Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Uma Campinas que vivi: Gerente de um banco estatal em Barão Geraldo, que atendia majoritariamente docentes da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), tive nos anos 90, como clientes e interlocutores, personagens de uma história cultura...l brasileira. Encontrei gente como o matemático brâmane Tenkasi Mutukrishna Vishwanathan, com quem discutia além da economia, um método para a interpretação de sonhos. César Lattes, exegese bíblica, os Profetas. Berta Waldman e Iara Franchetti, literatura, Fernando Pessoa e Sá Carneiro. Um destes professores, a quem chamarei de B., trabalhara no Projeto Manhattan, “disputávamos”, como se uma negociação bancária fosse uma partida de truco, “quem passava o outro para trás”, nos cálculos de juros. Ele usando o cérebro privilegiado e eu uma FACIT rudimentar. Lamento dizer, mas, eu ganhava. Porém a melhor história que tenho foi outra. Laura, filha da professora Maria da Conceição Tavares, a época fazia o doutorado na instituição e recomendou-me que atendesse o seu filho, um menino de sete ou oito anos, se ele me procurasse com algum problema. Como eu tinha fama (imerecida) de doleiro, o filho de Laura, buscou-me um dia, perguntou se eu era o P.V. Confirmei. Ele contou a sua dificuldade: precisava trocar dólares (no plural) e se eu podia fazê-lo para ele? Depende da quantia. Quantos? One! Quanto? Um. Fomos conferir a cotação com a seriedade e trocamos a cédula americana. Laura quando soube da façanha, riu. A avó, professora Maria da Conceição Tavares, sabendo de minha ligação com Portugal, deu-me de lembrança um belíssimo caderno com um pavão na capa que comprara na Santa Terrinha, comigo até hoje. Eu tive a cédula na carteira como amuleto por muitos anos, até... FOTO: A professora Maria da Conceição Tavares quando entrou no Brasil –ARQUIVO NACIONAL.

Nenhum comentário:

Postar um comentário