Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

No começo eles eram só os “tigres”. Os gallegos deixavam a sua terra. “(...) Tus hijos / huyen de ti o te los roban, / llenando de íntima pena / tus entrañas amorosas / y como a parias malditos, / y como a tribus de ilotas / que llevasen e el vostro sello de infamia y deshonra (...)”, escreveu a gallega Rosalía de Castro (1837-1885). Tudo isto para a chance de uma vida digna a si e aos seus. O inicio foi brutal para estes imigrantes, oriundos do mundo rural, quase todos analfabetos (a taxa mais alta entre os imigrantes), para inserir-se numa sociedade que se urbanizava. O trabalho mais visivel deles era transportar dejetos humanos numa cidade sem saneamento básico. “Só um tigre podia aguentar aquilo”. Nos anos Sessenta a Galícia continuava a mesma, tanto que o adolescente MANOLO, temendo a convocação para o serviço militar embarcou para o Rio de Janeiro, com o dinheirinho no bolso para um mês, se acabasse e não encontrasse emprego, podia optar pelo suicidio ou mendicância. A perspectiva não lhe pareceu boa ao ver o tamanho do cemitério S. João Batista. “Morre muita gente por aqui”. Mesmo assim, ele conseguiu um emprego de vigia num museu, passou o tempo e depois com outro gallego, Florentino, construiram o bar ANTONIO´S no Leblon, lugar onde se reunia, Vinicius, Tom Jobim, Roniquito, Walter Clark, Otto Lara Resende, Armando Nogueira, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Di Cavalcanti....

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