Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

sábado, 30 de novembro de 2013

Foi sepultado num dia destes (20/11) o DR. SALUSTIANO FERREIRA SOUTO (1814-1887) no Campo Santo em Salvador. Ele viera do Sertão, de Vila Nova da Rainha (hoje Senhor do Bomfim), para ser o médico do pobres (operava gente de graça e ainda hospedava em sua casa no Largo dos Aflitos), líder abolicionista (estimulava as donas de casa a produzir prendas para vendê-las num bingo e comprar a liberdade de escravinhas), voluntário na Guerra do Paraguai, deputado provincial e secretamente dignitário muçulmano (malê), dentre tantas atividades em que se envolveu. Foi amigo da Condessa de Barral (Joaquim Nabuco dizia que ele era o pai do seu filho temporão). Deu casa e comida ao poeta cigano Laurindo Rabelo enquanto este fazia o curso de medicina em Salvador. Medicou a Castro Alves e deu-lhe o cavalo Richelieu para o poeta andar pela cidade, depois da amputação. Emprestou recursos para que Rui Barbosa casasse e se transferisse para a Corte... Rui demorou mais de dez anos para pagá-lo. Construí a sua biografia: “Conselheiro Salustiano Souto, o abencerragem invisível” (157 laudas), que coxeia há 1097 dias entre as editoras. Sempre recusada por alguns motivos recorrentes: É biografia? Quem se interessa pela vida de um mulato baiano?

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