Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Sempre me interessei por linguagem cifrada. Assim colecionei mais de uma centena de histórias envolvendo esta linguagem – desde o modo do Presidente de MG, Antonio Carlos Ribeiro de Andrada, IV (1870-1946), que avisara ao seu oficial de gabinete, apenas transformar em leis ou liberação de verbas, as que contivessem o ponto no “i” de sua assinatura. As outras, sem o ponto, eram apenas para impressionar os seus eleitores, mas, sem consequências práticas. A qualquer cobrança ele colocava a “culpa” no ajudante, mostrando o documento assinado. Tenho exemplos disto em outras situações. Mas como driblar a censura postal? Onde o cifrado não pode parecer um código, pois se for, será detido pelos censores militares. Passo duas historinhas reais, onde o texto está na vista do censor sem que ele saiba. Quando o rom (cigano) brasileiro Victor (1931-) soube que a kumpania ia deambular pela URSS, combinou com eles uma forma de saber a nova realidade dos seus parentes: “(...) O código era o seguinte: eles incluiriam fotografias nas cartas. Se ele ou ela estivesse em pé na foto, significaria que estava tudo bem; se estivessem sentados, significaria que a situação não estava bem. Quando as cartas chegaram, qual não foi a surpresa ao ver que todas as mulheres nas fotos estavam deitadas (...)”[VISHNEVSKY, V. Memórias de um cigano, p. 27] Outra história: o escorregadio nazista Albert Speer (1905-1981) ao saber que a filha ia viver numa casa americana de família judia (trocada por uma Quaker) no programa de desnazificação, instruiu-a: “(...) Linguagem secreta: se algo estiver errado, mas você não quiser, ou não puder, dizer que está, coloque a palavra “contudo” no começo da frase. Portanto, se você disser, “contudo, eu estou bem”, isso significa que você não está bem (...)” [SERENY, G. Albert Speer: sua luta com a verdade, p. 864].

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