Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

ALGUNS NÚMEROS DESTE SÍTIO

Esta semana um artigo deste blog completou 1 mil acessos, enquanto já ultrapassam os 10 mil acessos no geral.
É um número de leitores que nos orgulha bastante. Para um sítio onde se fala de genealogia judaica, escrito em português e com um nome polissêmico , mas estranho (Besta esfolada) é uma façanha.
Muito obrigado
P.V.

ALGUNS NÚMEROS:
1º - UM BAIRRO ÉTNICO EM CAMPINAS: O PARQUE TAQUARAL CIGANO, 1002 acessos.
http://bestaesfolada.blogspot.com/2011/01/um-bairro-etnico-em-campinas-o-parque.html
2º - OS ABRAVANEL DE SALONICA, INDIANAPOLIS, RIO DE JANEIRO E S. PAULO, 565 acessos.
http://bestaesfolada.blogspot.com/2010/12/os-abravanel-de-salonica-indianapolis.html
3º - A FAMÍLIA ABRAVANEL: UM RAMO DA “DINASTIA DO REI DAVID” NO BRASIL, 460 acessos.
http://bestaesfolada.blogspot.com/2010/12/famlia-abravanel-um-ramo-da-dinastia-do.html
4º - DE ABRAVANEL A ZADEH: PRIMEIROS JUDEUS EM S. PAULO, 302 acessos.
http://bestaesfolada.blogspot.com/2010/01/de-abravanel-zadeh-primeiros-judeus-em.html
5º - GENEALOGIA BRASILEIRA (II): ARIANO SUASSUNA, 247 acessos.
http://bestaesfolada.blogspot.com/2010/08/genealogia-brasileira-ii-ariano.html

ORIGEM DOS LEITORES:
1º - BRASIL, 9962 acessos.
2º - PORTUGAL, 1126 acessos.
3º - EUA, 1056 acessos.
4º - CANADÁ, 713 acessos.
5º - ISRAEL, 267 acessos

É POSSÍVEL DESCOBRIR SUA ORIGEM ATRAVÉS DA GENEALOGIA?

CLIC TV
PROGRAMA IMIGRAÇÃO APRESENTADO POR PAULO PADOVANI
18/08/2011
É POSSÍVEL DESCOBRIR SUA ORIGEM ATRAVÉS DA GENEALOGIA?
ENTREVISTADO: PAULO VALADARES

http://mais.uol.com.br/view/wxs5e3bsd547/e-possivel-descubrir-sua-orgiem-atraves-da-genealogia-04024E983970DC812326?types=A&

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O AVÔ JUDEU DO PRESIDENTE-REI SIDÓNIO PAES (1872-1918)



O major Sidónio Paes foi presidente da República Portuguesa entre abril a dezembro de 1918, quando então foi assassinado. Ele dirigiu o país num momento turbulento da história nacional. A sua aparência física, o cuidado no vestir-se e a crença messiânica numa missão pessoal lhe deram esta confiança e as expectativas de reorganizar a nação.
Fernando Pessoa (1888-1935), descendente de cristãos-novos da Beira, viu nele este messias falhado:

À Memória do Presidente-Rei Sidónio Pais

(...) Governa o servo e o jogral. O que íamos a ser morreu. Não teve aurora matinal 'Strela do céu. Vivemos só de recordar. Na nossa alma entristecida Há um som de reza a invocar A morta vida;
E um místico vislumbre chama O que, no plaino trespassado, Vive ainda em nós, longínqua chama - O DESEJADO.
Sim, só há a esp'rança, como aquela - E quem sabe se a mesma? - quando Se foi de Aviz a última estrela No campo infando.
Novo Alcacer-Kibir na noite! Novo castigo e mal do Fado! Por que pecado novo o açoite Assim é dado?
Só resta a fé, que a sua memória Nos nossos corações gravou, Que Deus não dá paga ilusória A quem amou. Flor alta do paul da grei, Antemanhã da Redenção, Nele uma hora encarnou o el-rei Dom Sebastião
(...)
Até que Deus o laço solte Que prende à terra a asa que somos, E a curva novamente volte Ao que já fomos, E no ar de bruma que estremece (Clarim longínquo matinal!) O DESEJADO enfim regresse A Portugal!”

Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Paes (1872-1918) pertencia a velhas famílias minhotas, mas que também possuía relações e uma costela judaica. A sua esposa, Maria dos Prazeres Martins Bessa (1869-1945) era prima da mãe do capitão Artur Carlos de Barros Basto (1887-1961), líder dos descendentes de cristãos-novos que retornaram ao Judaísmo Rabínico, na Sinagoga Kadoorie Mekor Haim do Porto.
Os genealogistas padre António Julio Limpo Trigueiros e Armando B. Malheiros da Silva publicaram uma excelente genealogia do notável homem público português – Os Paes de Barcelos. Subsídios genealógicos para a biografia do Presidente da República Sidónio Paes (Barcelos, 1994). Nela encontramos o avô judeu do Presidente-Rei. Trata-se do barbeiro e sangrador António Velho da Fonseca (1677-1734), avô do avô do seu pai, natural de Barcelos e filho de “pessoas muito honradas que viviam de alguns bens que tinhaõ”. Mesmo assim os seus descendentes encontraram dificuldades para se inserirem na sociedade devido a esta origem judaica. Este António Velho da Fonseca era neto de um personagem importante da genealogia judaica, o licenciado Gaspar Cardoso, falecido em Barcelos (1649), que aparece em processos inquisitoriais e no trabalho do grande Luís de Bivar Guerra.


A linhagem cristã-nova é a seguinte:


1 – ANTÓNIO VELHO DA FONSECA (1677-1734)
2 – ANDRÉ JOSÉ PAES DE FARIA (1715-1780).
3 – LUÍS RIBEIRO PAES DE FARIA 91752-1825).
4 – BERNARDO JOSÉ PAES DE AZEVEDO (1799-1878).
5 – SIDÓNIO ALBERTO MARROCOS PAES (1846-1883).
6 – SIDÓNIO BERNARDINO CARDOSO DA SILVA PAES (1872-1918).

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O GUERREIRO DE YACO. SERRA DAS ALMAS. MEMÓRIAS E LENDAS DE ZÉ RUFINO




Quando encontrei o escritor [Francisco] Calazans Fernandes (1929-2010) ele morava em S. Paulo. Ele foi jornalista nos melhores jornais, Jornal do Brasil, Times, dentre outros. Foi também Secretário de Educação do Rio Grande do Norte – ele deu a primeira oportunidade para o pernambucano Paulo Freire (1921-1997) aplicar o seu método de alfabetização. Como correspondente gerou o mundo todo, esteve em Israel de ponta a ponta, porém o seu espírito nunca deixou o seu berço natal, na região conhecida como “Tromba do Elefante”, parte do RN que vai em direção a PB.


---“Três dias que passo na minha terra – disse-me entre o raro sorriso de sertanejo desconfiado – me rejuvenesce trinta anos”. Falava enquanto me mostrava uma espingarda Comblain, usada em Canudos e por todo o Brasil profundo.


Eu cheguei a Calazans Fernandes, através de Marília Freidenson, que leu o seu livro O GUERREIRO DE YACO. SERRA DAS ALMAS. MEMÓRIAS E LENDAS DE ZÉ RUFINO (C.F. Natal, Fundação José Augusto, 2002, 318 páginas) e me emprestou um exemplar, sabendo que era assunto de meu interesse. Imediatamente falei com o Dr. Marcos Antonio Filgueira, o genealogista par excellance das famílias do RN, que me passou o seu endereço e assim pude conversar uma tarde com este notável criador e saber um pouco mais de seu trabalho.


O GUERREIRO DE YACO (...) é o primeiro de uma planejada trilogia. Escritor disciplinado pelos prazos do jornalismo, ele já tem a pauta dos trabalhos que seguirão “Chamas do Passado” e “Cinzas da Fortuna”, contando as histórias do seu pai Zé Rufino (José Calazans Fernandes, 1892-1976), homem atento e de boa memória que reteve as histórias de ocupação das terras em volta da Serra das Almas. O leitmotiv do livro é o desvendamento de um segredo. para que isto aconteça, microbiografias de sertanejos são reveladas através de pequenos episódios, onde a identidade cultural é sempre realçada.


Este primeiro volume é descrito como “a memória do baú sobre um Fernandes cristão novo da Ilha do Fayal contava como, perseguido pela Inquisição por viver com uma bruxa também Fernandes, em 1700 ele demandou ao Brasil no navio de que era dono, sobreviveu a um naufrágio no litoral do RGN, subiu o Apodi dos encantos, com ajuda dos índios, chegou à Serra das almas, onde , dos grotões da mina do Cabelo-Não-Tem, arrancou fortuna em ouro. Tão venturosa história resume tudo sobre quem deixou descendentes sem conta e brigas eternas nos direitos de posse de terras sem fim” (p. 27).


Entrar no universo de C.F. não foi difícil para quem tem a pele crestada herdada de ancestrais que também viveram alongados pelo Sertão. Na riqueza memorial do seu pai, lembrei-me de histórias contadas por alguns Valadares sertanejos – como a de uma chuva de peixes vivos no sertão sergipano. Mas a mim falta-me o talento narrativo e a fluidez do autor norteriograndense, portanto basta-me desfrutar o seu saborosissimo trabalho para eu também recuperar o me Sertão e recomendá-lo a quem deseje conhecer o Brasil profundo – não o das grandes e insossas cidade, mas as raízes profundas deste país, que leiam este livro,pois ele se coloca ao lado de três outras obras primas sobre o sertão brasileiro: A pedra do Reino, de Ariano Suassuna; Os Peãs, de Gerardo Mello Mourão (1917-2007) e o poema Psiu, a penúltima, de Soares Feitosa.