Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Pela alfândega não só passa gente, mas, as histórias que elas trazem em si. Mesmo as pessoas mais simples, se não veja o caso do torneiro espanhol JOSÉ JAPÓN BENÍTEZ, de 28 anos, filho de Rafael Japón e Angeles Benítez, que chegou ao Brasil em 1958, depois de autorizado pelo cônsul Paranaguá. O sobrenome incomum e os olhos meio puxadinhos, ensejam a pergunta, qual a sua história familiar? Lembrando que a Espanha não recebeu imigrantes japoneses ou chineses. Ei-la aqui: Em 1614 o daimio (senhor feudal) de Tohoku, enviou o samurai HASEKURA TSUNENAGA (1571-1622) numa embaixada a Europa com alguns objetivos: visitar o Papa, obter apoio para os católicos japoneses e estabelecer contatos comerciais. Quando ele já estava na Espanha, em Coria del Rio soube das perseguições aos católicos japoneses, assim resolveu voltar a pátria, porém um grupo de trinta pessoas do seu séquito, com medo da repressão, resolveu ficar por ali mesmo e ficaram. Os seus filhos, netos e descendentes receberam o apelido de “Japón”. Quatro séculos depois: 645 pessoas (num universo de 29.284 habitantes) em Coria del Rio chamam-se Japón... Já HASEKURA TSUNENAGA tornou-se um kakure kirishtan (criptocatólico) e está sepultado no templo budista de Enfukuji.

Nenhum comentário:

Postar um comentário