Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O cozinheiro chinês LI PO apavorou-se quando viu a patroa Clarice dirigir-se a dispensa da casa, onde encontrou em meio a verduras, legumes e grãos, uma caixa com uma menininha viva dentro. No começo do século os “amarelos” eram vistos no Brasil como antropófagos, viciados em jogo e cocainômanos. Numa mistura de mímica, português e algum dialeto chinês o cozinheiro buscou explicar: A criança era sua filha. Naquele dia sua esposa (Joaquina Angélica) saíra de casa para fazer algum serviço e sem ninguém para cuidá-la, ele trouxera para o serviço, mas o fato não se repetiria... A dona Clarice Lage Índio do Brasil (1869-1919) era a esposa de Artur Índio do Brasil (1855-1933), Oficial de Marinha e Senador e um dos membros da comissão que construiu o Cristo Redentor no Rio (recebeu o título de marchese por isto). O casal que não tinha filhos, afeiçoou-se a chinesinha Ruth, deram-lhe uma educação refinada e o nome de família – Índio do Brasil. Passou-se o tempo. Dona Clarice foi assassinada (outra história complicada) e o marchese Índio do Brasil deixou a Ruth o grosso de sua imensa fortuna: “prédios (só no centro do RJ eram oito), terrenos, títulos de sociedades anonymas, etc”.

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