Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

É grande mérito lavar ritualmente o companheiro de comunidade que morreu, preparando-o para o sepultamento num cemitério israelita, já que os mitaskim (lavadores) não esperam receber nada em troca a quem fizeram o bem. Foi esta atividade que o baronete inglês MOSES MONTEFIORE (1784-1885) tomou para si, quando aposentou-se aos quarenta anos, depois de uma bem sucedida carreira nos negócios e também na política (foi o primeiro prefeito de Londres, onde introduziu a iluminação a gás) Percebendo que podia fazer mais pelos semelhantes ele dedicou-se até o final de sua centenária vida a filantropia. Esteve na Turquia, em 1840, para defender os judeus de Damasco, acusados do Libelo de Sangue. Tentou trazer para a família o menino Edgardo Mortara (1858). Lutou para diminuir os sofrimentos dos judeus da Russia (1846), Romênia 1867) e Marrocos (1872). Esteve sete vezes no Eretz Israel, onde construiu o Mishkenot Sha´ananim, restaurou o tumulo de Rachel, etc., etc. Os Montefiores descendiam do casal Jorge de Almeida e Leonor Nunes, oriundos de Mogadouro, que tinham passado de Portugal ao México, onde viviam parentes importantes, com medo da Inquisição. Percebendo que seriam novamente incomodados eles fugiram para a Península Itálica, onde os descendentes adotaram o apelido Montefiore (nome de uma cidadezinha local) e continuaram casando-se entre portugueses, com os Lumbrozo, com os Mattos, com os Lamegos, com os Lousadas, com os Ximenes... É deles, que nasceu “sir” MOSES MONTEFIORE, o aniversariante de hoje (24/10).

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