Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

sábado, 30 de abril de 2011

DOIS "INQUISIDORES" EM S. PAULO: LLORENTE e BORBÓN





Como se vestia um alto personagem da Inquisição?
Qual a aparência destes homens que detinham tanto poder?
Há dois retratos destes figurões, pintados por Francisco Goya (1746-1828), no acervo do MUSEU DE ARTE DE S. PAULO (MASP) ASSIS CHATEAUBRIAND, na Avenida Paulista nº 1578.
O primeiro retrato é de D. JUAN ANTONIO LLORENTE (1756-1893), Comissário do Santo Ofício espanhol, que pretendendo reformar a Inquisição, teve que expatriar-se na França. Escreveu um livro em quatro volumes denunciando a instituição: Histoire Critique de L´Inquisicion Espagnole (1817/8). Estes relatos seriam responsáveis pela “Leyenda negra” que fixou-se a Espanha.
O segundo “inquisidor” é o cardeal D. LUÍS MARÍA DE BORBÓN y VALLABRIGA (1777-1823), pertencente ao Santo Oficio e que foi um dos signatários do decreto que terminou com a Inquisição espanhola em 1808.
Os dois retratos estão no MASP e merecem ser vistos.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

ODMAR BRAGA, UM POETA ENGAJADO E MILITANTE, MAS LÍRICO

Na foto: Gilberto Freyre Neto, P.V. e o poeta Odmar Braga


Quando encontro o poeta pernambucano Odmar Braga lembro-me imediatamente do marquês de Santillana, D. Iñigo López de Mendoza y de la Vega (1398-1458), poeta e soldado espanhol, por sua trajetória na vida. Ele faz verdade a frase do fidalgo espanhol: “La sciencia non embota el fierro de la lança nin face floxa la espada en la mano del caballero”. Quem ouve o lírico Odmar cantar as delícias do amor e das tristezas da herança ancestral, não deve esquecer que ele é um mestre em lutas orientais (6º Dan em Karatê) e já ganhou a vida como policial no sertão bravio. Barbudo, sólido e lento caminhando pelas ruas de Recife está atento a tudo. Ele é um poeta incômodo para a tradição lírica brasileira. É um bardo que canta por uma minoria, assim como o gaúcho Oliveira Silveira (1941-2009) cantava pelos afrobrasileiros, o pernambucano Odmar Braga canta pelos descendentes de cristãos-novos alongados pelo Sertão brasileiro. Gente invisível até os anos 70 do século passado quando alguns deles resolveram dar as costas ao altar católico. Em segredo já tinham feito isto há muito tempo.
Odmar Braga nasceu em Recife (08/11/1952), neto dos sertanejos Pinheiro, Filgueira e Braga. Para falar dele escolhi um poema de sua lavra: “Kidush com cachaça” do seu livro anterior. Através dos seus versos posso falar do poeta e de sua poesia.


Tão perto do azul do céu, / tão longe do azul do mar. / Ao D´us Alto com sua Graça,/ lechá dodi licrat calah / Hei de assentar a mesa posta / E o mais belo salmo louvar, / num compasso bem saudoso / reacender meu alegrar. / Com rapadura e tapioca, / com cuscuz de mandioca, / com o aboiar do meu rezar. / transbordando minha taça, num Kidush com cachaça, / o repartir do pão chaláh” (Lembranças, Coleção Mossoroense, Série C, volume 1260, dezembro de 2001, Fundação Guimarães Duque/Fundação Vingt-Un Rosado. p. 55).


A poesia engajada e militante de Odmar Braga deve ser lida e relida. Ela comporta várias interpretações. Aparentemente, só aparentemente, ela é muito simples, porém lendo atentamente, encontramos citações, alusões históricas e ecos de uma linhagem poética que começou em Alcabetz e chegou ao cearense Albano, que explicam o seu projeto de vida e visão de mundo.
No estilo dos Salmos ele faz conviver afirmação e negação, mostra os opostos na mesma imagem, para fortalecer a sua argumentação lírica. O poeta cearense José Albano (1882-1923), descendente de uma velha família de origem cristã-nova, usou o mesmo recurso na sua glosa do Salmo nº 137 – o do desterro babilônico: “(...) Subi à montanha azul / e desci ao verde val (...)”. Odmar usa o céu e o mar para afirmar o seu exílio. O céu, entenda-se o Transcendente, está mais perto dele que o mar.
Logo a seguir ele se apropria dos versos sacros do cabalista tessalonicense Schlomo Alkabetz (c.1500-1580) para o serviço litúrgico do Shabat: “Vem Amado meu ao encontro da noiva”. Renovando a sua crença na relação especial do Transcendente (que ele grafa incompleto como os Ortodoxos) com o Povo de Israel.
O poema continua com o desejo do cumprimento futuro (“hei..”) das regras cotidianas codificadas pelo toledano Josef Caro (1488-1575), a “mesa posta” (Shulkhan Arukh). E para mim vem o inesperado no poema, depois da Ortodoxia, de crenças e costumes judaicos, ele traz a mestiçagem brasileira, introduzindo a rapadura, a tapioca e a cachaça no banquete de seus versos. Para mim o desfecho é uma advertência para os pesquisadores de história dos descendentes dos cristãos-novos: eles não devem usar como parâmetro os hassidim (judeus ortodoxos da Europa Oriental) – não podem esquecer que o Brasil é um país mestiço.
Apesar de trazer a mais velha cidade portuguesa como parte do seu nome (Braga, a Bracara Augusta romana), o poeta Odmar muitas vezes se expressa em Ladino, a língua dos judeus oriundos do Império Otomano, que levaram o português e o espanhol para aquelas plagas e fertilizaram-nos com o hebraico, turco, árabe, etc. É uma forma dele legitimar-se, de inserir-se no mundo judaico além-mar, usando uma das muitas línguas de uso e segredo dos judeus sefarditas. O seu último livro, “Rekodros de mis rekodros” (2011) dialoga com poetas judeus espalhados pelo mundo, como Ernesto Kahan, Margalit Matitiahu, Matilda Koen-Sarano, Denise León, Haim Vitali Sadacca, dentre outros.
Odmar é também um grande contador de causos. Na última vez que estivemos juntos comemos um agulha (peixe) em Olinda e passamos uma tarde discorrendo sobre as velhas linhagens do Sertão (que ele conhece quase todas) e uma montagem transgressora de Jean Genet. Odmar Braga é surpreendente, tanto como causeur e claro como um poeta de Israel no Sertão brasileiro.

GENEALOGIA CRISTÃ-NOVA (V): CAMILO CASTELO BRANCO (1825-1890)





1. CAMILO FERREIRA BOTELHO CASTELO BRANCO, Visconde de Correia Botelho, nasceu em Lisboa e morreu em S. Miguel de Seide, suicídio (16 de março de 1825 – 01 de junho de 1890). Romancista.



PAIS:
2. MANUEL JOAQUIM BOTELHO CASTELO BRANCO morreu em Lisboa (17 de agosto de 1778 – 22 de dezembro de 1835). Cadete do Egimento de Cavalaria nº 12 e funcionário dos Correios.
3. JACINTA ROSA DO ESPÍRITO SANTO.



AVÓS (PATERNOS):
4. DR. DOMINGOS JOSÉ (“Bexigas”) CORREIA BOTELHO, Sr. da Quinta de Montezelos, nasceu e morreu em Vila Real (1741 – 23 de junho de 1809). Juiz em Cascais e Viseu.
5. RITA TERESA MARGARIDA PRECIOSA DA VEIGA CALDEIRÃO CASTELO BRANCO nasceu em Cascais (1748 – 28 de novembro de 1826).
BISAVÓS (PATERNOS):
8. MANUEL (“Brocas”) CORREIA BOTELHO nasceu e morreu em Vila Real (22 de abril de 1714 – 16 de janeiro de 1801). Escrivão.
9. MARIA DE CARVALHO E MENEZES.
10. CAPITÃO JOSÉ PEREIRA DA SILVA.
11. TERESA INÁCIA JOAQUINA CASTELO BRANCO.



....OUTROS ANCESTRAIS.
16. DOMINGOS (“Brocas”) CORREIA BOTELHO (1672 - ?). “Picheleiro” (fabricante de canecas) e vendedor ambulante.
17. ARCANGELA FERNANDES.
18. FRANCISCO MARTINS MENEZES, cristão-novo.
19. LUISA RABELO DE CARVALHO.
22. DIOGO LUÍS DE MESQUITA CASTELO BRANCO.
23. ISABEL DE MATOS.
32. LÁZARO DA COSTA (1606 -1683). Chefiou o clã cristão-novo dos “Barbados do Açougue”. Era açougueiro e comprador de gado.
33. FRANCISCA MENDES.
34. JOÃO LOPES.
35. FILIPA FERNANDES
44. JOSÉ FERRÃO CASTELO BRANCO.
45. FILIPA DE MESQUITA.
64. MARTINHO MACHADO PINTO nasceu em Vila Real (1586 - ?). Mestre de Campo dos Auxiliares de Vila Real. Cavaleiro da Ordem de Santiago.
65. ISABEL MENDES, a “Barbada”. Cristã-nova.
66. ANTONIO MENDES.
67. ANA BARREIRA
128. DOMINGOS RODRIGUES PINTO nasceu em Vila Real (1566 – 1643). Mercador.
129. ISABEL MACHADO BOTELHO (ou MALRASCA). Filha de Martim Fernandes Malrasca e Inês Machado, moradores de Parada de Cunhos, Vila Real.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

GENEALOGIA JUDAICA (XVI): CAO HAMBURGER


1. CARLOS (“Cao”) IMPÉRIO HAMBURGER nasceu em S. Paulo (1962). Cineasta.


PAIS:


2. Dr. ERNST WOLFGANG HAMBURGER nasceu em Berlim (08/06/1933). Físico e professor universitário (USP).

3. Drª AMÉLIA IMPÉRIO nasceu e morreu em S. Paulo (12/07/1932 – 01/04/2011). Física e professora universitária (USP). Irmã do cenógrafo e arquiteto FLAVIO IMPÉRIO (1935 – 1985).


AVÓS:

4. Dr. HANS HAMBURGER nasceu em Posen e morreu em S. Paulo (27/03/1891 – 06/09/1953). Soldado na I Guerra Mundial condecorado com a “Cruz de Ferro” (perdeu o braço esquerdo em combate). Juiz. Expatriou-se em setembro de 1936 para S. Paulo. Dirigente comunal (Congregação Israelita Paulista).

5. CHARLOTTE MARGARETE LIEPMANN, morreu em S. Paulo (18/12/1899 – 25/07/1977). Fundadora do Lar das Crianças (CIP).

6. DOMINGOS IMPÉRIO nasceu e morreu em S. Paulo (19/05/1889 – 15/06/1952). Ourives. 7. HELENA FAUSTO nasceu e morreu em S. Paulo (30/03/1908 – 27/04/2004).


BISAVÓS:


8. NAPHTALI HAMBURGER.

9. IDA LICHTENSTEIN.

10. DR. HUGO PAUL CARL LIEPMANN (1856 – 1932). Médico neurologista.

11. AGATHE BLEICHRÖEDER nasceu e morreu em Berlim (1871 – 1933).

12. ANTONIO IMPÉRIO.

13. AMÉLIA COLONA.

14. ERNESTO FAUSTO.

15. ANGELINA RIZZO.


OUTROS ANCESTRAIS...


20. LOUIS LIEPMANN nasceu e morreu em Berlim (1816 – 1906). Filho de um empresário têxtil e fundador de um banco. O seu primo Rudi Liepmann foi envolvido no assassinato do político Karl Liebknecht (1871 – 1919).

21. FANNY PLAUT nasceu em Nordhausen e morreu em Berlim (1830 – 1908).

22. JULIUS BLEICHRÖEDER (1828 – 1907). Irmão do barão GERSON von BLEICHRÖEDER (1822-1893), o homem mais rico da Prússia. Dirigiram o banco fundado pelo pai.

23. ADELHEID ..........

42. HERZ KUSEL PLAUT nasceu em Reichsachsen e morreu em Nordhausen (1784 – 1837).

43. CAROLINE BLACH nasceu em Abterode e morreu em Nordhausen (1800-1855).

44. SAMUEL BLEICHRÖEDER nasceu em Wriezen e morreu em Berlim (15/07/1779 – 30/12/1855). Fundador do BANCO S. BLEICHRÖEDER em Berlim (1803). Sócio dos Rothschild. 84. KUSEL JACOB PLAUT nasceu e morreu em Reichensachsen (1740 – 1824).

85. JETTCHEN .................

86. MEIR SAMUEL BLACH.

87. JETTCHEN PLAUT.

168. JACOB JEHUTIEL PLAUT.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

GENEALOGIA BRASILEIRA (III): OSCAR NIEMEYER


1. OSCAR RIBEIRO DE ALMEIDA DE NIEMEYER SOARES nasceu no Rio de Janeiro (15/12/1907). “Patrono da Arquitetura Brasileira” (Lei nº 11.117, 18/05/2005).

PAIS:


2. OSCAR NIEMEYER SOARES (1873 - 1959).

3. DELFINA (“Filoca”) RIBEIRO DE ALMEIDA nasceu em Nova Friburgo e morreu no Rio de Janeiro (1879 – 1932).


AVÓS:


4. NICOLAU HENRIQUE SOARES (1828 – 1877), artesão e tipógrafo.

5. FRANCISCA AMÉLIA DE NIEMEYER (1846 – 1879).

6. ANTONIO AUGUSTO RIBEIRO DE ALMEIDA nasceu em Maricá e morreu no Rio de Janeiro (1838 -1919). Ministro do STF.

7. MARIA EUGÉNIA VEIGA RIBEIRO DE ANDRADE, prima do marido.


BISAVÓS:


8. Alferes NICOLAU HENRIQUE SOARES

9. LUIZA MARIA DE SANT´ANA SILVA

10. JOAQUIM CARLOS DE NIEMEYER nasceu no Porto e morreu no Rio de Janeiro (1818 – 1886).

11. ANA VITÓRIA DE MENDONÇA NIEMEYER nasceu em Fortaleza e morreu no Rio de Janeiro (1826-1904).

12. Comendador MANUEL RIBEIRO DE ALMEIDA.

13. ANA ALEXANDRINA DE JESUS.

14. Major JOAQUIM RIBEIRO DE ALMEIDA

15. DELFINA EUGENIA DA VEIGA.



OUTROS ASCENDENTES:


20. Tenente-coronel CARLOS CONRADO DE NIEMEYER.

21. FRANCISCA AMÁLIA TEIXEIRA nasceu em Guimarães (1799-1883).

22. Coronel CONRADO JACOB DE NIEMEYER nasceu em Lisboa e morreu no Rio de Janeiro (1787 – 1862).

23. TERESA XAVIER DE MENDONÇA.

30. JOÃO PEDRO DA VEIGA. Irmão do político Liberal EVARISTO DA VEIGA (Rio de Janeiro, 1799 – idem, 1837), autor do “Hino da Independência”.

31. JOAQUINA ROSA DA CONCEIÇÃO.

40/44. Coronel CONRADO HENRIQUE von NIEMEYER nasceu em Hanover e morreu em Lisboa (1761 – 1806).

41/45. FIRMINA ANGÉLICA DE SANTO AGOSTINHO, filho de MANUEL CORREIA DANTAS e SEBASTIANA GERTRUDES.

60. FRANCISCO LUÍS SATURNINO DA VEIGA nasceu em Lisboa e morreu no Rio de Janeiro (1771 – 1841). Professor e livreiro.

61. FRANCISCA XAVIER DE BARROS, filha de DOMINGOS CARDOSO DE BARROS.

80. Tenente-general (de Cavalaria) JACOB KONRAD von NIEMEYER nasceu em Hanover e morreu em Northeim (1730 – 1808).

81. MARGARETHE ELISABETH von BIGUER.



BIBLIOGRAFIA: BARATA, Carlos Eduardo de Almeida; CUNHA BUENO, Antonio Henrique da. Dicionário das famílias brasileiras, I-II. S. Paulo: IberoAmerica, 2000.