Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

sábado, 30 de novembro de 2013

O parisiense HENRI CLEMENT SANSON (1799-1889) deixou cair o machado pela última vez em 1847. Aposentou-se, pois não podia ver mais sangue, e desapareceu de cena. Durante sete gerações, desde 1688, os SANSONS dedicaram-se a profissão de carrascos em Paris, e anteriores a isto, exerceram a mesma profissão por cinco séculos na Noruega. Em sete gerações francesas todas as mulheres Sanson casaram-se com carrascos e dezenove deles foram carrascos. Eles formavam um grupo fechado, já que a profissão causava nojo nas pessoas comuns, só restavam casar-se entre si, criando um grupo genealógico único. A profissão de carrasco, além de hereditária, era muito bem remunerada. Acumulavam ao salário, benefícios fiscais, eram funcionários publicos e também dedicavam-se a medicina popular. Alguns deles tornaram-se milionários. Mas o serviço era pesado, o carrasco devia estar pronto para marcar com ferro, chicotear, usar convenientemente o oleo quente, ter as cordas prontas, saber amputar membros e manipular bem o machado e a guilhotina. Manter a equipe de auxiliares (pagos por ele), numa espécie de microempresa da morte. Durante o Terror revolucionário, CHARLES HENRI SANSON (1739-1806), avô do aposentado Henri Clement, decapitou os Reis de França e outras três mil vítimas, ao capricho dos juízes alucinados. As mil e trezentas e seis vítimas fidalgas decapitadas por Charles Henri foram sepultadas no pequeno Cemitério de Picpus, na rua do mesmo nome nº 35, em Paris, onde repousam La Fayette, Montalembert, Chateaubriand, Crillon, Gontaut-Biron, Choiseul, La Rochefoucauld, Montmorency, Rohan, Noailles, etc. É o mais exclusivo cemitério do mundo, onde um amigo meu (J. R. J. B.), de caráter extravagante e com pretensões a aristocrata, “sonhava” inutilmente em ser sepultado...

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