Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Sete de setembro é uma boa data para lembrar príncipes que perderam os seus reinos. Do que vou falar, poucos conhecem, apesar de ter vivido parte do exílio no Bom Retiro, antigo bairro judaico de S. Paulo. Trata-se do 6º “MUNKATCHER REBBE”, líder espiritual e laico desta seita húngara. Estas seitas ou movimentos hassídicos são como pequenos reinos não-territoriais, fechados a estranhos e são governadas por um Rebbe ou Admor, sucedidos de forma hereditária. O(a)s filho(a)s dos Admores só casavam entre si, tecendo uma teia genealógica, que gerou uma nova aristocracia judaica. Pois, o nosso príncipe, rabino BARUCH YEHOSHUA YERACHMIEL RABINOVICH (1914-1997), descendia de uma dinastia rabínica cujo tronco é o RASHI, e como já sabem, este, descendente de David HaMelech (o rei David). Em 13 de março de 1933 ele casou-se com a filha única do Admor dos Munkatchers. A festa teve entre 20 a 30 mil convidados (há filmes dela no Youtube). O sogro morreu em 1937 e ele herdou o “reino”. Infelizmente o Nazismo deu o bote e ele foi separado dos seus liderados, viveu deslocado entre a Europa e a Ásia. Nos anos Cinquenta veio ao Brasil tentando reencontrar os seus súditos perdidos. Em S. Paulo estudou Filosofia e Psicologia na USP. Já tinha deixado de ser Anti-Sionista e a partir dali passou a citar os gentios Platão e Aristóteles, algo incompatível para os seus antigos súditos. O “reino” passou ao filho e ele foi para Israel onde viveu os últimos dias de sua vida.

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