábado, 14 de junho de 2014

Bem de vida, bonito e sabia contar uma história como ninguém. Também era um fio descapado, todo o mês tinha a sua crônica de brigas: na mão, no porrete e no ferrinho (o revólver). JOÃO SALDANHA (1917-1990) era assim. Filho de um caudilho gaúcho (Gaspar Saldanha) e primo do compositor Tom Jobim. Viveu aventuras que até Deus duvida. Foi um dos primeiros brasileiros a chegar em Auschwitz, conhecia Mao Tsé-Tung – foi dirigente do PC, etc. Jogou futebol com o mítico Heleno de Freitas, dirigiu no campo o Botafogo e montou a maior seleção brasileira de todos os tempos, a seleção de 70, “as feras do Saldanha”. Depois que lhe puxaram o tapete foi para o rádio ser comentarista de futebol. O comentarista tem a missão de explicar como vai ser o jogo e depois dizer por que não foi como ele disse. Ele tem vinte minutos para prender o ouvinte e não deixá-lo que abandone a transmissão enquanto não há jogo. Os melhores, para mim, foram Mário Moraes (1925-1988), Lauro Quadros, Jorge (“Jorginho”) Nunes (1951-2014) e top, o Saldanha. Ele morreu na Copa em Roma.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

O encontro foi rápido. O mais conhecido antissemita português, o fazendeiro Mario Saa levou o ERNESTO de CAMPOS MELO e CASTRO (1896-1973), “judeu da Covilhã” ao escritório do FERNANDO PESSOA (1888-1935), de ascendência israelita paterna. Restou do encontro, o chiste de Saa: “vocês tem o mesmo nariz” (usando o esterótipo). F. P., não ficou nisto. Ele tomou algumas características do visitante e usou no heterônimo ÁLVARO de CAMPOS: ambos são Campos, “judeus beirões” e possuem o fenótipo de “judeu português”. Librianos: Álvaro é de 15 de outubro (de 1890) e Ernesto, de 9 de outubro (1896). Ernesto é engenheiro químico. Álvaro é engenheiro naval. Álvaro nasceu em Tavira, no Algarve, como o avô de Pessoa, porém é de origem beiroa como os outros. Um e outro escreveram poesia. Deve-se ao encontro os surpreendentes versos que recontam a “akedá” (atadura) de Isaque: “(...) tenho a impressão de ter em casa a faca / com que foi degolado o Precursor (...)” e outros poemas relacionados aos cristãos-novos portugueses. F. P. nasceu num dia como hoje (13/06).

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Como educar civicamente as massas e desviá-las do Ateísmo anticlerical? JULES RIMET (1873-1956), advogado francês, oriundo de família rural, católico e republicano, apostou no futebol. Primeiro fundou o clube Red Star para operários, tornou-se depois presidente da FIFA (o órgão máximo do futebol) e criou a Copa do Mundo para que os povos possam dialogar na linguagem universal que é o futebol. Só não ganhou o Prêmio Nobel da Paz porque morreu no ano que foi indicado ao galardão. Já que não pode ser entregue a ele, não foi concedido a ninguém naquele ano. O Brasil atendeu o chamado de monsieur Rimet no primeiro chamado, porém, só vestiu o amarelo heráldico de D. Maria Leopoldina (os Habsburgos) a partir do final dos anos cinquenta graças a um designer gaúcho. Foi campeão cinco vezes e produziu gente como Pelé – o brasileiro que destruiu o “complexo de vira-latas” difundido pela “quinta coluna local”, o único brasileiro universal. Esforço e sorte: alea jacta est, como firmou o Romano frente ao riacho interdito, antes de molhar as canelas. IMAGEM 1 – Monsieur Rimet na primeira viagem ao Brasil (ele veio duas vezes);

quarta-feira, 11 de junho de 2014

O professor Coelho Neto do ginásio Culto à Ciência em Campinas era magrinho, feio, porém, elegante e tinha a mania de admirar e imitar os gregos, não os de Onassis, mas, os da antiguidade. Num país, onde os intelectuais possuem ainda o desprezo ao suor (o “defeito mecânico” de um ancestral servia para inabilitar os descendentes para integrar a nobreza ibérica até o século XIX), ele admirava o esporte como forma de educação. Coelho Neto ficou em Campinas quase três anos no começo dos Novecentos e depois rumou para a sua Atenas, no caso, o Rio de Janeiro. Lá escreveu mais de cem livros, foi um dos fundadores e presidentes da Academia Brasileira de Letras e principalmente educou os filhos para o esporte. Emanuel, o MANO (1898-1922), o filho mais velho, morreu de um ferimento em campo, agonizou nove dias depois de uma entrada violenta do defensor. Já o João, PREGUINHO (1905-1979) praticou vários esportes com sucesso e no dia 14 de junho de 1930, no jogo Brasil 1 x Iugoslávia 2, aos 61 minutos marcou o 1º GOL DO BRASIL NUMA COPA DO MUNDO. Obrigado, PREGUINHO. Amanhã é a Croácia (os dissidentes da velha Iugoslávia)...

terça-feira, 10 de junho de 2014

Mr. Cook ainda não tinha organizado a sua travel agency, quando o soldado LUÍS VAZ (1524-1580), desistiu de bivaquear e deu baixa da tropa. A sua fé de ofício registrava que estivera acantonado – tome um mapa a mão – em Goa, no Mar Vermelho, em Ormuz, em Macau, no rio Mekong, em Málaca, no Marrocos e em Moçambique, etc. Ele voltou para a Santa Terrinha, com a missão cumprida, não por derrotar os “turcos”, mas, por completar o trabalho que não lhe fora encomendado: “Os Lusíadas” - onde capturou a alma de um Povo e transmutou em letras, palavras e versos. Nada mais a fazer. Foi só esperar a Peste, que veio em 10 de junho - um dia como o de hoje. E no exílio; exílio sim, pois ninguém saiu da sua terra por que desejou: as Delmiras, as Eretianas, com os lenços na cabeça; os Joaquins, os Antonios, com os seus chapéus de baeta, discutem as “Palavras Cínicas” do Albino Forjaz, ouvem Amália e sabem que o Eusébio é bom, mas, também discutem em voz baixa o dia de voltar a Terra. Dia que talvez nunca chegará. IMAGEM 1: Luís Vaz de Camões por José Malhoa;

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Quando um grupo pretende derrubar um governante o que faz? Chama o intelectual do partido e lhe incube criar uma atmosfera de descontentamento. Foi assim e será. O melhor destes trabalhos políticos no Brasil (e o mais engraçado, hoje) é a “Biografia do rev. Padre Correia - Vigário de Ipu”, do historiador Joaquim Catunda (1834-1907). O padre Correia (1814-1881) chegou a Senador, mas, atraiu a ira dos inimigos eleitorais, então Catunda, um deles, lhe escreveu a “biografia”, desde o nascimento até o momento daquela eleição: “(...) nasceu uma criança do sexo masculino. Era uma hora da madrugada. As trevas tornaram-se mais espêssas; uivavam os cães; as aves da noite esvoaçavam apavoradas soltando longos e dolorosos pios (…) foi um ano calamitoso em tôda a ribeira do Jaguaribe: as chuvas faltaram, secaram as águas, os calores ardentes do sertão mataram as sementeiras, a fome e a peste dizimaram a população (…) Seu choro era também objeto de espanto e curiosidade: principiava com o silvar da serpente e descia gradualmente até ao sarrido do urso marinho. Quando mamava, afagava a mãe e mordia-lhe o peito (…) O maldito Chiquinho quebrava a cabeça dos seus companheiros, entornava os tinteiros sobre a mesa, queimava com papagaios de algodão os pés do mestre Professor, quanto este ia dormir a sesta e uma vez tentou incendiar a escola (…)”. O historiador Catunda teve sucesso: elegeu-se Senador, e o Padre Correia morreu num dia destes em junho. IMAGEM: padre Francisco Correia de Carvalho e Silva.

domingo, 8 de junho de 2014

A vida do Homem desliza como se ele estivesse num palco, alguns prestam atenção no personagem, outros, nem tanto. Um dia ele morre, vem o luto como o barulho do vento entre os bambus, depois, tudo volta a calmaria como se nada tivesse acontecido. Isto também foi com FRANCISCO GLICÉRIO de Cerqueira Leite (1846-1916). Neto de escrava, nenhum dia de escola; fez o que pode. Tipógrafo, professor primário e rábula; porém a política lhe deu escada para ser visível, ajudou a derrubar o Imperador, discursou como vereador, deputado e senador. Ministro da Agricultura, da Justiça e até General (ele que foi paisano a vida toda). Entrou numa conspiração que quase matou o presidente Prudente de Morais. Mas um dia chegou o ponto final... Aí voltou para casa, desembarcou na estação ferroviária de Campinas, o cortejo foi para a Catedral (na hoje Avenida F. G.) e depois seguiu para o Cemitério da Saudade, onde chegou o silêncio para si.

sábado, 7 de junho de 2014

Evidente que se ele quisesse sucesso pessoal não devia tentar o cinema, pois morreria no final. Assim ele buscou uma guerra de verdade e bem sangrenta, a II Guerra Mundial, fez sucesso e durou 93 anos. O menino navajo CHESTER NEZ (1921-2014) nasceu numa reserva indígena e cada vez que falava o idioma indígena era castigado com gargarejos de sabão de cinzas. Mesmo assim ele aprendeu a língua. Para evitar que o código de comunicações fosse quebrado, o Exército americano escolheu o vocabulário navajo adaptado (dada a raridade dos falantes) para transmitir movimentações de tropas, baixas, relatórios, coordenadas de alvos, o cotidiano bélico. Os operadores disto foram 29 rapazes navajos, que acompanhavam os pelotões e traduziam o conteúdo para a língua falada unicamente por eles. Por exemplo: batalha =lo-tso (baleia), alfa=wol-la-chee (formiga), tenente-coronel=che-chil-ser-tah (folha de carvalho de prata), etc. Os japoneses tentaram, mas, não conseguiram quebrar o código. O cabo CHESTER NEZ foi o último sobrevivente destes operadores. Morreu no último 4 de junho.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Que árvore é esta? Ele não se dava por satisfeito enquanto não ouvisse uma resposta com segurança. Isto não é muito comum em nossa gente, apesar de termos um D. Diniz e dentro da parentela, nossa Mãe, que olhavam o mundo com esta preferência. Pois o alentejano ABADE CORREIA DA SERRA – José Francisco C. da S. (1750-1823) agia assim também, perguntava a todos sobre tudo e principalmente sobre botânica. É uma das maiores autoridades sobre assunto, mas, não só, escreveu sobre filosofia, diplomacia e política. Girou o mundo. Pertenceu a Royal Society. Visitou Thomas Jefferson, presidente americano, em Monticello, por várias vezes, onde tinha quarto reservado na mansão (“Abbe´s Correia da Serra room”). Feliz aniversário (06/06), Sr. Abade.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: TAVARES DA SILVA, treinador e jornalista, 1903-1958
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: ARTUR AGOSTINHO, crônista esportivo, 1920-2011
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: YAUCA, 1935-1992
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: MARIO WILSON, Sporting, 1929-
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: VIRGILIO, Porto, 1927-2009
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: VICENTE, Belenenses, 1935-
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: VASQUES, Sporting, 1926-2003
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: TRAVASSOS, Sporting, 1922-2002
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: SILVA, Sporting, 1941-
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: SERAFIM, Belenenses, 1920-
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: ANGELO SARMENTO, Porto, 1934-
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: ALBANO SARMENTO, Porto, 1935-2000
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: ROGÉRIO PIPI, Botafogo, 1922-
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: RITA, Benfica, 1932-2001
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: PINHO, 1929-
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: PEREIRA, Belenenses, 1931-
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: JOSÉ MARIA PEDROTO, Porto, 1928-1985
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: PATALINO, Elvas, 1922-1989
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: PALMEIRO, Benfica, 1932-
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: CÂNDIDO DE OLIVEIRA, TREINADOR, 1896-1958
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: FERNANDO MENDES, Sporting, 1937-
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: MATATEU, Belenenses, 1927-2000
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: SALVADOR MARTINS, Sporting, 1932-
FUTEBOL PORTUGUÊS NO BRASIL: JOÃO BATISTA MARTINS, Benfica, 1930