Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

domingo, 2 de março de 2014

Se vivera o Cardeal Mezzofanti (1774-1849) ou o padre Joaquim Guerra na noite babilônica, é possível que não teria existido a Torre do Babel. O eminente Cardeal falava e escrevia em 38 línguas. Ele costumava cumprimentar as pessoas no seu idioma de origem e modestamente corrigia os defeitos de linguagem do locutor estrangeiro. É bom, a bem da verdade, lembrar que o Cardeal infelizmente falava o guzerate com sotaque. Já o padre, tradutor e poeta Joaquim Guerra também tinha os seus talentos, inclusive, fez Confucio falar português e aproximá-lo das raízes do Cristianismo. O padre JOAQUIM Angélico de Jesus GUERRA, S. J. (1908-1993) nasceu em Lavacolhos, Fundão, numa família de camponeses. Para o menino pobre de aldeia, que pretendia fugir do castigo dado aos descendentes de Adão, ele fez o sensato, aderiu a uma grande corporação das que estavam disponíveis: tornou-se Jesuíta e em 1933 foi mandado para a China, onde tornou-se conhecido como KVAO TJYNTOQ. Aprendeu todas as nuances do mandarim, construiu um dicionário sino-português, traduziu os grandes textos confucianos, isto num intervalo entre as três penas de morte a que foi condenado. Morreu num lugar onde era bem-vindo, vítima de atropelamento, mas, antes passara pelo Brasil.

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