Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

terça-feira, 4 de março de 2014

A Maior Rodrigues não teve problemas na “apanha” (casamentos arranjados entre cristãos-novos). O seu pai, Gabriel, um escrivão na Vidigueira, ficara preso três anos por judaizante (o que dava credibilidade no seu meio), e era bonitinha: “comprida, alva de rosto, bem estreada e delgada de corpo”; assim ela casou-se com o alfacinha Pedro (“Isaac”) Rodrigues Espinosa, um comerciante em ascensão. Tiveram filhos, um deles, mesmo nome do avô (mas que mudou para Miguel), fugiu já velho para Nantes e dali para Amsterdã, onde juntou-se a comunidade e casou-se pela segunda vez com uma Ana, descendente dos Bentalhados do Porto. Foram abençoados com o filho, BARUCH ou BENEDITO DE SPINOZA (1632-1677). Daqui em diante quase todos conhecem a sua história. Por isto passo a palavra ao moncorvense Borges - “(...) Alguien construye a Dios en la penumbra. / Un hombre engendra Dios. Es un judío / de tristes ojos y de piel cetrina; / lo lleva el tiempo como lleva el río / una hoja en el agua que declina. / No importa. El hechicero insiste y labra / a Dios con geometría delicada, / desde su enfermedad, desde su nada, / sigue erigiendo a Dios con la palabra. / El más pródigo amor le fue otorgado, / el amor que no espera ser amado.”  Ele e meu pai voltaram ao Jardim num 21 de fevereiro.

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