Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O Joaquim vira os invasores napoleônicos forjarem uma lima muito superior as que já haviam no país. Ele copiou a fórmula secreta, acertou, começou a ganhar os seus contos de réis. Com a arca cheia, deu para reclamar dos “dízimos das favas” que pagava a Igreja. Não demorou muito e a população incendiou a sua casa e ele e família, os “Tomés” (pela incredulidade religiosa ou na versão familiar, por serem originários de S. Tomé de Mira), só tiveram o tempo de colocar os pertences numa carroça, fugir e arribaram em Vieira de Leiria, onde com o tempo prosperaram ainda mais, criando uma fábrica de limas e tornaram-se os senhores locais. LÚCIO TOMÉ FETEIRA (1902-2000), o neto de Joaquim, não herdou a fábrica imediatamente e assim teve que se virar. Trabalhou no Congo com café, girou pela África portuguesa, como funcionário colonial de finanças. E aqui são os inimigos que falam: ameaçou suicidar-se se não lhe deixassem se casar com uma herdeira portuguesa muito rica. Casou-se e tomou um empréstimo de 3 contos com o sogro, melhorou o cheque alterando-o para 13 contos e construiu uma fábrica de vidros planos, que replicou no Brasil, na Argentina, no Uruguai e na Venezuela. Isto em um tempo que para se fazer um telefonema interurbano levava-se um dia e uma carta para além-mar um mês. Criou uma grande fortuna, tornou-se um filantropo. É (ainda) grande proprietário no Brasil, um pouco depois de Niterói, possui uma sesmaria de 70 km costeando o mar, onde pretendeu construir uma cidade, Olímpia, em homenagem a irmã, que morrera solteira, depois que dois namorados inconvenientes morreram antes de vestirem os paletós de noivos. Feteira soube também cultivar o Poder, esteve sempre com ele, mas também ajudava financeiramente as Oposições, das portuguesas as estrangeiras (Juscelino Kubitschek foi amparado por si). Com ele não tive nem o shake hands habitual, só o vi no reveillon do Sr. Adelino Dias, sobre o qual falei ontem...

Um comentário:

  1. Fico feliz em ver a superação de Arystarch, mesmo sem suas mãos e o olho esquerdo e um artista platico sem limites... Parabenizo Paulo Valadares pelo resgate de memoria desse Artista Plastico.

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