Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Ontem (31/12) saímos, minha irmã Sara e eu, para reconhecermos o que restou da Campinas dos anos Setenta. Subimos ao viaduto Miguel Vicente Cury, para vermos a “a Firma”, como chamávamos o armazém do Sr. João Veríssimo, o velho. O entreposto ainda está lá, mas abandonado. Isto me lembrou a festa de final de ano que o seu sobrinho Sr. Adelino Dias dava na sua chácara em Valinhos aos funcionários portugueses do grupo Eldorado e também a patrícios importantes de passagem pela cidade. Foi numa delas que vi o capitão trasmontano JOÃO MARIA FERREIRA SARMENTO PIMENTEL (1888-1987). Eu ainda era adolescente e besta, algo que o Tempo buscou curar e só percebia a sua importância, pela corte que os mais velhos faziam em torno de si. Anos mais tarde comprei as suas Memórias, autografada e com o seu ex-libris. Há um episódio delicioso neste trabalho. Ele conta as peripécias de Camilo Castelo Branco e um tio seu, ambos “freiráticos” (isto é, quem namorou freiras). Explicação: naqueles tempos, as famílias de escol não permitiam que suas filhas se casassem com sujeitos que elas viam como inferiores socialmente e assim as colocavam nos conventos para evitar a procriação indesejada. Lá sem a menor vocação religiosa, elas sublimavam a vida fazendo doces e “torneios” de poesias, ocasião do namoro platônico dos parentes que as visitavam. Pois num destes torneios, o Sr. Morgado de Quintela recebeu de uma delas, o mote para desenvolver em poesia: “Deste que muito a venera / O Morgado de Quintela” Depois de uma semana insone e angustiado ele compôs a quadrinha. Não saiu grande coisa, mas pelo menos comeu as “babas de moça”: “Tarde virá uma tarde / Como a tarde de ontem a tarde / Deste que muito a venera, / O Morgado de Quintela”.

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