Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

terça-feira, 13 de maio de 2014

O baiano Luís era muito inteligente para se deixar derrotar pelo azar. Primeiro, aos dez anos, por dívidas de jogos o pai lhe vendeu como escravo, mas, como o mercado paulista pagava mais, ele foi mandado para Santos e vendido para o alferes Cardoso de Lorena. De Lorena, ele e outros escravos, foram a pé para Campinas (em torno de 250 km) buscando comprador. Lá foi recusado por ser “baiano” ou melhor malê (sua mãe, Luisa Mahim era muçulmana). Retornou a Lorena onde aprendeu a ler aos dezessete anos. Fugiu do dono, sentou praça na Força Pública (polícia) e tornou-se uma espécie de escrivão. Tentou cursar Direito no Largo S. Francisco e não conseguiu, mas, virou um rábula especializado em questões em que se envolviam escravos. Estima-se que tenha conseguido nos tribunais a liberdade de mais de quinhentos deles. Fundou vários jornais que criaram uma atmosfera hostil contra o Escravismo como forma de organizar o trabalho. LUIS GAMA (1830-1882) morreu em S. Paulo e mesmo numa sociedade escravista ele teve o enterro mais concorrido da urbe. Numa cidade de 40 mil habitantes. 3 mil foram ao cemitério. O cortejo durou quase um dia, pois o ataude era levado de mãos em mãos, se parava, para discursos, uma banda de música tocava dobrados, até chegar ao Cemitério da Consolação. Ele repousa logo na entrada, na rua 2, 17, próximo a Srª Marquesa de Santos. Foi com gente assim, que o sistema escravista se tornou custoso e inviável, reconhecido pelo Governo em 13 de maio de 1888.

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