Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

quarta-feira, 23 de março de 2011

ANOTAÇÕES SOBRE O ARTIGO "Los San Román de Zamora: del siglo XV hasta nuestros dias" de MATILDE GINI DE BARNATÁN



No III Congreso de Cervantes y Sefarad em 1997 a pesquisadora Matilde Gini de Barnatán trouxe a história da família espanhola San Román de Zamora e as suas ligações com o judaísmo. A história começou com D. Francisco de San Román, “vecino de Zamora”, funcionário do rabino Abraham Senior e a sua missão junto a Arias Dávila, outro converso importante.


O artigo resultante da apresentação, “Los San Román de Zamora: Del siglo XV hasta nuestros dias” (MAGUÉN-ESCUDO, Revista trimestral de la Associación Israelita de Venezuela, nº 144, Julio-septiembre 2007, pp. 16-33) tem dois tempos. No primeiro ela fala das relações de D. Francisco de San Román (homônimo do primeiro espanhol queimado como “luterano” em 1544) com estes personagens já citados, usando a documentação da época. No segundo momento, já utilizando a técnica da história oral, ela vai a Zamora e reencontra os San Román, surpreendentemente alguns deles continuam ligados a velha herança familiar. A sua informante é Maria Manuela Rodríguez Fernández, que relata que os seus tios David e Antonio de San Román recebiam o português Artur Mirandela durante os anos da Guerra e rezavam secretamente numa sala fechada da casa.


Como sou um genealogista especialista em famílias cristãs-novas portuguesas trago mais informações que podem enriquecer o belo trabalho de Matilde Gini de Barnatán e até fornecer novos rumos para esta pesquisa.


1. ARTUR MIRANDELA é o pseudônimo de Artur Augusto das Neves, que nasceu em Valpaços e morreu em Matosinhos (1900 – 1964). Ele pertencia a uma família de origem cristã-nova de Vilarinhos dos Galegos. Foi um dos membros da “Obra do resgate”, movimento de reinserção dos descendentes de cristãos-novos ao judaísmo rabínico, liderado pelo capitão Artur Carlos de Barros Basto (1887-1961). Trabalhou como tesoureiro no Banco de Portugal em Bragança, ao lado de José António Furtado Montanha (1882 - 1976), presidente da comunidade israelita local. Teve papel destacado no acolhimento de refugiados estrangeiros em Portugal.

2. No livro “Uma família de cristãos-novos em Bragança. Cinco séculos de história” (Bragança: edição do autor, 2007), vol. II, de Filipe Pinheiro de Campos, na página 906, há o registro de casamento de ALEXANDRINA BEATRIZ LOPES NAVARRO, filha de Antero Artur Lopes Navarro (1867-1949), secretário do Governo Civil de Bragança e de Maria da Assunção Vaz (1877-1953), descendente de relevante família de origem cristã-nova estabelecida em Lagoaça. O noivo é o espanhol MANUEL INOCÊNCIO FREDERICO SAN ROMÁN GONZÁLEZ, natural de Puebla de Zanabria e chefe do Departamento Nacional do Auxilio Social em Madrid, filho de Manuel San Román Sánchez e Maria Dolores González.


Percebe-se que Artur Mirandela foi um membro categorizado do criptojudaismo trasmontano, bastante envolvido nas atividades “proselitistas” da “Obra do resgate” e podia estar numa missão destas junto aos San Román.


No artigo há menção sobre a endogamia dos San Román e os seus aparentados. Esta informação se fortalece com o registro deste casamento. O descendente de cristãos-novos espanhóis que vai encontrar a sua esposa numa velha família de cristãos-novos penitenciados pela Inquisição no outro lado da fronteira. Todas estas informações fornecem indicativos de que estas relações eram profundas e estavam baseadas numa cultura comum e na rede de parentesco que chegou até o século XX.


FOTO: Na capa da revista HaLAPID, órgão da “Obra do resgate”, estão: Luís J. de Carvalho, capitão Barros Basto e ARTUR MIRANDELA, o terceiro em pé. Sentados: capitão Jaime Borges (da família do escritor argentino Jorge Luís Borges), rabino Baruch Ben-Jacob e Furtado Montanha.

Um comentário:

  1. Minha familia e Sanromán o tataravo do meu avo era conde e meu avo se chama Argentino Sanromán Amuedo e é escrito e poeta E Fais parte do clube dos trovadores da Bahia.nascido na Espanha filho e neto de Espanhol. se querem saber mais meu imail é davi.004@hotmail.com (face,orkut e msn)

    ResponderExcluir