Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

QUE FIM LEVARAM OS CARAS SUJAS? O ANÃO, O LOUCO, O MOLEQUE E O MANETA. NO QUE VAI DAR TUDO ISTO?





“Caras sujas” (Carasucias no original) foi o nome dado pela crônica esportiva para dois ataques diferentes de times argentinos, realçando craques atrevidos, dentro e fora de campo, lembrando o filme homônimo que falava de jovens delinqüentes. O primeiro foi a linha final da Seleção Argentina no Sulamericano de Lima: Maschio, Angelilo e Sivori. O segundo, bem mais lembrado, até por ser mais próximo a nós, é o ataque do San Lorenzo de Almagro no começo dos anos sessenta, que tinha Areán, Doval, Veira e Casa. Na foto, que foi capa de El Gráfico (1965) aparece também o volante Roberto Marcelo Oveja Telch (San Vicente, 1943), que também era tão bagunceiro quanto os colegas. Na Copa de 1974 ele quase ficou preso por violar uma camareira da concentração na Alemanha. Mas vamos aos verdadeiros ”Caras sujas” e o que aconteceu a eles.

FERNANDO JOSÉ el Nano AREÁN (Buenos Aires, 1942 – Mendoza, 2011). Era muito habilidoso, mas não fez carreira, por que preferiu fazer dinheiro jogando por times colombianos, quando estes não representavam muito.


NARCISO HORÁCIO el Loco DOVAL (Buenos Aires, 1944 – idem, 1991), depois de tentar agarrar uma aeromoça numa excursão, foi “deportado” para o Brasil. Por aqui fez uma grande dupla com Zico e depois jogou na “Máquina tricolor”. Foi campeão carioca por ambos os times. Voltou aposentado a cidade natal, onde morreu depois de uma noitada numa boite.


HÉCTOR RUDOLFO Bambino VEIRA (Buenos Aires, 1946). Jogou também no Brasil. Defendeu o Corintians sem sucesso. Voltou a Buenos Aires onde esteve preso um ano por violentar um menino de 13 anos, que hoje é o conhecido travesti Malena Candelmo. Mesmo assim é adorado pela torcida, que lhe perdoa os deslizes, por suas frases jocosas, chamadas bambifrases. Eis duas delas. Sobre o ofício de treinador: “Yo tengo um laburo más difícil que el plomero (encanador) del Titanic”. Sobre a defesa do San Lorenzo: “Esta zona de la cancha de San Lorenzo es terrible acá lo asaltaron a Rambo”.


VICTORIO FRANCISCO el Manco CASA (1944). Tinha o mesmo perfil técnico e boêmio dos outros, porém um acidente em 1965 afastou-o do futebol. Ele namorava dentro de um carro nos fundos de um quartel, a temível Escuela Mecanica da Armada. Um sentinela vendo o carro mexer-se bastante, não teve dúvidas, deu um tiro de fuzil como advertência, que resultou no amputamento do braço direito de Casa. Ele ainda tentou jogar, mas não deu mais.