Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

sábado, 30 de novembro de 2013

Como antigo infante, combates navais não me atraem, parecem-me apenas uma confusão homicida, sem nenhuma ciência. Mesmo assim, moro numa rua que recorda uma batalha naval vencida pelos Brasileiros (Aquidabã) e o nome LEPANTO sempre me atraiu por vários motivos. Nos anos Oitenta passei várias madrugadas pelo HOTEL LEPANTO, em frente a Estação Ferroviária da Luz, em S. Paulo, que devia ter sido anteriormente um hotel para caixeiros viajantes ou modestos visitantes a cidade, até virar um hotel de curtíssima permanência, que foi o modo que encontrei. Eu via a sua decadência a cada madrugada – mesmo assim, ele não chegou a ser o Hotel Guarapari, um ponto semelhante as casas de ópio chinesas. Quando lia a placa “HOTEL LEPANTO” soava uma campainha em mim. Era a minha madeleine. Nunca encontrei o dono para perguntar por que recordar Lepanto? Lepanto foi uma batalha entre forças do Ocidente e islâmicas em 7 de OUTUBRO DE 1571. Geopolítica transmutada em fé religiosa (Hello! Mr. Huntington. Witam! Panie Koneczny). De um lado, a Liga Santa (Espanha, Estados Pontifícios, Republica de Veneza, de Gênova, Grão-Ducado da Toscana e Ducado de Savoia) e do outro o Sultão otomano. O que estava em jogo era o domínio do Mediterrâneo. Os números da confusão são expressivos: 98 mil homens da Liga e 120 mil da Sublime Porta, todos em seus barquinhos. As sete da manhã começou a batalha no golfo frente a cidade, final, 40 mil mortos e dentre os sobreviventes, o soldado MIGUEL DE CERVANTES (1547-1616), que perdeu os movimentos da mão esquerda no combate corpo a corpo. A que restou escreveu D. Quixote......

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