Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Sempre me interessei por linguagem não-verbal. Ao perceber a importância dos gestos, comecei a registrar num caderno os que percebi para uma possível antropologia dos gestos. Eis uma das anotações. Nos anos Oitenta os motoristas da Viação X. desenvolveram um sistema de gestos para avisarem uns aos outros a presença de fiscais, conhecidos no jargão profissional, como “cachorros”, na pista. Cujo trabalho era fiscalizar se havia evasão de rendas no ônibus, conferindo a concordância entre o número de passageiros e passagens. Isto era necessário, pois alguns motoristas tinham o descuido de transportar “cabritos” - passageiros que tomavam o ônibus no meio do caminho, pagavam a passagem, mas não recebiam o ticket (o dinheiro ia para o motorista). O sistema gestual permitia numa linha de grande distância manter o controle da presença de fiscais. GESTO 1 – O motorista ao cruzar com outro ônibus em sentido contrário, acenava com o braço direito e a mão espalmada, como se fosse um para-brisa. Tudo limpo. Não há fiscal na pista e nem no carro. GESTO 2 – Havia um fiscal dentro do carro. Acendia e apagava o farol alto, sem que ele desse conta. GESTO 3 – O motorista puxava a sua gravata duas vezes para baixo. Gesto de puxar um cachorro. Significava que ele tinha passado por um fiscal logo atrás.

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