Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

No cemitério judaico de Hamburgo existiu uma lápide, quebrada e jogada depois num canto, para lembrar VITÓRIA DIAS, sepultada ali na metade do século XVII. Nome português, gente portuguesa? Errado. Ela foi serva de uma importante parentela de comerciantes judeus portugueses, os Dias Milão. Pegue um mapa e veja as suas deambulações e as trocas de identidades. VITÓRIA DIAS tinha nascido na China, fora ao Japão, convertida ao Catolicismo, e vendida como escrava para o mercado de Goa, onde foi comprada por um dos Dias Milão que a trouxe para a sua casa na Mouraria em Lisboa. Ela fazia os trabalhos domésticos, quase calada, até entender um pouco de português. A família afeiçoou-se a ela, deu-lhe liberdade, mas ela ficou com eles. Porém durante a festa do entrudo de 1611 alguns Dias Milão foram presos como judaizantes, e a sua patroa, Guiomar Gomes, pressentindo o perigo, pegou os filhos, uma sobrinha e fugiram para Flandres. Pausa: Imagine o que era fugir na época e a circunstância, encontrar os “acarreadores de judíos” (guias que conheciam os caminhos) de alguma confiança, já, que eles podiam roubá-las, chantageá-las... – uma fuga destas podia terminar ao deixar a soleira da casa ou durar dias ou décadas como as dos Rodrigues Pereira. Ela dependia de tantas coisas, que se poderia dizer, dependia da sorte. Pois estas mulheres alcançaram Flandres e daí foram reunir-se a outros membros da parentela que já estavam em Hamburgo (em 1617), onde VITÓRIA DIAS faleceu alguns anos depois....

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