Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

sábado, 10 de maio de 2014

Nos anos Setenta eu apreciava tanto artes plásticas quanto o Mulá Omar, líder talibã. Educado no ramo iconoclasta da família, tivemos dois primos historiadores de Arte; porém, nós em casa tínhamos dificuldades para conviver com imagens de qualquer origem. Até ali, a minha obra de arte predileta e única, fora um anúncio onde a imagem de um frango recém-saído do forno era o punctum, publicado numa revista e que achei solto no quintal. Comecei a repensar a posição quando fui aceito pelo Colégio Ciro de Barros Resende em Valinhos e tive que fazer um trabalho sobre o livro que falava do produto da cidade: o figo, escrito pelo diretor da escola, Mário Pires e cuja capa pertencia a FLÁVIO DE CARVALHO. Não gostei, claro. FLÁVIO DE CARVALHO (1899-1973), artista plástico, vivia em Valinhos, onde era dono da Fazenda Capuava. Vi o artista só duas vezes; a primeira, ele conversando com meu Pai, e outra, já deitado no ataúde. Como ele foi velado na câmara municipal, ao lado da igreja, os alunos do Ciro foram dispensados das aulas, para homenagear o ilustre morto. Paulão, Dadão, Zanella, Majikina, outros e eu, ficamos próximos ao velório, com uma bola de capotão, tentando chutar mais alto que a torre da igreja. Não fui o vencedor.

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