Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Era uma estranha mulher no Rio Vístula. Em Salem seria uma witch incandescente, no Brasil, apenas uma benzedeira. AGNIESZKA PILCH (1888-1945), filha de camponeses poloneses católicos, começou na juventude a sua estranha jornada. Desmaiava e entrava em estado alterado de consciência, aprendeu o poder curativo das plantas, características que lhe fez se aproximar de grupos teosóficos e espíritas. A sua atividade de cura e vidência chamou a atenção dos grandes, e em alguns momentos foi protegida pelo presidente Masaryk. As suas previsões eram lidas com perplexidade. Dentre elas destaca-se a “profecia de Tegoborge”, no final do século XIX, quando em versos cifrados com metáforas onde aparecem águias, leões, martelo, dragão, ursos e cavalos, ela augura as guerras que se aproximam...mas, continua “vendo” o futuro, até o dia em que presa no Konzentratioslager Ravensbrück, um SS-Hauptsturmführer, ao ouvi-la prever sua própria morte, não teve dúvidas, sacou a pistola e a matou ali mesmo. A história terminaria com mais esta banal violação do 5º mandamento, porém, sua filha JANINA PILCH-CWIKLA (1921-2009), que era poeta, sem lugar nesta Europa bárbara, aceitou o pedido de casamento de um paranaense e veio para Curitiba, onde silenciosamente escreveu os seus versos até morrer velhinha.

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