Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Dentro do navio N. S. de la Coronada, angústia, depois de alguns dias de viagem, no abril de 1699. Parecia ser o ponto final da jornada dos que iriam até Livorno. Entre crianças e adultos, cinquenta passageiros vindos de Trás-os-Montes, que formavam uma grande parentela. Os agentes da Inquisição de Sevilha entraram no barco e prenderam a todos. Um dos chefes dos fugitivos era JOÃO LOPES DIAS (1675-1735), natural de Mirandela, que fugia com a mãe, filhos e a esposa Leonor Henriques Pereira, grávida (o filho Paulino nasceu na prisão). Depois de alguns anos o grupo conseguiu alcançar Bordeaux, onde retomaram o Judaísmo familiar. É descendente do grupo, Jacob Rodrigues Pereira, inventor da linguagem de surdos-mudos e ESTHER SARA LOPES-DIAS (1840-1912), que nasceu no Rio de Janeiro. A Esther Sara casou-se com o negociante Aaron Jules Vidal-Naquet e tiveram a Edmond, este a Lucien, que por sua vez casou-se com MARGUERITE VALÉRIE VALABRÈGUE e tiveram ao historiador francês PIERRE VIDAL-NAQUET (1930-2006). Que escreveu muito e sobre vários temas, mas que eu não consigo tirar da minha cabeça é sua dedicatória amarga em “Os Assassinos da Memória: um Eichmann de papel e outros ensaios sobre o revisionismo” (1988). “A memória de minha mãe, / Marguerite Valabrègue. / Marselha, 20 de maio de 1907. / Auschwitz, 2 de junho (?) de 1944. / Eternamente jovem”.

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