Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

terça-feira, 22 de abril de 2014

O menino Cosme, filho de um mulato vendedor de lenha, quando soube da notícia que chegara a Abolição, não teve dúvidas, pegou um caixote e numa rua importante do subúrbio soteropolitano, fez o seu primeiro discurso. Como os baianos em geral pode-se dizer que ele estreou naquele momento e já aos quatorze anos começou uma campanha contra o analfabetismo, que ele considerava a origem dos males sociais, depois, fundou a Liga Baiana contra o Analfabetismo, que construiu duas centenas de escolas e fornecia material de ensino para os alunos. Mesmo com todo este empenho educacional, ele não conseguiu concluir o primário, pois estava envolvido em tantos ações, uma delas, defender como rábula provisionado os miseráveis de injustiças. Em 73 anos de carreira defendeu 30 mil clientes nos tribunais, que não lhe pagavam honorários, o seu escritório era uma mesinha desconjuntada no corretor da Igreja de S. Domingos Gusmão (no Terreiro de Jesus), onde recebia de vinte a trinta pessoas por dia. Como advogado de defesa (nunca acusou alguém), o major COSME DE FARIAS (1875-1972), que não conhecia o cipoal jurídico, criava um clima sentimental, buscava assim desconcertar e irritar os promotores. A um deles, a quem trocava o nome propositadamente. “Major, eu já lhe disse que meu nome é Joaquim José, como o Alferes”. A resposta foi seca e certeira: “Que ironia do destino! Tiradentes morreu na forca lutando pela liberdade, e Vossa Excelência continua vivo, lutando contra ela”. Cem mil pessoas levaram o corpo do Major Cosme, do Terreiro de Jesus até a Quinta dos Lázaros, por duas horas a pé, dispensando o uso do carro oficial. Meus cumprimentos, Sr. Major no seu aniversário (02/04).

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