Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

sábado, 31 de maio de 2014

Agradeceu a oferta da conversão honrosa feita pelos clientes, os Reis Católicos, e recomeçou a vida já velho num lugar mais tolerante que a Espanha. Foi assim que o financista português ISAAC ABRAVANEL (1437-1508) enfrentou a expulsão dos judeus e partiu para “aonde levasse o vento (...)” como escreveu no exílio. Ele chegou a Nápoles e morreu em Veneza, os seus filhos em Salônica, e mais tarde, alguns descendentes acompanharam as tropas napoleônicas que foram em direção ao ermo russo. Ficaram por lá. Séculos depois, o estalageiro Ossip, passou o único patrimônio familiar, a árvore genealógica da linhagem que chegava até o primeiro Abravanel, para o filho Leopold. LEOPOLD (1862-1945) tornou-se pintor de sucesso, mas, perdeu o cartapácio genealógico numa mudança de casa. O filho, BORIS PASTERNAK (1890-1960) escreveu ficção e poesia, mas, acertou em cheio com “Doutor Jivago”. As conveniências da “Guerra Fria” lhe deram o Nobel de Literatura em 1958. O pintor Leopold morreu num 31 de maio e o filho Boris no dia anterior, em anos diferentes. B. L. Pasternak foi sepultado como cristão ortodoxo. IMAGEM – Boris, a esposa Yevgenia e o filho Yevgeny.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Prestem atenção no cão da fotografia. Ele resume a história de WENCESLAU DE MORAES (1854-1929), nascido em Lisboa. Por dever; era Oficial de marinha, aportou em Moçambique, Macau, Timor e finalmente no Japão; mas, deixou-se seduzir pelo Oriente. Foi conviva de Camilo Pessanha em Macau, onde deixou dois filhos eurasianos. Mudou-se depois para o Japão, onde viveu com duas mulheres locais, Ó-Yoné Fukumoto e Ko-Haru, tia e sobrinha, uma de cada vez, claro. Converteu-se ao Budismo. Escreveu uma dezena de livros e outro tanto de artigos sobre o seu país de eleição. Mesmo assim, causava espanto as pessoas e até ao cachorrinho que preferiu ignorar o fotógrafo, para olhar o fan quai (diabo estrangeiro)... Hoje são cento e sessenta anos de WENCESLAU-SAN (30/05). IMAGEM 1 – Wenceslau-San e a família de Ko-Haru.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A bailaora cigana PASTORA IMPERIO (1887-1979) nasceu com os nomes de Rojas Monje, mas, era tão boa na sua carreira que o escritor Benavente, não se conteve: “Esta Pastora vale um império”. Ela estava casada com um primo toureiro, quando encontrou o príncipe Fernando Sebastian de Borbón, neto de D. Sebastian Gabriel de Borbón (neto de D. João VI e o único brasileiro retratado por Goya). A atração foi mútua e no tempo regulamentar nasceu Maria del Rosário (1920-2010). Rosario casou-se com o primo toureiro Rafael Vega, o Ciganinho de Triana e tiveram a Francisco, o Curro. E Curro a atriz espanhola contemporânea PASTORA VEGA (1960), que aniversaria hoje (28/05). Feliz cumpleaños, señora Vega.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Sou flaneur por vocação familiar. Minha Mãe aos setenta anos caminhava a pé de 15 a 30 km sem demonstrar fadiga e com o maior interesse pela paisagem. Talvez seja herança daqueles parentes nossos que zanzaram pelo deserto algumas décadas, façanha que lhes deu oportunidade para aparecer em cenas de multidão num filme de Cecil B. DeMille. Minhas caminhadas pelas ruas são divertidas, olho os outdoors, ouço as conversas alheias e vou pegando os folhetos que me dão e que coleciono. Eis alguns: 1 - Na Praça da República em S. Paulo, em 1999, um jovem me oferece a defesa de um político acusado de ladrão: “CANALHAS (…) Os Frias, donos da Folha de S. Paulo, do Matusa ao Trêfego, não escaparão ao último pelourinho (…) PITTA moraliza”. 2 - Na Praça Tiradentes no Rio de Janeiro, o amigo Beijoqueiro passa o seu manifesto, em 2006: “(…) Meus queridos fazendeiros do Brasil, por favor, me mandem um boi vivo para mim, para que eu possa fazer um churrasco em todas as favelas do Rio de Janeiro (...) Prefeita Aparecida Parrincê por favor renuncie para bem do meu querido povo de São Gonçalo, já vai tarde, va lavar roupa que talves (sic) o faça com mais prazer, os moradores de são (sic) Gonçalo já estão de saco cheio da senhora, tome aquele chá de se mancol (...)” 3 - Na rua Francisco Glicério, Campinas, um desconhecido em 2010: “O NOVO PRECURSOR DE DEUS (…) ATENÇÃO POPULAÇÃO DO BRASIL E DO MUNDO. Eu (...), brasileiro, aposentado, divorciado e domiciliado em Campinas – São Paulo, venho por meio desta DECLARAÇÃO ABDICAR DO MEU POSTO DE Precursor e Profeta de Deus (…) Marcos Gomes da Silva O Verdadeiro profeta Elias”. É minha antena para saber como o Mundo gira...

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Vá lá, podemos viver 120 anos. Porém desta existência, ficará para os outros, o que fizemos de bom ou mal. Para a Terra, o concreto. E para nós? A recordação de uma cena vivida que dura até o último momento do Sopro e a volta ao Jardim. Para o soldado foi aquela combinação da chuva e a intuição do desterro que surgiu inesperadamente. Epifania que é possível em qualquer lugar e em qualquer tempo. Basta estar atento a ela. Aproveite o Dia, escreveu Quintus Horatius Flaccus. http://www.youtube.com/watch?v=oWW08eHONk4

domingo, 25 de maio de 2014

Por onde andam os descendentes da Marquesa de Santos e D. Pedro I? Vamos começar pela filha, D. ISABELA MARIA DE ALCÂNTARA BRASILEIRA, que viveu na Baviera, onde se casou com o conde Fischler v. Treuberg, neto de um príncipe alemão (aqui entre nós, qualquer príncipe alemão possui menos terra que um Junqueira ou um Dantas nos bons tempos). Vida pacata. Preocupações? Morreu Tante fulana. Casar-se com quem? O tempo passou. O filho Ferdinand casou-se, teve o filho Ernst. Ernst casou-se e teve a Bianka, esta, casou-se com o príncipe Leopold zu Loewenstein-Wertheim-Freudenberg (neto materno do banqueiro Henry de Worms, descendente dos Rothchilds e de RASHI). Tiveram ao príncipe Rupert. RUPERT LOUIS FERDINAND FREDERICK CONSTANTINE LOFREDO LEOPOLD HERBERT MAXIMILIAN HUBERT JOHN HENRY zu LOEWENSTEIN-WERTHEIM-FREUDENBERG (1933-2014), fez tudo comme il fault. Estudou em Oxford, comprou um banquinho mal dirigido e fez bastante dinheiro com ele. Certo dia encontrou numa festa alguns moleques extravagantes, que faziam sucesso, mas, não conseguiam ganhar dinheiro, aceitou o convite de administrá-los e assim por quarenta anos ele dirigiu as finanças dos Rolling Stones. Rupie the Groupie, morreu na terça-feira passada (20/05).

sábado, 24 de maio de 2014

“Você já foi a Camargá?”. É a senha de reconhecimento entre ciganos europeus. O sim, já permite uma conversa sem subterfúgios, entre iguais, onde se pode falar o romani ou a geringonça como diziam as autoridades luso-brasileiras, sem medo. Camargá é Sainte Maries de la Mer na França e onde há um templo católico com uma imagem negra que os católicos chamam de santa Sara e os ciganos vêm-na como a deusa Kali ancestral. Sem combinarem uns com os outros, os ciganos vão para ali no mês de maio, desde celebridades como Camarón de la Isla, os ricos Bresciak de Campinas e a multidão de pobres ou miseráveis que pode chegar até lá, onde todos se igualam no encontro com o passado mítico e os semelhantes. No momento os cavalos já colocam as patas no Mediterrâneo. A festa é hoje (24/05).

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Tipu Sultan (1750-1799), o “tigre de Misore”, foi um déspota esclarecido que governou o principado indiano do mesmo nome e entrou na listinha dos três maiores inimigos da Grã-Bretanha feita pelo Museu Militar Britânico. Na lista, Napoleão é o primeiro, Atatürk é o segundo e ele o terceiro. Os seus descendentes que não pertenciam a ordem sucessória real tornaram-se místicos sufis, músicos inspirados e poetas. O trineto, Inayat Khan (1882-1927) combinou as três atividades em si. Na peregrinação que fez ao Ocidente para propagar o sufismo, encontrou Ora, prima de Mary Baker Eddy, fundadora da seita Ciência Cristã e casou-se com ela. Tiveram quatro filhos. NOOR-UN-NISA INAYAT KHAN (1914-1944), uma das filhas, nasceu em Moscou, mas, depois a família se estabeleceu em Londres e finalmente em Paris. Onde ela estudou psicologia infantil na Sorbonne e composição musical com Nadia Boulanger. Na II Guerra entrou para a espionagem britânica (SOE) como operadora de rádio na França Ocupada, quando coletou e transmitiu informações para os mentores ingleses. Denunciada, foi presa, torturada pela Gestapo e assassinada no campo de Dachau. 2014 é o centenário do seu nascimento.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Há dezenas de nomes que identificam elites locais. Talvez o mais conhecido seja o acrônimo que resume a elite americana, WASP: branco, anglo-saxão e protestante (white, anglo-saxon and protestant). Menos conhecido é o HSP, que designa um pequeno grupo da elite econômica francesa: Alta sociedade protestante (Haute Societé Protestante). São poucas famílias, minoria num país católico, reunidas pela endogamia, que partilham valores comuns e solidários entre si. São alguns deles: Schlumberger, Guerlain, Hermès (o das bolsas), Peugeot (os automóveis), Pathe (o cinema), de Dietrich, Nègre, Mallet, Courvoisier, Odier-Bungener, Neuflize e Hottinger. Vários HSPs passaram pelo Brasil: JEAN-PIERRE MALLET, 6º Barão de Chalmassy (1915-2003) é um deles. Ele foi gestor e maior acionista do banco fundado por seu sexto avô Isaac Mallet (1684-1779) em 1773. O nome atual do banco: NEUFLIZE-OBC (Neuflize Schlumberger Mallet), expõe as relações genealógicas entre eles.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Nos anos Oitenta, cada vez que eu encontrava o engenheiro e médico MASOUD JALILI (1943-2010) perguntava as novidades na sua terra: ele era de Kashan, Irã; para ele, Pérsia. Ele respondia lentamente, inseguro quanto a tônica das sílabas: “Boulos, nesta semana foram infurcados “x” proeminentes bahais”. Durante o tempo que convivi com ele a resposta foi invariável. Só mudava o número de vítimas. O Dr. Masoud foi uma das minhas fontes para conhecer a pacífica fé Bahá'i fundada por BAHA´U´LLUH, antes dele migrar para Aracaju e São Cristóvão onde exerceu a medicina e esteve envolvido em trabalho voluntário até a sua morte. Hoje (29/05) é dia de BAHA´U´LLUH, nome que ficou conhecido o reformador religioso Mirza Hussein Ali (1817-1892), persa do Mazandarão, criador de uma religião de síntese, onde sobre uma base xiita, adicionou elementos judaicos e cristãos, buscando uma religião única para a humanidade. IMAGEM 1 – Baha´u´lluh (os Bahais só podem ver esta fotografia quando em peregrinação nos lugares santos da religião, como em Akká, Israel)
No começo do séc. XIX os atores Wojciech e Aniela (Kaminska) Aszperger se encontraram na Varsóvia natal, casaram e saíram mambembando Shakespeare pela Europa oriental. No fundão destas terras, nasceu a filha do casal, Leontyna Aniela, que por lá se casou com um aristocrata lituano, Adam Gielgud. A inquietude local fez o casal migrar para a Inglaterra, onde se estabeleceram com o filho Franciszek (Frank) Gielgud. Talvez até pelas conexões familiares, Frank casou-se também numa dinastia teatral britânica, os Terrys, e aí nasceu, o filho John. JOHN GIELGUD (1904-2000) também foi ator como muitos de sua parentela. Ele era tão bom que a sua reputação sobreviveu ao ser dirigido por Tito Brass. Nada apagou as suas atuações e a lembrança do homem bonito e elegante, o porte majestoso, a voz e dicção sedutora, que deu vida a tantos personagens. John deixou a ribalta num dia como hoje (21/05).

segunda-feira, 19 de maio de 2014

A vida para ele sempre foi uma luta. O pai foi uma daquelas “strange fruit” (ouça Billie Holiday e preste atenção no poema de Abel Meeropol), linchado por racistas. A mãe que ficou com sete filhos enlouqueceu. Criança e sozinho no mundo, só lhe restou usar a ira pessoal e coletiva, para não ser destruído. Entre a “foto do ano” tirada na school até a da maturidade foi um longo caminho, sofreu várias mudanças, indo do batista Little até chegar ao “X” (nome desconhecido) muçulmano no final. A mudança maior deu-se na peregrinação a Meca, quando encontrou-se com gente de todas as origens e percebeu que o mundo era maior que os rednecks e blacks imaginam. Happy birthday (19/05), hajji Malcolm X.

domingo, 18 de maio de 2014

Perdoem-me as outras, mas, uma das cinco cidades mais bonitas do mundo foi Samarcanda, principalmente o seu Ragistão, a praça central. Por ali caminhou Omar, filho de Ibrahim, o Tendeiro (Khayyami), criador do “x” (shay, algo, em árabe) nas equações; como também caminhara Mohammed, filho de Musa, o Khwarizmi (pois era nascido em Khwariz, 780-850), conhecido por ter dado o seu nome ao “algarismo”. Ambos matemáticos e no caso de Omar (1048-1131), também poeta. É de Omar Khayyam: “Eu estava numa olaria e mil ânforas murmuravam. / Então uma delas disse: “Silêncio, deixem/ que esse homem se lembre dos oleiros / e dos compradores de ânforas que já fomos” (trad. Alfredo Braga). Tragam vinho, pois, ainda é o seu dia (18/05), said Khayyan.

sábado, 17 de maio de 2014

“Cata o piazito”. Ele não teve como fugir, pois os populares caíram encima dele aos bofetões, o engraxate guarani de onze anos, que roubara um doce. O castigo judicial: aprender música e tocar na banda da polícia de Assunção. JOSÉ ASUNCION FLORES (1908-1972), gostou tanto da pena, que envolveu-se com música e logo dedicou-se a composição. Criou um gênero musical, a Guarânia paraguaia, e também uma canção que se tornou universal: “Índia, seus cabelos nos ombros caídos”. A versão brasileira de Cascatinha e Inhana é boa, mas, bem diferente da original em guarani. Ele era um homem inquieto. Foi soldado de artilharia na Guerra do Chaco. Membro do Comitê Central do Partido Comunista. Mas, nunca esquecia de se apresentar: “Flores, compositor de Índia...” Ele morreu num dia destes, ainda no exílio (17/05).

sexta-feira, 16 de maio de 2014

“- Não chegue perto de mim”. - “Não compreendo o que o Sr. está falando”. A torre de Babel instalou-se naquela partida entre Ingleses e Argentinos, na Copa de 1966. Herr Kreitlein, alemão, árbitro caseiro (o que na dúvida apita para o dono da casa), não entendia o que o volante argentino ANTONIO UBALDO RATTIN (1937) queria lhe falar em español. Como os argentinos sempre tiveram (má) fama de catimbeiros, malandros, ele não teve dúvidas, botou o reclamão para fora. Com toda a má vontade possível ele saiu, não sem antes desrespeitar a Union Jack e aos gritos de “animal” dos 90.584 espectadores. Mas, sempre na pataca do velhaco o diabo tem três quartos. Se Rattín foi expulso injustamente pela má fama e o tamanho gigantesco, a Alemanha posteriormente foi derrotada pela Inglaterra numa arbitragem bem suspeita. O resultado do conflito foi a institucionalização dos cartões vermelho e amarelo pela FIFA. E Rattin virou deputado.... Hoje é o seu aniversário (16/05), Feliz cumpleaños, señor Rattin.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Na noite dos homens uma ideia se cristalizou num. Ele contou para outro homem, este, para outro e assim a ideia caminhou no tempo e no espaço, sempre dentro dos homens. William Godwin, Proudhon, Reclus, Quental, até chegar a Edgar Rodrigues. Pode não ter sido assim, pois, excluindo as silsilás (cadeias iniciáticas sufis), é difícil rastreá-las e estabelecer precisamente a genealogia das ideias. EDGAR RODRIGUES (1921-2009), o cidadão da fotografia, aliás o nome dele é outro, veja no documento de entrada no Brasil, foi um destes homens de ideias. Esteve preso em Portugal e no Brasil. Foi um militante anarco-sindicalista. Preservou bibliotecas de anarquistas e escreveu mais de sessenta livros e eles foram publicados em Portugal, Brasil, Venezuela, Itália e Portugal. Colaborou no periódico anarquista e esperantista (defensor do idioma Esperanto) FENIKSO NIGRA publicado em Campinas. Ele morreu num dia como hoje (15/05).

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Vocês ainda estão esperando? Não se cansaram? Eles eram motivo de risos nos arredores de Sevilha. No momento favorável os lentos ou “cansados” (cansino) de esperar o Maschiach fugiram para o norte da África e ali se tornaram rabinos e tradutores. Outros ficaram: Joaquín Cansino Espinal foi dos que ficaram em Paradas, criando gado. O seu filho, Antonio Cansino Avecilla, deixou a fazenda e tornou-se guitarrista e bailarino; o filho dele, Eduardo Cansino Reina, seguiu o caminho paterno e dançou na América, lá teve uma filha, Margarita Carmén Cansino. Era Margarita Carmén, mas, apresentava-se como RITA HAYWORTH (1918-1987). Era americana, mas, também espanhola e aqui se complicava outro tanto, pois, para ser uma verdadeira bailaora de flamengo, tinha que portar-se como cigana. O seu cotidiano era mais complicado do que os scripts que interpretava. Ela chegou a ser princesa de uma seita xiita ao casar-se com o príncipe Ali Aga Khan. Eram tantas máscaras que ela não pode se entender no labirinto em que entrou. Saiu dele num dia como hoje (14/05).

terça-feira, 13 de maio de 2014

O baiano Luís era muito inteligente para se deixar derrotar pelo azar. Primeiro, aos dez anos, por dívidas de jogos o pai lhe vendeu como escravo, mas, como o mercado paulista pagava mais, ele foi mandado para Santos e vendido para o alferes Cardoso de Lorena. De Lorena, ele e outros escravos, foram a pé para Campinas (em torno de 250 km) buscando comprador. Lá foi recusado por ser “baiano” ou melhor malê (sua mãe, Luisa Mahim era muçulmana). Retornou a Lorena onde aprendeu a ler aos dezessete anos. Fugiu do dono, sentou praça na Força Pública (polícia) e tornou-se uma espécie de escrivão. Tentou cursar Direito no Largo S. Francisco e não conseguiu, mas, virou um rábula especializado em questões em que se envolviam escravos. Estima-se que tenha conseguido nos tribunais a liberdade de mais de quinhentos deles. Fundou vários jornais que criaram uma atmosfera hostil contra o Escravismo como forma de organizar o trabalho. LUIS GAMA (1830-1882) morreu em S. Paulo e mesmo numa sociedade escravista ele teve o enterro mais concorrido da urbe. Numa cidade de 40 mil habitantes. 3 mil foram ao cemitério. O cortejo durou quase um dia, pois o ataude era levado de mãos em mãos, se parava, para discursos, uma banda de música tocava dobrados, até chegar ao Cemitério da Consolação. Ele repousa logo na entrada, na rua 2, 17, próximo a Srª Marquesa de Santos. Foi com gente assim, que o sistema escravista se tornou custoso e inviável, reconhecido pelo Governo em 13 de maio de 1888.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Riachão do Dantas é uma cidade de Sergipe. Ela surgiu em torno de um engenho da família Martins Fontes nos anos trinta do século XIX. Isaías Pereira do Nascimento (1884-1980) chegou a ela, vindo de Bom Conselho (hoje Cícero Dantas), para se casar com a filha de “seu” Jucundino Martins Fontes, em 1911. Ali começou a exercer o seu ofício de seleiro, que substituiu até o seu nome de família, tornou-se ISAÍAS SELEIRO, fabricando sapatos rolós, jalecos, selas (arreios) e “calçados para foot-ball” para a região. Quando a sua esposa morreu, ele casou-se pela segunda vez, depois pela terceira e pela quarta vez, gerando 43 filhos (todos trabalhadores e gente de vida decente). Era profundamente católico e praticava a caridade, como expressão de sua fé. O seu filho (o 41º), o padre Isaías Nascimento Filho, que é pároco no povoado S. Miguel em Propriá, escreveu o livro: “Seu Isaías Seleiro do Riachão. Suas quatro esposas e seus quarenta e três filhos” (Aracaju, J. Andrade, 2014), 136 páginas. Para quem gosta de uma boa biografia ou quem estuda comunidades rurais, genealogia sergipana, é uma recomendação.
Tio Patinhas não é eterno. Algum dia terá que repassar a sua fortuna aos sobrinhos, mas, para que eles não a desperdicem, é melhor educá-los não só no manejo dos juros compostos, mas, como descobrir também onde puder empregá-los. Em linguagem mais requintada os fazedores de dinheiro também educam os seus Zezinhos, Huguinhos e Luisinhos, com estes objetivos. Sem tios na América, de onde possam herdar o ouro, eles são enviados a ela na juventude para aprendizagem mercantil. RICARDO ESPÍRITO SANTO SILVA SALGADO (Banco Espírito Santo, “fundado” em 1869), EMÍLIO CARLOS MARÍA BOTIN-SANZ DE SANTUOLA y GARCÍA DE LOS RIOS (Banco Santander, “fundado” em 1857) e ELÍSIO ALEXANDRE SOARES DOS SANTOS (Grupo Jerônimo Martins, “fundado” em 1792) são alguns deles que vieram ao Brasil. O fundado em aspas, é por que estas empresas se transformaram ao longo do tempo. Deu certo: Hoje eles estão na revista Forbes. Basta procurá-los em suas páginas.

domingo, 11 de maio de 2014

É um mitotema recorrente que certas organizações com projeto de poder, escolhem um menino pobre ou órfão para criá-lo e inculcá-lo desde o início no objetivo. Especula-se que o general francês Maxime Weygand (1867-1965), órfão de origem desconhecida, seria o “garçon” da Companhia de Jesus (Jesuítas), educado com este propósito. Ponha-se no lugar de um deles. Você é criança, que ainda percebe o mundo a partir do som de um chocalho e alguém sussurra a outro adulto que tu salvará a Humanidade. Se você compreendeu a observação, como agir: Aceitar tudo e construir uma corte em volta de si? Pense no conforto que isto vai lhe trazer – mas, tem preço. Ou recusar tudo e procurar um emprego celetista? JIDDU KRISHNAMURTI (1895-1986) foi um destes meninos. Nascido numa família de brâmanes (casta de intelectuais); o seu pai era funcionário da Sociedade Teosófica em Madras e ele foi escolhido por dois chefes da seita, C. W. Leadbeater e Annie Besant, como este “messias”. Quando estava pronto o reinado, ele recusou tudo, dissolveu a sociedade (devolveu o dinheiro aos doadores) e causou um reboliço danado, mas manteve-se firme. Viveu como professor. Happy Birthday (11/05), Mr. Krishnamurti. IMAGEM – Nityananda e o irmão Krishnamurti.

sábado, 10 de maio de 2014

Nos anos Setenta eu apreciava tanto artes plásticas quanto o Mulá Omar, líder talibã. Educado no ramo iconoclasta da família, tivemos dois primos historiadores de Arte; porém, nós em casa tínhamos dificuldades para conviver com imagens de qualquer origem. Até ali, a minha obra de arte predileta e única, fora um anúncio onde a imagem de um frango recém-saído do forno era o punctum, publicado numa revista e que achei solto no quintal. Comecei a repensar a posição quando fui aceito pelo Colégio Ciro de Barros Resende em Valinhos e tive que fazer um trabalho sobre o livro que falava do produto da cidade: o figo, escrito pelo diretor da escola, Mário Pires e cuja capa pertencia a FLÁVIO DE CARVALHO. Não gostei, claro. FLÁVIO DE CARVALHO (1899-1973), artista plástico, vivia em Valinhos, onde era dono da Fazenda Capuava. Vi o artista só duas vezes; a primeira, ele conversando com meu Pai, e outra, já deitado no ataúde. Como ele foi velado na câmara municipal, ao lado da igreja, os alunos do Ciro foram dispensados das aulas, para homenagear o ilustre morto. Paulão, Dadão, Zanella, Majikina, outros e eu, ficamos próximos ao velório, com uma bola de capotão, tentando chutar mais alto que a torre da igreja. Não fui o vencedor.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Tomei algumas resoluções na adolescência, para quando me fizesse adulto: deambularia pela “Rota da seda”, subiria o Everest e depois assentaria praça na Legião Estrangeira. Infelizmente cumpri o destino de Moisés – não entrei em nenhuma Terra Prometida. Não fui romeiro na estrada chinesa, não usei o quepe branco dos mercenários napoleônicos e o máximo que subi, foi num morro em Anchieta. Para mim, estar no cimo de qualquer montanha é uma experiência metafísica, nada em relação a altura, mas, para buscar compreender o contido no vazio ao redor. Você me entende, não é Sr. Spinoza? Durante anos li sobre o alpinista Hillary que foi o primeiro homem conhecido a subir no Everest, junto ao auxiliar, o indígena TENZING NORGAY (1914-1986). A façanha dos dois marcou-me tanto, que pensei em reproduzi-la, não pelas glórias esportivas, mas, para usá-la como instrumento de conhecimento ou pelo menos para respirar melhor. Num dia destes (09/05), Tenzing morreu, lá na sua aldeia.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O SEBASTIÃO JOSÉ (1699-1782) parece perguntar a “fotógrafa” Joana do Salitre: Estou bem? A peruca nobilitante, o peitilho engomado, a Cruz de Cristo a mostra, a biblioteca jurídica próxima a si, indicam que sim. A combinação da pena na mão e o papel é a demonstração do exercício do poder. Era o MARQUÊS DE POMBAL. Este é o retrato do político no esplendor, quando ele pode mexer nas estruturas do Estado português, incorporando mestiços que viviam no além-mar, trocando Salvador pelo Rio como capital, dirigindo a reconstrução de Lisboa após o terremoto, mas, isto virou passado com a coroação de D. Maria I. Ele foi a castigo, desterrado em suas propriedades, respondendo inquéritos, desfeiteado. Morreu neste dia (08/05), depois de arrastar os tamancos por meses como um velho comum. IMAGEM – Pombal by Joana do Salitre

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O Imperador japonês Meiji (1852-1912) percebeu que ao seu filho Taisho e futuro imperador faltavam três qualidades necessárias para governar: inteligência, capacidade de se relacionar e a elegância. Para supri-las procurou uma nora que tivesse todos estes dons. E assim encontrou a futura imperatriz Teimei. Do casal Taisho e Teimei, nasceram quatro filhos: Hirohito (futuro imperador), Takahito, Nobuhito e Yasuhito. O príncipe caçula TAKAHITO (ou Mikasa-no-Mya Takahito Shinno) nasceu no 2 de dezembro de 1915. Como todos os membros da família ele teve uma educação esmerada e ao entrar na atividade dinástica, foi Oficial do Exército japonês e visitou japoneses na diáspora. Em 1958 ele visitou em Campinas a Fazenda Monte D´Este ou Colonia Tozan (de to/leste e zan/monte, homenagem ao dono do empreendimento, barão Iwasaki, grupo Mitsubishi, que assinava os seus escritos como “Tozan”). Além destas atividades protocolares, o príncipe TAKAHITO é um historiador e Orientalista de méritos. Fala e escreve hebraico, frequenta com regularidade as associações judaicas do Japão e tem um álbum com os autógrafos das autoridades israelenses ou rabinos que visitaram o Japão. É um pouco atrasado, mas otanjoubi omedetou gozaimasu (votos de feliz aniversário)..
Olhando da cidade de Santos para cima, percebe-se a dificuldade para chegar-se a S. Paulo, a serra e a floresta como muralha. Imagine isto no século XVI, quando um ilhéu das Canárias de nome José [de Anchieta], S.J., corcunda, tem a missão de subi-la e lá encima no planalto montar uma escola. É mais um jesuíta que chegou ao Brasil para cumprir uma missão. Depois disto, eles foram expulsos, voltaram e um deles, SERAFIM LEITE (1890-1969), S.J., escreveu a história de sua “casa”, que se confunde com a História do Brasil, algo que já estava sendo esquecida. SERAFIM LEITE teve uma vida movimentada. Aos 15 anos veio de Portugal com o pai, durante a febre da borracha, para a Amazônia, onde foi seringueiro e guarda-livros. Aprendeu línguas indígenas no contato com o Povo. Voltou a Europa e entrou na Companhia de Jesus, estudou Letras em Múrcia, Filosofia em Granada e Teologia em Enghein. Entre 1938 a 1950 escreveu a monumental História da Companhia de Jesus no Brasil. Foi redator da revista Brotéria, compôs poemas, desenhou o brasão de sua terra (S. João da Madeira), etc, etc.. Morreu em Roma neste dia (27/12).
Em 1931 o Rio de Janeiro ficou pasmo com a chegada da Esquadrilha Balbo: 14 aviões pilotados pela elite militar fascista italiana, buscando impressionar o governo brasileiro, para tê-lo como aliado. Um dos tripulantes da esquadrilha é o cabo TITO MASCIOLI (1906-1996). Veio a Guerra, o general Ítalo Balbo morreu em combate, a Itália foi derrotada e quem pode (e tinha recursos), escapuliu para o Brasil. Já em S. Paulo o ex-cabo e agora “major” (a guerra tem estes milagres) associou-se ao agrimensor Artur Brandi que vendia terrenos no distante bairro do Jabaquara (antigo quilombo). Como o bairro era longe do Centro ele criou uma pequena empresa de ônibus para transportar os interessados. Ela prosperou, mas, foi estatizada logo adiante pelo prefeito paulistano Abrahão Ribeiro. Percebendo a botija de ouro que era esta atividade, ele criou em 1948 uma empresa intermunicipal e depois interestadual de transportes de passageiros. Era o surgimento da icônica VIAÇÃO COMETA, que chegou a ter 5 mil ônibus em operação. Os ônibus não quebravam ou se envolviam em acidentes. Daí a sua pontualidade. Os motoristas passavam por testes rigorosos e impressionavam os passageiros pela elegância. O ponto fraco da empresa era a baixa remuneração dos motoristas, se comparada à de outras empresas, mas, que era complementada por alguns com o “cabrito” (Não tirar a passagem e ficar com o dinheiro do passageiro para si). Em 2002 a COMETA foi vendida para um empresário carioca, que trocou as cores dos ônibus e por várias outras razões tornou-se apenas uma empresa vulgar, que agora carrega gente de um lado para outro.
O capitão inglês C. H. M. Knight (1900-1968), modelo do personagem “M” (de Ian Fleming, 007) farejou algo estranho: o jovem e alcoólatra CONDE HOWARD DE EFFINGHAM estava gastando dinheiro as mãos cheias, apesar de a família ter cortado a sua mesada. Investigou e descobriu, o Sr. Conde tinha casado com uma estrangeira em troca de polpuda soma, mas não vivia maritalmente com a “esposa”. Logo identificou a moça, MARIA MALWINA GERTLER, vinda da Hungria e o seu companheiro franco-polonês Edward Weisblat, traficante que vendia armas para os dois lados no conflito espanhol. Descobriu que ela plantara um cozinheiro na mansão Churchill e através dele, tivera o acesso e seduzira homens como o filho do dono da casa (Randolph Churchill), o príncipe Habib Lotfallah, que projetava criar um reino pan-semita (muçulmanos, judeus e cristãos) com capital em Beirute ou Jerusalém, potencial cliente de W. no comércio de armamentos. O capitão Knight prendeu MARIA MALWINA GERTLER em 1941 e colocou-a na prisão de Holloway, com o intuito de “desprogramá-la”. Mostrou o pequeno cemitério das espiãs ali fuziladas para convencê-la da oferta. Ela aceitou a nova empreitada em troca de exílio anônimo em alguma possessão britânica. Assim ela veio para o Rio de Janeiro e Petrópolis, onde durante algum tempo recolheu as informações pedidas entre a upper class visitada (o título de nobreza facilitava isto)....e depois desapareceu.
O pardal (piaf) veio do Levante. O marroquino Saïd ben Mohammed buscou abandonar a pobreza migrando de Mogador para a França, indo trabalhar como contorcionista num circo. Lá conheceu a italiana Margaritta Bracco, porém ele morreu muito jovem e deixou uma filha, Aïcha, que também continuou trabalhando no circo. Aïcha casou-se com o francês Eugene Maillard e tiveram em Livorno a filha Anetta. Anetta tornou-se cantora sob o nome de Line Marsa. Anetta ou melhor Line Marsa casou-se com outro circense, Louis Gassion e tiveram uma menina a quem deram o nome de Edith, que esteve cega na infância e foi criada pelas prostitutas de um bordel que pertencia a um familiar. Como se percebe esta genealogia parece uma versão do poema “Túnica inconsútil” de Jorge de Lima (vale a pena ler)... Edith Giovanna Gassion (1915-1963), ou melhor EDITH PIAF, não precisou cantar no circo, mas, fez para plateias maiores (e melhor remunerada), mesmo assim ela não conseguiu superar as humilhações ancestrais e pessoais e morreu aos 47 anos. Ela nasceu em 19 de dezembro de 1915.
Trabalho infantil? Não, foi imensa honra, privilégio e uma oportunidade de carreira, quando o Luís Alves, de cinco anos, foi aceito como cadete de uma unidade militar. A partir deste momento não teve mais um minuto de sossego, reprimindo com sucesso revoltas internas e combatendo o inimigo externo. Aos 65 anos colocou os paraguaios para correr em Itororó. Esteve na Cisplatina, Rio Grande do Sul, Maranhão, Minas Gerais, Paraguai - aqui em Campinas, em Venda Grande, desceu o sabre nos Liberais locais, dando oportunidade a vários, de se transformarem em nomes de ruas durante a República (Eles foram fuzilados durante o conflito). Ao lado da atividade castrense foi senador e ministro de Estado, mas, recebeu outros encargos e honrarias, como DUQUE DE CAXIAS (1803-1880). Todas as medalhas pregadas na sua gandola são de verdade. Imagino, ele chegando em casa, depois de tanto tempo fora e Dona Mônica (a sua esposa), reclamando: “É, resolveu voltar?” Caxias morreu numa cidade chamada Desengano num dia como hoje (07/05).

terça-feira, 6 de maio de 2014

O ALI YEZID IZZ-EDDIN IBN SALIM HANK MALBA TAHAN (1885-1921) é meu amigo, me acompanha a bastante tempo, apesar de nunca tê-lo encontrado pessoalmente. Ele nasceu numa aldeia persa e morreu numa batalha no meio de camelos e tarbuches sujos de sangue, mas, o seu forte foi relacionar matemática a vida. Sei disto pelo livro: “O homem que calculava: aventuras de um singular calculista persa” (1939). Ele foi tão popular no Brasil, tanto que os muçulmanos locais, quando se propuseram a construir a primeira mesquita, procuraram-no para ter uma espécie de “muçulmano ilustre” no Brasil e descobriram que... … Malba Tahan é um personagem criado pelo JULIO CÉSAR DE MELO e SOUSA (1895-1974), matemático lusodescendente, que o criou para ensinar a disciplina, aproveitando o fascínio das histórias das “1001 noites”, usando o raciocínio e não o famoso “decoreba”. O personagem chegou ao zênite e escondeu o criador. Júlio César tinha RG com este nome, autorizado pelo Dr. Getúlio. JULIO CÉSAR DE MELO e SOUSA nasceu num dia como hoje (06/05), daí, DIA NACIONAL DA MATEMÁTICA. Feliz aniversário, Moalim.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Quem já viu a fotografia de William S. Burroughs (1914-1997) não imagina que ele seja um escritor beatnik, tal a sua carranca que só falta latir e estar sempre vestido como um meirinho que vai entregar a intimação a um banqueiro. É verdade, o hábito não faz o monge. Pois, o Dr. JONATHAS ABBOTT (1796-1868), também foi assim. Nascido na Inglaterra, veio para Salvador como cavalariço e a custa de muito esforço se formou médico. Ele foi o primeiro a atender a sangueira que foi a Guerra dos Malês, basicamente amputando braços e pernas. No trato pessoal era seco, porém, deixou um diário secreto, onde registrou o seu gosto pelas mulheres, temperado pelo senso de humor e de brasilidade. Em 28 de junho de 1831: no Jardim Botânico de Marselha ele anotou: “Lá vi uma bela coleção de plantas exóticas; tirei o chapéu a uma bananeira, tão satisfeito fiquei de ver uma patrícia, mesmo entre as plantas (...) ”

sábado, 3 de maio de 2014

Os VALADARES surgiram numa aldeia do Minho, Portugal. São famílias diferentes, mas que tem em comum na Diáspora, a mesma origem geográfica, que os levou a adotarem o nome da aldeia como sobrenome. A expatriação se deu por problemas político-religiosos (judaizantes) ou econômicos. Eles vão para o Mundo levando o nome do lugarejo de onde saíram. Em Honduras há uma parentela VALLADARES muito grande e alguns são de grande destaque em várias áreas da sociedade. O presidente da B´NAI BRITH de Tegucigalpa foi o Sr. HILLEL VALLADARES. O jornalista NAHUM EFRAIM VALLADARES y VALLADARES foi durante sessenta anos o mais influente radialista do país. O mais popular destes V. hondureños é o goleiro NOEL EDUARDO VALLADARES BONILLA (1977), titular da Seleção Nacional de futebol. Medalha de prata nos Jogos Panamericanos de Winnipeg (1999). Jogou mais de 100 partidas FIFA com a Seleção Hondurenha. Na Copa de 2010 ele fez a defesa mais difícil e bonita daquela competição, contra o atacante Ponce, da Seleção Chilena. Feliz Cumpleaños (03/05), Noel.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

O burguense Schlomo b. Yitzhak HaLevy (1351 – 1435) dormiu rabino e acordou D. Pablo Garcia de Santa Maria, bispo católico. Os seus descendentes e aparentados tomaram rumos surpreendentes: pois surgiram na parentela, desde uma mística feminista (Teresa de Cartagena) a rudes “Conquistadores” na América. Um deles, o frade Rafael, rumou para o Império Otomano e estabeleceu-se por lá. O seu descendente Naftali casou-se com a filha do rico comerciante Meir Amigo, “el Rey Chico”. É trineto do casal, Biniamin Zeev b. Yaakov, aliás, THEODOR HERZL (1860-1904). O húngaro T. H. escreveu bastante: artigos, peças teatrais e livros. Sobreviveu o livro Der Judenstaad – Versuch einer modernen Lösung der Judenfrage (O Estado Judeu – Proposta de uma solução moderna para a questão judaica, 1896), que não foi uma novidade política, mas, uma parte do processo iniciado há milênios. Feliz aniversário (02/05), Sr. Herzl.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O poeta RAINER MARIA RILKE (1875-1926) ao olhar a pirambeira onde o castelo estava postado, veio a si a frase, que virou o primeiro verso do seu poema Elegia de Duino (nome do castelo): “Quem, se eu gritasse, me ouviria dentre as ordens dos anjos”. Quem lhe ouviu na angustia, foi a princesa Marie della Torre e Tasso (1855-1934), que lhe deu pouso nos anos 10, quando da quebra do romance do poeta com Lou Andreas-Salomé e da eclosão da I Guerra. Ele ficou no castelo até concluir o poema, que é uma reflexão sobre a beleza e o sofrimento. O filho da anfitriã, príncipe Raimondo, passou pelo Brasil, mas, não foi perguntado se conhecia o poema.