Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

domingo, 5 de junho de 2011

GLAUBER ROCHA E ELOMAR FIGUEIRA MELO: DOIS GUSMÃOS DE VITÓRIA DA CONQUISTA E A CULTURA CRISTÃ-NOVA




O Arraial da Conquista, depois Vitória da Conquista, foi fundado por bandeirantes paulistas que buscavam ouro na região ou pela ocupação territorial promovida pela Coroa portuguesa no final do século XVIII. Atribui-se a condição de fundador da cidade ao trasmontano João Gonçalves da Costa (1720-1820). Esta condição deixou aos seus descendentes a propriedade das terras e por conseqüência o controle da administração pública. Duas linhagens oriundas do Fundador se destacam nestas atividades: os políticos Ferraz (descendentes do negociante paulista de animais Joaquim Ferraz de Araújo) e os místicos Gusmãos, de quem falaremos um pouco mais.
No começo do século XIX apareceu na cidade o negociante de animais Plácido da Silva Gusmão, vindo de S. Paulo, que ali se casou e se estabeleceu como fazendeiro. A família sempre teve inquietações metafísicas e comportamento messiânico. Se diz que o filho do patriarca, Tertuliano da Silva Gusmão (1831-1919) ganhou nas suas viagens pelo Sertão uma Bíblia e com a leitura dela, ele e sua família romperam formalmente com o Catolicismo. Este pequeno grupo familiar deu origem a Primeira Igreja Batista de Vitória da Conquista, que teve entre os seus predicantes, o judeu converso Salomão Ginsburg (1867-1927).
Serão estes “da Silva Gusmão” cristãos-novos? São parentes do padre Bartolomeu de Gusmão (1685-1724), o Maschiach falhado? Dona Lucia Rocha deu-me uma explicação mítica desta origem, eles descendiam de uma “filha de Tatá que era casada com filho do judeu legítimo chamado David”. Dois descendentes de Plácido, o músico Elomar Figueira Melo (1937), por sua mãe Eurides Gusmão Figueira, e o cineasta Glauber Rocha (1939-1981), produziram obras que se enquadram por suas características no que chamo de “cultura cristã-nova”. Como exemplo tomo a canção “Ecos de uma estrofe de Abacuc” e a frase de Glauber para explicar a trajetória familiar: “de Jerusalém para Lisboa, de Lisboa para o sertão”, dentre outras manifestações nos trabalhos de ambos os criadores.
A ocupação fundiária e a administração pública de Vitória da Conquista não foi pacífica apesar das redes de parentescos formada por seus ocupantes. Dois episódios se destacam nisto, primeiro a Tragédia do Tamanduá e a Guerra dos Meletes e dos Peduros.
A luta entre os fazendeiros, coronel Domingos Ferraz de Araújo (? – 1895) e a viúva Lourença de Oliveira Freitas pelos limites entre as fazendas Tamanduá e Pau de Espinho, levou a uma série de escaramuças culminando no assassinato de dois filhos da viúva em 1895. Ela colocou os mortos num carro de boi e levou a cidade buscando justiça – “Vocês mataram os meus filhos, se quiser enterre-os, se não coma-os”. Sem a justiça pedida ela reuniu forças para atacar o coronel Domingos Ferraz. Este subestimou a adversária: “Ratos não comem gatos”. Resultado o grupo da viúva Lourença invadiu a Fazenda Tamanduá, que resistiu dois dias, mas no final dos combates, 22 pessoas foram assassinadas. As vinganças recíprocas continuaram por meio século.
Já no século XX – janeiro de 1919 as lutas pela direção política da cidade levaram a Guerra dos Meletes (uma espécie de tamanduá) e dos Peduros (o mesmo que de baixa estirpe), entre os coronéis Manoel Emiliano Moreira de Andrade (1871-1936) e Dino Correia (Ascendino dos Santos Melo, 1885-1928). No primeiro combate morreu o fazendeiro Teotônio de Andrade – os Andrades são descendentes do padre José Joaquim de Andrade. Vencedor, o coronel Dino Correia exigiu que o Juiz de Direito Antonio José de Araújo deixasse a cidade, montado num boi como símbolo de sua humilhação, porém um grupo de mulheres, lideradas por Laudicéia Gusmão (1862-1948), filha de Tertuliano da Silva Gusmão, conseguiu revogar o capricho do coronel Dino Correia e ele pode abandonar a cidade sem passar pelo vexame maior.
Um dos signatários do documento chamado “Compromisso de Não Matar” onde a elite local se comprometia a “(...) evitar toda espécie de vinganças contra qualquer cidadão, ficando sujeito as penas de lei e sem amparo de nenhum de nós todo aquele que transgredir esta cláusula (...)” foi o fazendeiro Plácido Gusmão Mendes, neto do patriarca da família Gusmão.
Este personagem nos interessa genealogicamente, pois ele foi casado com Lúcia de Oliveira Ferraz. A filha do casal, Marcelina de Oliveira Ferraz Mendes casou-se com o fazendeiro Antonio Vicente de Andrade, e teve a filha Lúcia Mendes de Andrade, que do casamento com o comerciante Adamastor Bráulio da Silva Rocha, teve o cineasta Glauber Rocha e a atriz Anecy Rocha (1942-1977), que foi o mote para escrever este pequeno artigo, mostrando o mundo sertanejo com suas vinganças bíblicas e também a sua expectativa messiânica da construção de um mundo justo.


NA FOTO: Lucia Mendes de Andrade Rocha e o filho Glauber Rocha. Fonte: http://tabernadahistoriavc.blogspot.com/2010/11/genios-famosos-3.html

quarta-feira, 1 de junho de 2011

SOBRENOMES USADOS POR JUDEUS NA ESPANHA CONFORME D. LUIS DE SALAZAR Y CASTRO

O genealogista espanhol D. Luis de Salazar y Castro (1658-1734) estudou a genealogia de muitas famílias judias que se converteram ao Catolicismo na Espanha.
No INDICE DE LA COLECCIÓN DE D. LUIS DE SALAZAR y CASTRO, volume XVII, organizado por Baltasar Cuartero y Huerta e Antonio de Vargas-Zùñiga (Madrid, 1956), são citadas algumas destas famílias.
v. http://www.rah.es/biblioteca.htm
Nº DOC. SOBRENOME ORIGINAL NATURALIDADE SOBRENOME ADOTADO

29469 Acavel Zaragoza Santa Fé
29472 Almazán Borja
29475 Azcocas Zaragoza Vidal
29464 Caballería Zaragoza
29470 Chamorro Zaragoza Clemente
29476 Conejo Zaragoza
29473 D. Perafón Calatayud López de Villanova
29465 Jamilo Calatayud
29468 Levy Soria Garcia de Santamaría
29463 Sánchez Zaragoza
29466 Trueba Alisbano Huesca Del Río
29474 Uctón Calatayud Garcia de los Moros
29467 Valaquen Alcañiz Santafé