Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

DOMINUS PLINIUS: UM SONHADOR DE SECRETAS REDENÇÕES (excerto de "A Presença Oculta")


Na literatura de Jorge Luís Borges (1899-1986), o brasileiro Antonio Conselheiro (1828-1897) aparece como um “sonhador de secretas redenções”. Creio que o título cabe também ao advogado Plinio Corrêa de Oliveira, carmelita e descendente de cristãos-novos, que é mais conhecido como líder anti-comunista, fundador da TFP, mas pouco se diz do criador de uma sociedade secreta e mística destinada a cultivar uma escatologia messiânica. Aqui não me interessa a dimensão política desta sociedade, mas a sua porção religiosa, notadamente os seus elementos simbólicos que a legitimam e lhe dão identidade[1].
Plínio Corrêa de Oliveira nasceu em S. Paulo (1908-1995), filho do advogado João Paulo Corrêa de Oliveira e Lucília Ribeiro dos Santos. O pai era originário da açucarocracia pernambucana (sobrinho do Conselheiro João Alfredo, chefe do gabinete que aboliu a escravidão no Brasil) e a mãe da burguesia letrada paulistana. Tanto pelo lado paterno, quanto no materno, há registros de cristãos-novos entre os seus ancestrais, com destaque para o Dr. Álvaro Nunes, que no séc. XVI, fugiu da cidade do Porto para incorporar-se a comunidade judaica de Amsterdã, ancestral dos Bezerra de Menezes, cujo sangue lhe chegou pela avó paterna, Rosenda Cândida Bezerra de Menezes, da mesma família dos místicos nordestinos, Padre Cícero Romão Baptista (1844-1934) e Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti (1831-1900), pioneiro do Espiritismo brasileiro. Há também na sua linhagem um número expressivo de familiares ligados a Ordem Terceira do Carmo desde o séc. XVIII. Vivendo entre a parentela materna, ele foi educado como muitos da elite paulistana, com governanta alemã (Mathilde Heldmann), estudos num colégio jesuíta (S. Luís) e na Faculdade de Direito no Largo de S. Francisco[2].
Na década de vinte, Plínio Corrêa de Oliveira atravessou uma crise espiritual provocada pela morte acidental (ou por suicídio) de seu primo José Ribeiro dos Santos, conhecido na família como Reizinho, que também fora seu colega no Colégio S. Luís. Esta morte e também o ambiente político da época, levaram-no a optar pelo catolicismo. Giulio Folena, um dissidente da TFP, chamou esta adesão religiosa de “conversão”, pois a sua família era de Maçons e Liberais. A fortuna familiar, baseada na cafeicultura, foi abalada com a crise de 1929. Neste momento ele tornou-se um dirigente da poderosa Congregação Mariana, do jornal arquidiocesano O Legionário e junto aos cariocas Alceu de Amoroso Lima e Heitor da Silva Costa, este, o arquiteto que projetou a estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro, fundaram a Liga Eleitoral Católica. Na Assembléia Constituinte de 1934, ele foi o representante católico, sendo o deputado mais votado no estado. Graças ao sucesso eleitoral, mas também pelas relações familiares (o seu bisavô, Dr. Gabriel dos Santos, foi uma notabilidade na Faculdade de Direito paulistana e um dos líderes da Revolução Liberal de 1842)[3], ele foi nomeado professor no Largo de S. Francisco.
Foi assim que a sua carreira tomou um caminho singular. Ele aglutinou em sua volta um grupo de seguidores, de variadas origens sociais e religiosa, que recebeu o nome de Grupo Joseph de Maistre e que em 1960 mudou para Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, da Família e da Propriedade. Dedicando-se tempo integral a construção desta sociedade o seu pensamento foi se tornando tão pessoal, a ponto de causar estremecimento e rompimento com o catolicismo regular. Já o primitivo nome da sociedade é uma pista para a identificação das fontes que contribuiram para a sua formação. Joseph de Maistre (1753-1825) é mais lembrado como um filósofo cujo pensamento é uma matriz dos fascismos europeus, porém o seu misticismo foi bebido em grupos martinistas, que ele freqüentou por mais de quarenta anos. Estes grupos foram organizados pelo ocultista franco-ibérico Martínez de Pasqually, de ascendência cristã-nova portuguesa ou espanhola, em forma de lojas maçônicas ou sociedade iniciáticas sob o nome genérico de Ordem dos Eleitos Cohen, para a difusão de sua doutrina gnóstica.[4] A este pensamento heterodoxo, Plinio Corrêa de Oliveira, juntou a devoção carmelita, formando assim o corpo central de sua doutrina. Não é meu propósito estudar aqui a doutrina criada por ele, mas a existência de elementos culturais judaicos nesta associação católica, sem que judeus pertencessem a ela, porém, tendo vários descendentes de cristãos-novos em sua direção.
Tudo foi meticulosamente preparado para dar uma identidade ao grupo. Para uma sociedade iniciática os símbolos são muito importantes no cotidiano. Isto era claro até para os recém-chegados. “Todos os móveis e objetos contém significados imperceptíveis aos olhos de um leigo” --- registrou um deles[5]. Pois estes símbolos não eram de fácil decodificação e muitos tinham dupla interpretação, uma para uso comunitário e outra para o exterior. A cruz de seus uniformes era um destes símbolos dúplices. Enquanto o mundo via apenas o símbolo cristão, os membros do grupo reconheciam nele, “o tau, o sinal dos eleitos”, um símbolo cabalístico judaico, baseado no profeta Ezequiel[6]. No séc. XVII, Francisco Manoel de Melo (1608-1666), descendente de cristãos-novos que viveu na Bahia, já fizera a mesma relação entre a cruz cristã e o tau hebraico[7]. Também a linguagem verbal da sociedade era baseada neste jogo de esconder para revelar. [Era] “constituida por termos herméticos, introduzidos para só serem compreendidos pelos iniciados; por vezes ambíguos, possuem um sentido diferente do verdadeiro, que só será “captado” por alguém “entrosado”. Este sentido “diferente” tem como objetivo único enganar os não-entrosados, escondendo-lhes a verdadeira idéia que o termo comunica”[8].
O símbolo da sociedade foi o leão, claramente o animal totêmico da tribo de Judá, “the most popular animal in Jewish art[9], significando a luta contra o mal, no caso da sociedade, o mal é uma conspiração “judaico-maçônica” para destruir a pureza da Igreja e a sociedade hierarquizada, cujo modelo ideal é a européia na Idade Média. O inimigo “judaico-maçônico” (sic), não é o que parece ser. Não é o judeu biológico, vamos chamar assim, mas o que eles identificaram como “judeus”: os Papas desde Pio X (Paulo VI foi o maior “judeu” segundo eles) e o clero liberal, o capital financeiro, o protestantismo, a sociedade moderna americanizada, a República, a imprensa hostil...etc., etc. Para complicar as interpretações, o leão é usado num estandarte, exatamente como nas lojas maçônicas[10].
A divisão social dos adeptos, no jargão da sociedade, entre membros das “principais famílias de S. Paulo” e o “3º Estado” (formado por filhos de imigrantes italianos), os diferentes graus de comprometimento com a seita, levaram-na a ter várias casas de reuniões, desde reuniões para a atração de adeptos até os êremos e camáldulas, para a praxis religiosa secreta. Nestas casas havia um elemento comum a todas, uma cadeira em forma de trono, chamada exatamente como na vida judaica, “cadeira de Elias[11], onde em ocasiões solenes, o seu líder vestido com o hábito e o manto da Ordem Terceira do Carmo, comandava as cerimônias. Não há no catolicismo regular nada parecido.
O último grau de iniciação foi alcançado por um pequeno grupo de escolhidos chamado “Sempreviva”. São poucas as informações sobre ele. Para pertencer a este grupo o escolhido passava por várias cerimônias e depois era levado ao túmulo de Lucília Ribeiro dos Santos Corrêa de Oliveira (1875 - 1968) no Cemitério da Consolação em S. Paulo[12], que ocupava na seita um lugar intermediário entre as virgens católicas e as esposas místicas da Cabalá heterodoxa (como a esposa de Shabetai Tzvi ou a filha de Jacob Frank)[13], e alí se consagrava como escravo espiritual de seu filho. Escolhia ou recebia um hierônimo que o identificava nas cerimônias do grupo, porém era impedido de “comunicar aos demais membros da TFP a existência da “sagrada escravidão”. Há uma relação de 56 membros desta confraria e seus nomes iniciáticos. Todos se chamam Plínio e mais um segundo nome. A exceção foi o líder que adotou o hierônimo Luís Plinio Elias. A esquerda do nome, os jesuítas (homenagem a S. Luís), a direita, o profeta bíblico. Um homem dividido, pelo menos onomasticamente. Cinco deles descendem de cristãos-novos, personagens deste trabalho. Não foram contados os Príncipes Orleans e Bragança, descendentes do Barbadão de Veiros. Onze adotaram hierônimos bíblicos: Paulo Corrêa de Brito Filho, sucessor de Plinio (Plinio Jeremias); Plinio Vidigal Xavier da Silveira, descendente do último Rabino-mór de Castela (Plinio Eliseu); Mário Navarro da Costa (Plinio Elias), José Lúcio de Araújo Correia (Plinio Ezequiel), Pedro Paulo Figueiredo (Plinio Jacó), Aloísio Torres (Plinio Macabeu), Paulo César Nascimento (Plinio Henoc), João Carlos Leal da Costa (Plinio Matatias) e Francisco Xavier Tosto (Plinio Isaías)[14]. Alguns ex-membros da TFP afirmaram que quatro deles eram circuncidados (F*, M*, e mais dois outros não nominados). Não confirmo ou desminto a afirmação por não ter informações para isto. Apenas faço o registro.
Neste universo simbólico criado por ele, Plínio Corrêa de Oliveira, além de mestre de uma mensagem esotérica, era também uma figura confundida com dois grandes personagens bíblicos, Moisés e Elias. “Moisés foi um dos maiores entre os maiores profetas, o homem cuja missão era libertar os judeus, filhos eleitos de Deus, de seu cativeiro no Egito e conduzi-los a Canãa, a terra prometida. --- Afirmava categórico o doutrinador da sociedade ----A missão de Dominus Plinius pode, com segurança, ser comparada à de Moisés[15]. Já a sua relação com Elias, figura recorrente na sociedade, tem uma explicação bem distante do catolicismo regular. “Elias e João são uma pessoa só. Elias e Plínio são uma pessoa só. --- Explicou outro membro da seita ---- Logo, João e Plínio são uma pessoa só, e este é a reencarnação dos outros dois[16]. Não há reencarnação no Cristianismo. Esta identificação com os personagens bíblicos lhe deu um papel de guia para um porvir messiânico, na sua doutrina, o futuro Reino de Maria, quando o verdadeiro Catolicismo seria restaurado e ele teria uma posição ímpar, depois de liderar os católicos durante a apocalíptica “bagarre” (nome dado por eles ao caos que precede a sua época messiânica)..
Plínio Corrêa de Oliveira, o Dominus Plinius, morreu em 1995. A sua criação que chegou a ter vinte mil seguidores em vinte e seis países não resistiu a sua ausência. A sociedade abandonou a cosmologia de seu criador. Trocou o leão judaico pela cruz de S. André. Ainda hoje o imenso patrimônio amealhado por ela é alvo de renhidas disputas judiciais. Porém não se fala mais de sua crença peculiar, cujas raízes podem ser encontradas nos dias inquisitoriais, inclusive da sociedade criada por ele. Muito parecida com as confrarias estabelecidas por cristãos-novos e depois dissolvidas pela Inquisição. Onde o “culto” a um parente foi o elemento central na sua formação e a isto se agregava uma simbologia oriunda da cultura cristã-nova. Muito parecida com a confraria de Santo Antonio [Homem], que homenageava o irmão assasinado pela Inquisição de Gonçalo Homem de Almeida ou a de Santa Teresa na Bahia, em louvor a filha dos Ulhoa, família que conta entre os seus descendentes contemporâneos, Paulo de Barros de Ulhoa Cintra, também membro destacado da TFP, mas considerado entre eles como espião da Bucha, a maçonaria acadêmica paulista[17].


NOTAS
[1] Agradeço a alguns membros e também dissidentes da TFP por entrevistas que nos concederam. Dentre estes interlocutores, destaco o Dr. Orlando Fedeli (1933-2010), dissidente do grupo original, que nos autorizou a menção do seu nome.
[2] Para uma biografia de Plinio Corrêa de Oliveira, leia-se “Plinio Corrêa de Oliveira. Um resumo biográfico”, de Elói de Magalhães, Catolicismo nº 610, outubro de 2001, pp. 17-27; “Plínio Corrêa de Oliveira. Um homem de fé, de pensamento, de luta e de ação”, FSP, 11-10-1995, pp. 1-12-13, obituário publicado pela TFP.
[3] S.A. Sisson, Galeria dos brasileiros ilustres, pp. 143-150, traz uma biografia e retrato de Gabriel José Rodrigues dos Santos (1816-1858).
[4] Joachim Martinez de Pasqually, ao que tudo indica nasceu na França de pai cristão-novo espanhol ou português, talvez em 1715 e morreu em 1774. Sob a influência cristã-nova na sua doutrina leia-se: Pinharanda Gomes, A Filosofia Hebraico-Portuguesa, pp. 364-380
[5] José Antonio Pedriali, Guerreiros da Virgem. A vida secreta na TFP, p. 45.
[6] José Antonio Pedriali, ob. cit., p. 45.
[7] D. Francisco Manoel de Mello, Tratado da Ciência Cabala ou Notícia da Arte Cabalística, pp. 136-7.
[8] Giulio Folena, Escravos do Profeta, p. 125.
[9] Freema Gottlieb. Mystical stonescapes of Prague Jewish town and czech countryside, p. 24.
[10] São quatro estandartes dispostos numa loja maçônica, que “representam, respectivamente: o Homem, o Leão, o Boi, a Águia. Esses quatro símbolos correspondem às tribos de Rubem, de Judá, de Efraim e de Dan, indicados no Livro de Números como as líderes das quatro divisões do exército de Israel”. V. Alec Mellor, Dicionário de Franco-Maçonaria e dos Franco-Maçons, p. 112.
[11] Shulhan Aruk, Milah, 265, 11 (comp. Kol Bo, 73).
[12] O jazigo da família Ribeiro dos Santos, em função de Lucília, recebe diariamente um número grande de devotos que baseados no culto incentivado pela TFP, prestam-lhe devoção como a uma “santa”. Plinio Corrêa de Oliveira repousa alí sob a inscrição latina: “Vir totus catholicus et apostolicus plene romanus”. É comum encontrar entre os que lá rezam dois príncipes da Casa Real e Imperial do Brasil. Ele fica no final da Rua Um, na mesma rua, onde também estão outros dois túmulos de devoção popular: o do espírita português Batuíra (António Gonçalves da Silva, 1839-1909) e o da Marquesa de Santos (Domitila de Castro Canto e Melo, 1797-1867).
[13] Alfredo Gartenberg, Jacob Frank, o messias da sargeta (romance histórico), pp. 152-4, 283.
[14] Giulio Folena, ob. cit., pp. 175-7.
[15] José Antonio Pedriali, ob. cit., p. 87.
[16] Giulio Folena, ob. cit., p. 108.
[17] Bucha ou B:.P:. (do alemão Burschenschaft, confraria dos camaradas). Sociedade secreta e iniciática. Teria sido criado pelo misterioso refugiado alemão “Júlio Frank” (1811-1841) na Faculdade de Direito paulistana. O seu objetivo era formar quadros para a política nacional. Os bucheiros eram recrutados entre os melhores alunos. Pertenceram a ela: Rui Barbosa, Barão do Rio Branco, Pinheiro Machado, David Campista, Júlio Mesquita Filho, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Campos Sales, Venceslau Brás, Washington Luís, Artur Bernardes, dentre tantos. O último chaveiro (chefe supremo) teria sido o embaixador José Carlos de Macedo Soares. Sobre o tema leia: Afonso Arinos de Melo Franco, Rodrigues Alves. Apogeu e declínio do Presidencialismo (Brasília: Senado Federal, 2001), pp. 102-113.

domingo, 26 de dezembro de 2010

GENEALOGIA JUDAICA (XIV): CONDE NISSIM DE CAMONDO (1892-1917)


1. CONDE NISSIM DE CAMONDO, nasceu em Paris e morreu em combate, ao ser derrubado o seu avião em Avricourt (23/07/1892 – 05/09/1917). Piloto e tenente de infantaria.


PAIS:
2. CONDE MOÏSE DE CAMONDO, nasceu em Constantinopla e morreu em Paris (26/02/1860 – 14/11/1935). Banqueiro e colecionador.
3. IRENE CAHEN D´ANVERS, n. em Bougival e morreu em Paris (20/09/1872 – 25/11/1963).


AVÓS:
4. CONDE NISSIM DE CAMONDO, nasceu em Constantinopla e morreu em Paris (10/09/1830 – 27/01/1889). Banqueiro.
5. ELISE FERNANDEZ, nasceu em Salonica e morreu em Paris (04/08/1840 – 18/06/1910).
6. CONDE LOUIS RAPHAEL CAHEN D´ANVERS, nasceu em Antuérpia e morreu em Paris (24/05/1837 – 20/12/1922). Banqueiro.
7. LOUISE DE MORPURGO, nasceu em Trieste (1845 – 1926).


BISAVÓS:
8. CONDE SALOMON RAPHAEL DE CAMONDO, nasceu e morreu em Constantinopla (1810 – 18/12/1866). Banqueiro.
9. ESTHER FUÁ, nasceu em Constantinopla e morreu em Paris (814-1880).
10. MOÏSE FERNANDEZ (Fernandes Dias).
11. .................. ALLATINI.
12. CONDE MEYER JOSEPH CAHEN D`ANVERS, nasceu em Bonn e morreu em Chateau Nainville lês Roche (25/02/1804 – 11/09/1881). Banqueiro.
13. CLARA BISHOFFSHEIM (1810-1876).
OUTROS ANCESTRAIS....
16. CONDE ABRAHAM SALOMON DE CAMONDO, nasceu em Veneza e morreu em Paris (1780 – 30/03/1873). Banqueiro.
17. CLARA LEVY, nasceu e morreu em Constantinopla (1810 – 18/12/1866). Filha de HAIM SHABETAI YEHUDA LEVY.
18. NISSIM FUÁ.
19. LÉA TREVES.
22. DR. LAZARE ALLATINI (1776 – 1834), filho de MOÏSE ALLATINI, de Livorno.
23. ANNA MORPURGO, filha de DAVID MORPURGO.
24. JOSEPH LAMPRECHT CAHEN, nasceu em Bonn (1763).
25. SOPHIE SCHEUER (17777-1835).
26. RAPHAEL NATHAN BISHOFFSHEIM, nasceu em Bishoffsheim e morreu em Mainz (1773 – 22/01/1814).
27. HELENE CASSEL, morreu em 1830.

GENEALOGIA JUDAICA (XIII): ARTHUR OCHS SULZBERGER (1926)



1. ARTHUR OCHS SULZBERGER, nasceu em Nova York (05/02/1926). Militar e publisher do New York Times.


PAIS:
2. ARTHUR HAYS SULZBERGER (12/09/1891 – 11/12/1968). Publisher do New York Times.
3. IPHIGENE BERTHA OCHS (19/09/1892 – 1990).


AVÓS:
4. CYRUS LINDAUER SULZBERGER, nasceu e morreu em Filadélfia (11/07/1858 – 03/04/1932). Negociante de algodão e líder comunitário judaico.
5. RACHEL PEIXOTTO HAYS (26/01/1861 – 11/02/1938).
6. ADOLPH SIMON OCHS, nasceu em Cincinatti e morreu em Chattanoga (12/03/1858 – 08/04/1935). Publisher do New York Times.
7. IPHIGENE “(EFFIE”) MIRIAM WISE (1860 – 06/05/1937).


BISAVÓS:
8. LEOPOLD SULZBERGER (20/09/1805 – 09/10/1881).
9. SOPHIE LINDAUER, nasceu em Jebenhausen, Alemanha (1830 - ?).
10. DAVID SOLIS HAYS (1820 – 1897), farmacêutico.
11. JUDITH SALZEDO PEIXOTTO (1823 – 1881), professora.
12. JULIUS OCHS.
13. BERTHA LEVY.
14. RABINO ISAAC MAYER WISE, nasceu em Steingrub, Boêmia e morreu em Cincinatti (29/03/1819 – 26/03/1900). Fundador do Movimento Reformista.
15. THERESE BLOCH.


OUTROS ANCESTRAIS:
20. BENJAMIN ETTING HAYS (1779-1858).
21. SARAH MYERS
22. DR. DANIEL LEVY MADURO PEIXOTTO (1799-1843). Médico e diretor da Faculdade de medicina da Universidade de Columbia.
23. RACHEL MENDEZ SEIXAS
40. DAVID HAYS JR.
41. ESTHER ETTING.
44. MOSES LEVY MADURO PEIXOTTO (1767-1828), hazan (cantor litúrgico).
45. JUDITH DE SAMUEL LOPEZ SALZEDO.
46. BENJAMIN MENDEZ SEIXAS (1748-1817). Fundador da Bolsa de Nova York. Irmão do rabino Gershon Mendez seixas 91745-1816).
80. REVERENDO JACOB HAYS
81. HETTY ADOLPHUS.
88. SAMUEL LEVY MADURO (1747-1790).
89. LEAH COHEN PEIXOTTO (1743-1827).
176. MOSES LEVY MADURO
177. RACHEL LOPES.
178. DANIEL COHEN.
179. GRACIA DE ABRAHAM CAMPOS PEREIRA
256. JOSUAH COHEN PEIXOTTO
257. ESTHER DE JACOB COHEN PEIXOTTO, de Bordéus.
352. SAMUEL LEVY MADURO
353. ESTHER VIEIRA.
512. MOSES COHEN, soldado no Pernambuco Holandês.
513. RACHEL ABOAB, de Recife.
704. MOSES LEVY, falecido em 1640.
705. CLARA (“RACHEL”) RODRIGUES MADURO, nasceu em Trancoso (1596 - ?).
1024. DIOGO MENDES PEIXOTTO.
1025. ESTHER DE ABRAHAM DE LA FAYA DEL VALLE.
1410. ANTONIO RODRIGUES, o “Maduro”, nasceu em Trancoso (1570). Foi queimado como judaizante em 28 de agosto de 1616.
1411. ISABEL FERNANDES, natural de Ponte de Lima.

sábado, 25 de dezembro de 2010

GENEALOGIA JUDAICA (XII): PIERRE MENDÉS-FRANCE (1907-1982)


1. PIERRE ISAAC ISIDORE MENDÈS-FRANCE, nasceu e morreu em Paris (11/01/1907 – 18/10/1982). Doutor em Direito, Presidente do Conselho de Ministros e comandante da Legião de Honra.


PAIS:
2. CERF DAVID MENDÈS-FRANCE (1874-1957). Comerciante de roupas femininas.
3. SARA PALMYRE CAHN (1880-1968).


AVÓS:
4. JULES ISAAC MENDÈS-FRANCE (1851-1933).
5. EMILIE STRAUSS (1849-1877).
6. ISIDORE CAHN (1848-1917).
7. HENRIETTE WOLF (1853-1934).


BISAVÓS
8. DAVID MENDÉS-FRANCE (1821-1877).
9. ABIGAIL BARABRAHAM (1829-1867).
10. CERF STRAUSS (1819-1858).
11. RÉGINE LYON (1820 - ?).


OUTROS ANCESTRAIS:
16. ISAAC MENDÉS-FRANCE (1785-1859).
17. ESTHER FONSÉ QUE (1793-1844).
32. JACOB MENDÉS-FRANCE.
33. ABIGAIL ALVARES.
34. BENJAMIN FONSÉQUE (1771 - ?).
35. REBECCA ATHIAS.
64. MOÏSE JOSEPH MENDÉS-FRANCE
65. RACHEL LOPEZ
68. JACOB FONSÉQUE (1736- ?).
69. BLANCHE GARCIA
128. MARDOCHÉE JEAN MENDÉS-FRANCE (1688-1764)
129. RACHEL PEIXOTTO.
136. AARON ABOAB FONSÉQUE (1716-1772).
137. REBECCA SILVA CHACON
256. LUÍS MENDES FRANÇA, fugiu para a França em 1683, onde constituiu família e suicidou-se em 1695, com 55 anos.
257. MARIA VIVES.
272. ABRAHAM EMANOEL ABOAB DA FONSECA (1675-1740).
512. FRANCISCO MENDES DA FRANÇA, filho de Luís Mendes da França e neto de PEDRO MENDES RIBEIRO,este, filho de GASPAR MENDES DE VASCONCELOS e CATARINA RIBEIRO, e de ISABEL DE FRANÇA, filha de ÁLVARO DE FRANÇA e JOANA DE NEGREIROS.
513. ANTÓNIA FREIRE, filha de GONÇALO DA COSTA NOLANO E DIONÍSIA FREIRE.

DE JERUSALÉM PARA LISBOA, DE LISBOA PARA O SERTÃO

DE JERUSALÉM PARA LISBOA, DE LISBOA PARA O SERTÃO

Artigo publicado no BOLETIM DO AHJB, maio de 2010, nº 42, pp. 23-7.

http://www.ahjb.org.br/pdf/Boletim%20AHJB_42.pdf

Artigo em forma de síntese sobre a história dos descendentes de cristãos-novos brasileiros, desde os primeros dias até o surgimento do que se convencionou chamar de "Retorno".
Fotografias e uma tabela dos brasileiros queimados a mando da Inquisição.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

GENEALOGIA JUDAICA (XI): MARCEL DASSAULT (1892 - 1986)


1. MARCEL DASSAULT (Marcel Ferdinand Bloch), nasceu em Paris e morreu em Neuilly-sur-Seine (22/01/1892 – 17/04/1986). Engenheiro. Criou o avião Mirage.


PAIS:
2. DR. ADOLPHE BLOCH, nasceu em Estrasburgo (19/08/1843). Médico
3. NOÉMIE ALLATINI, nasceu em Salonica e morreu em Neuilly-sur-Seine (10/06/1860 – 15/09/1928). Irmã de SOPHIE (1868 – 1943), mãe do compositor DARIUS MILHAUD (1892 – 1974) e de ALFRED MOÏSE (1849 – 1901), avô da escritora ELIANE AMADO LEVY-VALENSI (1919 – 2006).


AVÓS:
4. LOUIS BLOCH (02/04/1813). Banqueiro.
5. BABETTE LÉVI (18/11/1820).
6. DARIUS DAVID ALLATINI, nasceu em Salonica e morreu em Marselha (12/04/1820 – 19/04/1887). Banqueiro. Irmão do Dr. MOÏSE ALLATINI (1809-1882) conhecido por sua generosidade como “Le père de Salonique”.
7. ANNINA FERNÁNDEZ, nasceu em Salonica e morreu em Marselha (1830 – 10/12/1897).


BISAVÓS:
8. JOSEPH BLOCH (*1789).
9. ROSALIE CERF
10. ABRAHAM LÉVI (? – 1878).
11. ........................................
12. DR. LAZARE ALLATINI (1776 – 1834), filho de MOÏSE ALLATINI, de Livorno.
13. ANNA MORPURGO, filha de DAVID MORPURGO. Lazare e Anna são bisavós do Barão MOÏSE DE CAMONDO (1860 – 1935), banqueiro, de riqueza colossal.
14. ............. FERNANDEZ DIAZ, sócios do Allatini .
15. .........................................

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

SHEMTOV ben ABRAHAM, de Barcelos, avô de Joaquim (Nabuco), de Sérgio, de Francisco (Buarque de Hollanda)....

Este Título (termo usado em genealogia para designar o estudo de um ramo familiar) é dedicado aos descendentes brasileiros de um modesto judeu da cidade portuguesa de Barcelos, que converteu-se ao catolicismo em 1497, continuou em Portugal e deixou grande descendência que se estendeu ao Brasil. É uma linhagem católica, mas onde podem ser identificados os seus primos que continuaram judeus em outras terras mais tolerantes. É interessante destacar que os dois grandes rabinos da Comunidade Judaica de Amsterdã no século XVII: o funchalense Menasseh Ben Israel (batizado como Manuel Dias Soeiro, 1604-1657) e o beirão Isaac Aboab (batizado como Simão da Fonseca, 1605-1693) também aparecem neste estudo genealógico. O Rabino Menasseh Ben Israel como um provável bisneto ou trineto de Santo Fidalgo e o Rabino Isaac Aboab como aparentado aos Fonseca Galvão pernambucanos, família que reparte a sua descendência com o judeu barcelense.

O PREÇO DA VIDA

Barcelos fica no Minho e a sua judiaria estava sob a jurisdição do Ouvidor do Rabino-Mór sediado no Porto. Não há datas para o seu estabelecimento, dela ninguém se destacou como líder ou escritor religioso e a sua importância está na imensa descendência surgida do seu escasso minian (quorum religioso de dez adultos). Desde o reinado de D. Afonso IV (1291-1357), esta comunidade estava submetida ao Senhor da Casa de Aborim, como um prêmio por seu comportamento heróico na Batalha do Salado, a quem os judeus deviam pagar tributos: no nascimento de uma filha davam a ele, duas patacas e um carneiro. Com a Conversão, não se mudou muito nestas relações, um livro reservado foi aberto para registrá-los, registrando os descendentes até o Século XVIIII, mantendo assim a exclusão social.
Para a mudança de fé, os Conversos locais compareceram frente aos juizes pedâneos Afonso Machado e Rui Gonçalves para que Baltazar de Moura de Almeida os registrasse em livro próprio da Câmara para a cobrança das fintas (impostos especiais). Com a Lei Pombalina de 1768, que destruiu o Rol das fintas ou de documentos que provassem a origem cristã-nova o manuscrito foi devolvido por Manuel Marinho, de Braga, a burocracia central sob recibo. No começo do século XIX, Joaquim Augusto Pires de Lima, soube da existência de cópia pertencente a uma Casa senhorial minhota, que manteve sob sigilo. Porém o Etnógrafo Amílcar Paulo (1929-1983) encontrou na Biblioteca Municipal, um manuscrito semelhante ao ocultado e publicou uma nota sobre ele na revista HaLapid, editada pela comunidade judaica tripeira.
No final da década de cinqüenta o Genealogista Luiz de Bivar Guerra (1904-1979) recebeu do Juiz António Sotomayor a informação de que no Processo de Habilitação para o Santo Ofício de Álvaro Barbosa Brandão Escobar Lopes de Barros, Senhor da Casa de Aborim, estava apensado o manuscrito autenticado por Manuel Marinho durante a Era Pombalina. Luiz de Bivar Guerra promoveu a conciliação deste manuscrito com a genealogia de Felgueiras Gayo, mais a cópia portuense e publicou o manuscrito anotado e comentado.

A COMUNIDADE BARCELENSE

A judiaria barcelense ficava na Rua Nova, que depois chamou-se Rua dos Lanterneiros e finalmente Rua do Rua do Infante D. Henrique.

A judiaria era fechada por dois portões de ferro ao toque do sino da oração, na Igreja matriz de Santa Maria Maior. A sinagoga estava situada no local onde hoje se ergue a Estação Telégrafo-Postal. Num dos arrebaldes da povoação estava o cemitério judaico, cujo local se não pode já identificar” (PAULO: 2).

Quando da Conversão a comunidade era pequena. Dois de seus membros eram vistos como Rabinos: Mestre Thomáz da Victória[1] e Isaac Cohen, ambos casados e com grande descendência. Os outros eram Francisco Netto e a esposa Velida Ruiva, Micol e Junca Montezinho, Velida e Isaac Rua[2], Rica e Mosén Montezinho, os castelhanos Benvinda e Junca Bencatel; Salomão Pés e sua esposa Mazaltov (filha do Rabino Cohen) e o casal Orovida e Santo Fidalgo – personagens deste ensaio genealógico. A estes judeus se integravam um grupo de cristãos-novos, como a família dos “Piolhos do Rabo”, vinda de Guimarães; dos “Salta em pé”, os “Cains” e as irmãs tripeiras de Vitória Braga.
As fronteiras étnicas já vinham sendo erodidas pelo casamento e pela conversão. A impressão é que os descendentes destes troncos judaicos tinham se integrado ao projeto da nacionalidade e religião única. Mesmo percebendo a hostilidade local, basta destacar alguns apelidos dados ao membro da comunidade para sentir este desprezo. Junte-se aos apelidos já citados, mais o “Capado” (Henrique Gonçalves, filho de Salomão Pés e neto do Rabino Cohen), os “Pintadiabos” (família de João Pires Nunes), dentre outros. Porém sessenta anos depois desta Conversão, observado o prazo da tolerância para a inserção, a Inquisição prendeu 23 cristãos-novos oriundos deste grupo. Pelos depoimentos é possível constatar que ainda restavam traços do Judaísmo nestas pessoas (GUERRA: II 187 em diante). Quase todos ainda “guordava ho sábado milhor q. pudia”, “assendia as suas candeias” e vestiam “camisas lavadas”. Lembravam-se do Yom Kippur (Dia do Perdão), “não comendo senão hua vez a noute”. Jejuavam várias vezes, o jejum da Rainha Esther e “o da destruisão do tempollo de Jerusalém” (o 9 de Av). Observavam o Pessach (Páscoa). Guiomar Fernandes casherizava (fazia a comida de acordo com as leis alimentares judaicas), “desnervava a carne”. Todos acreditavam que “não era vyndo o mexias”. Maria Zores acrescentava que “avia de vir ate ho anno de sessenta”.
O balanço da primeira investida da Inquisição é trágico. Mestre Thomas da Vitória teve uma filha, Leonor Nunes, que antes do batismo chamou-se Mazeltov, queimada viva em Coimbra em 30 de agosto de 1570. Ela já era uma velhinha. Francisco Netto teve o neto Thomas Nunes, médico em Vila do Conde, queimado em Lisboa, em 1596. O tintureiro Salomão Pés, uma bisneta queimada em 1626. Santo Fidalgo um trineto. Tragédia que se repetiria em outras gerações.
Da comunidade barcelense nos interessa Santo Fidalgo e a sua família. Só duas fontes documentam a sua presença, o registro no “tição” reservado aos cristãos-novos de Barcelos e os papéis da Chancelaria de D. Manuel (1469-1521)[3]. Tínhamos até aquela altura o seu nome de judeu, Santo Fidalgo e mais o seu nome de cristão-novo, mas nos faltava o seu nome religioso usado na chamado a leitura da Torah. Sabendo que muitas vezes o nome civil (kinnui) é correspondente do nome religioso, logo encontramos o par onomástico: Santo é a forma civil de Shemtov[4]. A partir do nome de seu primogênito, Abraham, que é sempre do avô paterno entre os sefarditas, deduzimos o seu patronímico, Ele se chamava Shemtov b. Abraham na sinagoga, Santo Fidalgo no cotidiano e mais tarde com a conversão, Diogo Pires. A sua esposa chamou-se Orovida (o escrivão anotou Oro Inda) e tiveram quatro filhos, dois homens e duas mulheres, Abraham, que depois de batizado chamou-se Gonçalo Dias, Esther (no manuscrito Icer), batizada como Gracia Dias; Álvaro Dias e Reina.

ASSENTAMENTO NO BRASIL

A vinda de Duarte de Sá para o Brasil em 1653, teve momentos extremamente difíceis. A versão familiar diz que ele ia para Goa, mas o navio naufragou próximo a Tatuapara, fortaleza do povoador Garcia d´Ávila (1528?- 1604), da Casa da Torre. O que se conseguiu apurar é que Duarte de Sá pertenceu por algum tempo aos seus protegidos e depois migrou para Pernambuco. Não se deve esquecer que entre as famílias importantes locais já se encontrava a família Barreto.
Duarte de Sá era por definição da Halahá (lei judaica), “judeu”, baseando-se que o judeu é o filho de mãe judia. Ele tinha a sua mãe, Isabel Dias, nascida católica, porém filha de mãe judia, Esther ou Gracia Dias, a filha de Orovida e Santo Fidalgo. Não era conveniente ostentar esta identidade judaica numa sociedade anti-semita e assim o seu objetivo e das gerações posteriores foi apagá-la, usando todos os recursos para isto, desde o esquecimento seletivo do passado, a paciente construção de uma imagem aristocrática do clã e finalmente a “falsificação” de suas genealogias.
Ele casou-se ainda dentro do universo cristão-novo, pois a sua esposa, Joana Tavares, vinha desta ascendência pelo lado materno, João Rodrigues de Cabeia (Cabeça) e Beatriz Lopes, ambos da progênie israelita. Os seus dois filhos, Filipa e Antonio, casaram-se com filhos de Jerônimo de Albuquerque (1510? – 1584), o “Adão Pernambucano”, abrindo o caminho para a entrada na aristocracia que se formava. A partir destes casamentos eles começam a casar-se com os Pais Barretos, conterrâneos minhotos, fechando-se num círculo endogâmico. Mais tarde trouxeram para este círculo os Wanderleys (Nieuhof Van Der Ley), descendentes de um desertor das tropas do Príncipe de Nassau, mas reconhecidos como aristocratas.
O Genealogista Carlos Xavier Paes Barreto (1881-1969) descendia 27 vezes do mesmo João Paes Barreto. Tomando a árvore genealógica de dois expoentes da família, o Marquês de Recife (Francisco Paes Barreto, 1779 – 1848) e Joaquim Nabuco, comprova-se a consangüinidade constante: Ana Benigna de Sá Barreto, mãe de Joaquim Nabuco, era filha de um casamento entre primos Paes Barreto, cujos avós maternos também eram primos da mesma família, trisavôs idem – uma destas trisavós, Maria Maior de Albuquerque, era filha de casamento entre tio e sobrinho, este tio, neto do judeu Duarte de Sá. O casamento entre primos era corriqueiro, mas também se encontravam vários casamentos entre tio e sobrinha até de forma exagerada, como os de Manuel Xavier Paes Barreto (1808-1879) que se casou com três sobrinhas.
A terceira linhagem chamada a compor este condomínio genealógico é a dos Nabucos, originários de Escalhão em Portugal. O primeiro deles, a viver no Brasil foi o Cirurgião-mór Manuel Fernandes Nabuco (1738-1817). A sua profissão e aldeia natal inserida no “Marrano country” (nome dado por Lucien Wolf, a região compreendida entre Vinhais a Castelo Branco), de onde saíram vários penitenciados por “crimes de judaísmo” como indicativos de uma possível ascendência cristã-nova. “O nome poderia também ser de origem judaica, por ser o sitio habitado por judeus” (NABUCO: 58) registrou, José Thomaz Nabuco, o genealogista da família.

MEMÓRIA JUDAICA

As relações dos descendentes de Duarte de Sá com o mundo judaico foram apenas de natureza externa. Indagados de uma possível israelita em várias oportunidades e épocas diferentes, duas delas documentadas, negaram esta origem étnica. Radicados numa região com alta densidade de cristãos-novos, muitos deles judaizantes, aproximados em rudimentares miniamim caseiros, não há denúncias de sua parentela freqüentando estes locais de culto. Com a ocupação holandesa eles postaram-se claramente do lado ibérico, sofrendo perseguições por isto, tendo que abandonar as suas propriedades e alguns deles foram mortos pelos invasores holandeses. Os seus descendentes não freqüentaram as sinagogas clandestinas, nem as sinagogas oficiais do Recife holandês.
A primeira negativa oficial da origem judaica foi dada por Filipe Paes Barreto, trineto do cristão-novo Duarte de Sá em 1708, quando no depoimento para provar a sua puritate sanguinis, no pretendido ingresso a Ordem de Cristo. O episódio foi minuciosamente estudado por Evaldo Cabral de Mello em “O Nome e o sangue. Uma Fraude Genealógica no Pernambuco Colonial”. Neste episódio os Paes Barreto não apenas negaram a sua origem judaica, mas agiram no sentido de apagarem estas origens, confundindo e falsificando genealogias, indicativo de que sabiam dela. Eles não foram bem sucedidos nesta ação, pois Filipe Paes Barreto teve a sua pretensão negada e a damnatio memoriae persistiu até 1826, quando então um descendente desta linhagem foi nobilitado com o titulo de Marquês de Recife.
Já no século XX, em plena sociedade igualitária, um oitavo neto de Duarte de Sá, o Historiador Sérgio Buarque de Hollanda defrontou-se com a mesma questão que atormentou o seu parente Filipe – a família tinha ou não ascendência judaica? Sérgio vivera como estudante na Alemanha durante a década de trinta e tivera um filho com uma moça alemã. Com a ascensão do regime nazista a mãe do menino escreveu a ele pedindo a sua definição étnica.

A mãe desse menino mandou uma carta ao meu pai – depoimento de Chico Buarque - pedindo para ele enviar documentos provando que não tinha sangue judeu. Minha mãe foi quem descolou os papéis que não tinha sangue judeu. Os papéis foram entregues ao Consulado alemão aqui no Brasil” (MASSI: 6-4).

O esquecimento do passado judaico foi seletivo, pois traços da memória barcelense continuaram presentes na linhagem. Maria Maior de Albuquerque, bisneta de Duarte de Sá, devia o seu nome a Igreja Matriz de Santa Maria Maior da Barcelos ancestral. O nome significativo também é uma exceção dentro do universo onomástico da linhagem, pois o que predomina nela são os nomes comuns do cotidiano luso-brasileiro, pois eles não podiam recorrer a Bíblia para se nomearem. Só vão surgir na parentela uma Noêmia, uma Esther, uma Rute no século XX. Há uma construção permanente para fortalecer a imagem de uma família nobre luso-brasileira.
Joaquim Nabuco, cinco vezes descendente de Duarte de Sá, deixou um dos poucos sinais que pode religar ao passado judaico. Trata-se do ex-libris e sinete, a figura do touro alado visto pelos judeus no exílio babilônico aparentemente inspirado numa brincadeira com o seu sobrenome, “invocando uma descendência direta, varonil e sempre pura do rei que passara sete anos pastando” (NABUCO: 36), o Nabucodonosor do Livro de Daniel. Uma figura escolhida na história bíblica, quando ele poderia ter optado por tantas outras figuras significativas, partindo inclusive dos brasões familiares. Mas ele escolheu o marcante exílio judaico que silenciara os seus ancestrais para o auto-retrato intelectual e psicológico.

Cabeça de homem, asas de águia, reunindo o maior conjunto possível de qualidades. Apenas os pés eram de barro, mas esses ficavam escondidas na grama” (NABUCO: 37)

A aproximação até jocosa com o imaginário bíblico não será uma amostra de humour judaico? É possível. Os pés de barro escondidos podem ser a frágil origem aristocrática de sua linhagem, no sentido de inferioridade jurídica dos cristãos-novos e os pés escondidos a ocultação desta herança. Aqui ele revelou parte do seu intimo, aristocrático e mítico. É como se dissesse este é o retrato da minha alma, mostrando inconscientemente a importância destes elementos para a composição de sua identidade.
Ao ex-libris e sinete de Joaquim Nabuco pode ser acrescentado um comportamento encontrado em outras linhagens cristã-novas e também judias, principalmente em dinastias rabínicas, a endogamia repetida praticada pelo clã. A endogamia não é apenas um mecanismo de proteção dos bens materiais, mas também dos valores étnicos e morais, pois tendo controlado a entrada de estranhos, se pode manter e repassar integralmente para as futuras gerações o seu patrimônio espiritual e genético. Pouco ou quase nada restou deste passado judaico, a não ser, talvez, ela que os trouxe intactos aos nossos dias e alguns valores morais, forjados no passado quando eram perseguidos.

NOTAS

[1] Mestre Thomas da Victória viveu em movimento, manteve relações comerciais com Castela, as Ilhas e o Marrocos. Acompanhou o Duque de Bragança na tomada de Azamor (1513). A sua descendência foi estudada por um deles, Dr. António Fernando de Sequeira Barbosa de Sottomayor (1899-1960), Juiz Desembargador da Relação de Lisboa, que deixou este material inédito ao neto, o Genealogista António Pedro de Sottomayor.
[2] A família Leão radicada em Minas Gerais descende deste casal. O Padre Severiano Antonio da Silveira Leão (1790-1866), tronco de farta descendência, pertence a ela. Em Portugal alguns ramos se aparentaram as famílias do Filósofo Spinoza e a família Aboab. V. Rubens R. CÂMARA, “As raízes judaicas da família Leão (do Porto e Minas Gerais)”, em Gerações/Brasil, maio de 1999, volume 5, nº 1, pp. 12-3; “Processo nº 2742, ano de 1618, do Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa contra Inês Henriques de Leão, solteira, cristã-nova, natural da cidade do Porto”, em Gerações/Brasil, junho de 2001, volume 10, pp. 11-4.
[3] Livro nº 29, folhas 25-vº e 26, apud Maria José Pimenta TAVARES, Os judeus em Portugal no século XV, II, pp. 134 e 904.
[4] Dom Santo de Carrión (1290-1369), o primeiro judeu a escrever em castelhano foi conhecido como Rabino Shemtov Ardutiel. Shemtov é pronunciado como “sentô” (daí Santo). Isto pode ser confirmado no refrão popular: “Duerme don Sem Tob, pero su dinero no”, fazendo a rima do nome com a negativa final. No Cemitério Israelita do Butantã (S. Paulo) está sepultado Santos Franco (1910-1961) cujo nome religioso é Shemtov b. Haim.

BIBLIOGRAFIA


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· NABUCO, José Thomaz. Um Médico do Brasil Colônia: o Cirurgião-mór Manoel Fernandez Nabuco e a sua gente. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.
· PAULO, Amílcar. “Os Judeus na cidade de Barcelos, ou o impedimento para que se não consulte o manuscrito – título dos judeus que sebatizarão em pé na Villa de Barcellos no de 1497”. Em: HaLapid nº 138, luas de junho, julho e agosto de 5706 (1947), p 1-2. Baseado no manuscrito “Traslado de Hum Caderno que achei na Caza de João de Sá e Sotomajor o qual papel serrefere a outro escripto e copiado por letra de Gaspar Borges Cujo título dizia livro da Geração de Judeos deentre Douro e Minho dos da Villa de Barcellos donde antigamente era sua sinagoga aqual: estava na Rua nova em Huuns cazaes que estão por baixo dos do Cantinho quando himos por sima a mão esquerda, e toda aquela Rua era dos Judeos. Como ainda hoje he, e por haver sinagoga nesta rua eser da Casa de Aborim tinha um privilégio que lhe concederão os reis deste Reino...”.
· RHEINGANTZ, Carlos G. “Galeria de Figuras de Projeção Nacional (XIV) – A família de Joaquim Nabuco”. Em: Brasil Genealógico. Revista do Colégio Brasileiro de Genealogia, tomo III, nº 1.
· VALADARES, Paulo. A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX. Fortaleza: Fundação Ana Lima, 2007.

GENEALOGIA BRASILEIRA: JOAQUIM NABUCO e SÉRGIO BUARQUE DE HOLLANDA

Genealogia (parcial)
SHEMTOV BEN ABRAHAM
De Barcelos, Portugal

§ 1

I – SHEMTOV BEN ABRAHAM, Santo Fidalgo ou Diogo Pires como católico, casou-se com Orovida “Fidalgo”. Pais de:

1 (II) – Abraham ben Shemtov, que segue.
2 (II) – Esther bat Shemtov, que segue.
3 (II) – Reina, com geração.
4 (II) – Álvaro Dias, com geração.

II – ABRAHAM BEN SHEMTOV, Gonçalo Dias (como católico). Migrou para a Ilha da Madeira, onde pode ter deixado descendência, pois encontramos cristãos-novos com o sobrenome Fidalgo (que migraram para a Comunidade Judaica de Amsterdã) e Dias, nesta Ilha. Por hipótese genealógica, é possível que o Rabino Menasseh Ben Israel, descenda dele, pois este chamou-se ao nascer, Manuel Dias Soeiro, em Funchal, Madeira, enquanto o seu pai chamou-se Gaspar Rodrigues Nunes, como um dos membros desta árvore genealógica.

II – ESTHER BAT SHEMTOV, Gracia Dias, c.c. Francisco Rodrigues, cristão-novo, mercador. São os pais de:

1 (III) – Diogo Dias (Pires), que segue.
2 (III) – Gaspar Rodrigues, que segue.
3 (III) - Isabel Dias de Sá, que segue.
4 (III) – Uma filha, que segue.

III – DIOGO DIAS (Pires), cristão-novo, mercador, casou-se com _____________ , filha do Ourives Jorge Lopes, nascido como Jacob, filho de Velida e Isaac Rua, judeus de Barcelos. São os pais de:

1 (IV) – Uma filha, casada com António Correa, de Carepeços.
2 (IV) – Uma filha casada com Teodósio Pereira, advogado em Viana.
3 (IV) – Uma filha casada com Duarte Cardoso, que segue.

IV - __________________, casada com Duarte Cardoso. São os pais de:


1 (V) – Maria de Sá casada com Manuel da Cunha, de Viana. Ela foi presa pelo Santo Ofício.

III – GASPAR RODRIGUES, o Bisano, médico (“surgião”) em Barcelos, casado com Brites Felgueira. São os pais de:

1 (IV) – Gomes Felgueira, Abade de Vensirmes.
2 (IV) – António Felgueira, Clérigo.
3 (IV) – Maria Felgueira, a Malafaia, casada com Gregório Correia Leite. Extensa geração descrita em Felgueiras Gayo.
4 (IV) – Caterina Felgueira casada com Manuel Barbosa, com geração.

III – ISABEL DIAS DE SÁ, casada por duas vezes: a primeira com António Maia e a segunda, com Manuel de Faria Muniz. São os filhos destas uniões:

a) primeira união

1 (IV) – Duarte de Sá, que segue no § 2 – Descendentes Brasileiros.
2 (IV) – Melchior Maia, migrou para Pernambuco.
3 (IV) – António Maia, migrou para Pernambuco.

b) segunda união

4 (IV) – Gracia de Freitas casada com Paulo da Cunha [Ribeiro] Sottomayor, com geração nos Senhores da Casa do Belinho em Esposende.
5 (IV) – António de Faria, que segue.


IV – LICENCIADO ANTÓNIO DE FARIA, Juiz de Órfãos no Porto, casado com Leonor Velho Barreto. São os pais de:

1 (V) – Manuel de Faria Barreto, “que morreo queimado pelo Santo Ofício”.
2 (V) - Antónia de Faria Barreto casada com Diogo Lopes de Carvalho.


§ 2
DESCENDENTES BRASILEIROS

IV – DUARTE DE SÁ nasceu em Barcelos e morreu em Olinda, Pernambuco (1526? – 25 de fevereiro de 1612). Foi casado com Joana Tavares. São os pais de:

1 (V) – António de Sá Maia, que segue.

V – ANTÓNIO DE SÁ MAIA faleceu no Recôncavo Baiano em 1638. Foi casado com Catarina de Albuquerque. São os pais de:

1 (VI) – Brites de Albuquerque, que segue.
2 (VI) – José de Sá e Albuquerque, que segue.

VI – BRITES DE ALBUQUERQUE, casada com Filipe Paes Barreto. São os pais de:

1 (VII) – Maria de Albuquerque, que segue.
2 (VII) – Catarina de Melo Albuquerque, que segue.

VI – JOSÉ DE SÁ E ALBUQUERQUE, o Olho de Vidro, nascido em Olinda em 1620. Primeiro genealogista da família. Foi casado com a sobrinha CATARINA DE MELO ALBUQUERQUE, filha de Brites de Albuquerque e Filipe Pais Barreto. São os pais de:

1(VII) – Maria Maior de Albuquerque, que segue.

VII – MARIA MAIOR DE ALBUQUERQUE, casada com JOÃO PAES BARRETO, Morgado do Cabo, filho de MARIA ALBUQUERQUE e Estevão Paes Barreto, trineto de DUARTE DE SÁ. São os pais de:

1 (VIII) – João Paes Barreto, que segue no § 3 (NABUCOS).
2 (VIII) – Inês Brites Xavier, que segue no § 4 (BUARQUES DE HOLLANDA).

§3
NABUCOS

VIII – JOÃO PAES BARRETO, Morgado do Cabo, casado com Maria Luisa de Melo. São os pais de:

1 (IX) – Estevão Paes Barreto, que segue.

IX – ESTEVÃO PAES BARRETO, Morgado do Cabo, casado com MARIA ISABEL BARRETO, descendente de DUARTE DE SÁ por seu pai FILIPE PAES BARRETO. São os pais de:

1 (X) – Maria José da Felicidade, que segue.

X – MARIA JOSÉ DE FELICIDADE casada com FRANCISCO ANTONIO DE SÁ BARRETO, descendente de DUARTE DE SÁ, por seu pai, do mesmo nome. São os pais de:

1 (XII) – Ana Benigna de Sá Barreto, que segue.

XII – ANA BENIGNA DE SÁ BARRETO casada com José Thomaz Nabuco de Araújo. São os pais de (dentre outros):

1 (XIII) – Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo, que segue.

XIII – JOAQUIM AURÉLIO BARRETO NABUCO DE ARAÚJO, Quincas, nasceu em Recife e morreu em Washington (19 de agosto de 1849 – 17 de janeiro de 1910). Deputado, diplomata, escritor, historiador, jornalista e pensador católico. Casado com Evelina Torres Soares Ribeiro (Paris, 1865 – Rio de Janeiro, 1948), filha de José Antonio Soares Ribeiro, Barão de Inoã e Carolina Soares Torres. São os pais de:

1 (XIV) – Maria Carolina Nabuco de Araújo (1890 –1981). Escritora.
2 (XIV) – Maurício Hilário Barreto Nabuco de Araújo (1891-1979). Diplomata.
3 (XIV) – Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo Filho (1894-1968). Sacerdote na Cúria Romana.
4 (XIV)- José Thomaz Nabuco de Araújo, que segue.

XIV – JOSÉ THOMAZ NABUCO DE ARAÚJO, nasceu em South Kensington (1902-1994). Advogado no Rio de Janeiro. Casado com Maria do Carmo Cesário Alvim de Melo Franco (1907-2001), filha de Afrânio de Melo Franco e Silvia Cesário Alvim. Irmã de Afonso Arinos (1905-1990), autor da Lei que leva o seu nome, feita para combater o racismo. José Thomaz é autor de Um Médico do Brasil Colônia: o Cirurgião-mór Manoel Fernandez Nabuco e a sua gente. São os pais de:

1 (XV) – Sílvia Maria (“Vivi”) da Glória de Melo Franco Nabuco, que foi casada com o banqueiro Antonio Carlos de Almeida Braga, com geração.
2 (XV) - Joaquim Aurélio de Melo Franco Nabuco casado com Maria Lúcia Maurity de Souza, com geração.
3 (XV) – José Thomaz Nabuco de Araújo Filho casado com Maria Luisa Proença, com geração.
4 (XV) – Maria do Carmo de Melo Franco Nabuco casada com o banqueiro José Luís de Magalhães Lins, este, descendente de Manuel de Paredes, primeiro cristão-novo denunciado como judaizante no Brasil (VALADARES: 170), com geração.
5 (XV) – Afrânio de Melo Franco Nabuco casado com Maria Rita de Oliveira Sampaio, com geração.
6 (XV) – José Maurício Nabuco de Araújo casado com Regina Castelo Branco, com geração.

§4
BUARQUES DE HOLLANDAS

IX – INÊS BRITES XAVIER casada com João Paes Barreto de Mello, Capitão-Mór da Companhia de Granadeiros do Terço de Infantaria Auxiliar do Cabo de Santo Agostinho. São os pais de (dentre outros):

1 (X) – José Luís Paes de Mello, que segue.

X – JOSÉ LUÍS PAES DE MELLO (1740-1789), Capitão-Mór de Infantaria e de Ordenanças e Comandante de Uma e Cabo, casado com Ana Florência da Conceição (Wanderley). São os pais de:

1 (XI) – Francisco Xavier Paes de Mello Barreto, que segue.

XI - FRANCISCO XAVIER PAES DE MELLO BARRETO (1765-1836), Fidalgo-Cavaleiro da Casa Imperial, casado com Maria Rita Wanderley. São os pais de:

1 (XII) – José Luís Paes de Mello Barreto, que segue.

XII – JOSÉ LUÍS PAES DE MELLO BARRETO (1784 - 1844), Cavaleiro-Fidalgo da Casa Imperial e Sr. do Engenho Maragi (Rio Formoso), casado com Luisa Isabel de Hollanda Cavalcanti de Albuquerque, filha de Cristóvão de Hollanda Cavalcanti de Albuquerque (Sr. do Engenho Marrecos, Maragogipe) e Paula Bezerra Cavalcanti de Albuquerque. São os pais de:

1 (XIII) – Maria Madalena Paes de Hollanda Cavalcanti, que segue.

XIII – MARIA MADALENA PAES DE HOLLANDA CAVALCANTI (1835 – 1924) casada com Manuel Buarque de Gusmão Lima (1823 – 1906), Senhor do Engenho Macaco em Porto Calvo, Alagoas. São os pais de (dentre outros):

1 (XIV) – Cristóvão Buarque de Hollanda Cavalcanti, que segue.

XIV – CRISTÓVÃO BUARQUE DE HOLLANDA CAVALCANTI nasceu em Rio Formoso, Pernambuco e morreu no Rio de Janeiro (1864-1944). Químico. Fundador da Escola de Farmácia, Odontologia e Obstetrícia de S. Paulo. Casado com Heloísa de Araújo (1868 - 1957). São os pais de:

1 (XV) – Sérgio Buarque de Hollanda, que segue.
2 (XV) – Jaime Buarque de Hollanda (1904 - 1997), casado com Maria Carlota Machado da Silva, neta materna do Ministro José Higino Duarte Pereira (1847-1901), com geração.
3 (XV) – Cecília Buarque de Hollanda (1908 - 1999), solteira, sem descendentes.

XV – SÉRGIO BUARQUE DE HOLLANDA nasceu e morreu em S. Paulo (11 de julho de 1902 – 24 de abril de 1982). Bacharel em Direito, jornalista e historiador. Participou da Semana de Arte Moderna de 1922. Dirigiu várias instituições culturais, foi Adido Cultural na Itália e lecionou na Universidade do Distrito Federal (RJ), de S. Paulo (USP, 1958-1969), de Roma, Indiana, Yale e Nova York. Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Autor de vários livros, destacando-se Raízes do Brasil (1936) e Visão do Paraíso: motivos edênicos do descobrimento e colonização do Brasil (1959), incluídos entre as grandes obras de explicação do Brasil. Casado com Maria Amélia Cesário Alvim (1910), descendente do Rabino Abraham Senior, último Rabino-mór de Castela. São os pais de:

1 (XVI) – Heloísa Maria (“Miucha”) Buarque de Hollanda, cantora, foi casada com o cantor João Gilberto Prado Pereira de Oliveira, com geração.
2 (XVI) – Sérgio Buarque de Hollanda Filho, economista, casado com Mary Lou Paris, com geração.
3 (XVI) – Álvaro Augusto Buarque de Hollanda, advogado, solteiro, sem descendência.
4 (XVI) – Francisco (“Chico”) Buarque de Hollanda, cantor, compositor e romancista. Foi casado com a atriz Marieta Paixão Severo da Costa, com geração.
5 (XVI) – Maria do Carmo Buarque de Hollanda, fotógrafa, solteira, sem descendência.
6 (XVI) –Ana Maria Buarque de Hollanda, casada com Roberto de Freitas Guimarães, com geração.
7 (XVI) – Maria Cristina Buarque de Hollanda, cantora, casada com Homero Honório Ferreira Júnior, com geração.

De uma união extraconjugal com Anne Margueritte Ernst:

1 (XVI) – Sérgio Georg Ernst, nascido em Berlim (1930?).

§5
Desentroncados
GONSALVES DE MELLO

XV (por estimativa) – JOSÉ ANTONIO GONSALVES DE MELLO, nasceu e morreu em Recife (16 de dezembro de 1916 – 7 de janeiro de 2002), filho de Ulysses Pernambucano de Mello e Albertina Carneiro Leão. Foi especialista na história da presença holandesa no nordeste brasileiro. No seu magnus opus: Gente da nação (1990) ele conta usando como epígrafe os versos do escritor argentino Jorge Luís Borges (1899-1986), que consultou o primo Sylvio Paes Barreto sobre uma possível origem judaica e este lhe informou que descendia do velho Duarte de Sá, das linhas anteriores. A família Pernambucano de Mello possui ascendência Fonseca Galvão, cujo ramo alagoano, o dos “Sete Macabeus”, do Marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892), consideram-se aparentados ao Rabino Isaac Aboab. Quando o avô paterno do historiador esteve no RJ recebeu do Marechal o tratamento de “primo”, reconhecendo o parentesco entre as duas famílias.

sábado, 4 de dezembro de 2010

A FAMÍLIA ABRAVANEL: UM RAMO DA "DINASTIA DO REI DAVID" NO BRASIL


Quando ao pé do Mar Vermelho os hebreus esperavam o milagre que os levaria a liberdade, Naschshon ben (filho de) Aminadav, o Nassi (Príncipe) da Tribo de Judá e cunhado do Sumo-sacerdote Aarão, foi o primeiro a se lançar as águas, seguido depois por sua tribo, somente quando a água chegou ao pescoço, é que o mar se abriu. É uma façanha e tanto! Porém quem fixou o carisma desta linhagem, que possuía um leão como emblema do clã, foi o seu tetraneto, David b. Yishai, segundo Rei de Israel e autor inspirado de muitos Salmos que estão na Bíblia. Graças a este conjunto de nobres virtudes familiares, judeus e cristãos crêem que o Maschiach (Messias) sairá ou já saiu desta semente. Esta expectativa gerada em volta dos descendentes de David HaMelech permitiram a manutenção de registros escritos e tradições orais identificando os seus descendentes.
No mundo cristão a duas linhagens reais são atribuídas esta origem.
A mais conhecida é a da destronada Casa Real da Etiópia cujo último monarca Hailé Selassié (1892 – 1975), o “Leão da Tribo de Judá”, que se apresentava como 124º descendente de Belkis, a Rainha de Sabá e Salomão, este filho de David. A outra linhagem reinou na Geórgia, são os Bagrationi.
No mundo judaico são muitas famílias que reivindicam esta origem familiar.
A mais documentada delas é a família Dayan, que viveu em Alepo (hoje Síria) até o século XX cujos registros levam sem interrupção até os Exilarcas (Príncipes do Exílio) em Babilônia e daí até o rei David. Há membros desta família vivendo em S. Paulo onde dirigem o Banco Daycoval.
Outro grupo familiar, bem documentado, é o formado pelos descendentes do Rabino Schlomo Yitshak (1040 - 1105), que apesar de não possuir documentação escrita desta origem, sempre foi reputado desta origem. Os descendentes de RASHI são inúmeros.
Há genealogias publicadas sobre esta descendência, onde se destaca gente como Karl Marx (1818 – 1883), o barão David René James de Rothschild (1942) e principalmente os Lubavitchers Rebbes, uma dinastia rabínica cujos seguidores acreditavam que o 7º deles, Rabino Menachem Mendel Schneersohn (1902 – 1994) seria o Maschiach tão esperado.
Os Abravanel apesar de reivindicar a origem davídica não se ligam a nenhuma destas famílias mencionadas. É deles que vamos conhecer a história nos próximos parágrafos.

ORIGENS PRÓXIMAS

A linhagem Abravanel surgiu na Península Ibérica e o primeiro deles a ter destaque foi o Judah Abravanel, de Córdoba e depois de Sevilha, que no final do século XIII, foi tesoureiro e coletor de impostos de Sancho IV e Fernando IV. No século seguinte, Samuel Abravanel foi tesoureiro real de Castela e durante os distúrbios anti-semitas de 1391, converteu-se ao Catolicismo, adotando o nome de Juan Sánchez de Sevilha.
O apelido Abravanel tem várias possibilidades de interpretação, porém o mais aceito é que seja o diminutivo de Abrahão. Apesar da origem ibérica, com a Expulsão eles partiram para outras paragens, e cada nova perseguição, a cada novo endereço ele tomou muitas formas. Eis algumas delas coletadas durante a pesquisa: Abarbanel, Abrabanel, Barabanel, Barbanel, Barbinel, Barbanelsky, Abarbarchuk, etc.
Ele ligou-se de forma tão visceral ao Sefaradismo (Judaísmo Ibérico), que tornou-se sinônimo deste Judaísmo, a ponto do autor anti-semita Álvaro de Brito Pestana (1432? – 1500) usá-lo numa sátira aos criptojudeus portugueses:

Sam marranos os que marram / nossa fé, mui infiéis /bautizados / que na Lei Velhas´amarram / dos negros Abravanéis / doutrinados

O missionário protestante inglês George Borrow (1803 – 1881), um dos primeiros a registrar a presença de cristãos-novos judaizantes em terras ibéricas, a duas léguas de Talavera de la Reina na Espanha encontrou um misterioso cristão-novo que disse chamar-se Abarbanel.
Porém a figura mais destacada desta família é Isaac, filho de Judá Abravanel, nascido em Lisboa e falecido em Veneza (1437 – 1508). Ele foi um hábil financista, ministro do rei português Afonso V, fornecedor das tropas castelhanas que venceram Granada. Foi um filósofo que comentou a Bíblia com grande sucesso, onde combinava o racionalismo filosófico com a ortodoxia cabalística.

PRIMEIRO ABRAVANEL NO BRASIL

O primeiro Abravanel a viver no Brasil foi um personagem graúdo: David Abrabanel, que chamou-se Manuel Martinez Dormido como cristão-novo na Espanha, onde teria sido tesoureiro real. Em 1632 ele fugiu para Bordéus e dali para Amsterdã onde fixou-se residência integrando-se a comunidade judaica local. Os seus filhos, Daniel (ou Luís) e Salomão (Antonio) Abrabanel Dormido negociaram no Recife- holandês. Entre os parentes próximos estava o rabino Manasseh Ben Israel (1604-1657), nascido na Ilha da Madeira, cuja esposa seria bisneta do grande Isaac Abravanel.
Aqui talvez esteja a solução de um problema genealógico que vem até os nossos dias, a identidade verdadeira do filho de Judah Abravanel, o Leone Ebreo, seqüestrado pelo rei português como uma vingança aos Abravanéis que tantos serviços prestaram ao rei anterior e que se meteram numa das lutas palacianas. Filho desaparecido chorado plangentemente no poema “Telunah” (Lamentação contra o tempo):

“(...) e foi raptado aquele que era as delícias da minha alma / e foi mudado o seu nome bom que é o mesmo da rocha de minha origem (...)”.

São duas as hipóteses. A primeira delas e também a mais aceita é que este filho, chamado no poema de Isaac, seria depois o pai de Judá o fundador do ramo salonicense. Alguns estudiosos portugueses, como o capitão Barros Basto, defendiam que Isaac seria o poeta Bernardim Ribeiro (1482? – 1552?), autor do livro Menina e Moça, uma espécie de livro cifrado onde se biografa coletivamente os cristãos-novos portugueses. Fica o registro.
Outra hipótese que lanço começa com a pergunta:
Se Rachel Abravanel, esposa do rabino Menasseh Ben Israel foi bisneta do grande Isaac Abravanel, quem foi o seu avô paterno?
Sabendo-se que ela era filha do médico Joseph Abravanel, chamado anteriormente como Luís Gomes de Medeiros, quando vivia em Guimarães, Portugal. As possibilidades dela entroncar-se na vetusta árvore davídica são de duas formas: uma através de Yossef b. Schmuel e outra através do Leone Ebreo e seu filho raptado.
Os Abravanel holandeses ainda registram outros ramos, um deles que também passou a Inglaterra como os anteriores, tendo como descendente mais importante David Abarbanel Lindo (1772-1852), o mohel que circuncidou a Benjamin Disraeli, de quem era aparentado, pois era casado com uma tia do futuro ministro inglês. A filha de David, Abigail Lindo (1803-1848) foi uma hebraísta de altos méritos.
Além destas famílias há também outro ramo inglês, vindo da Europa central e que descendem de um líder da comunidade judaica de Praga chamado Trietsch. Pertence a esta linhagem, o Barão Barnett of Liverpool (e seu filho, Dr. Lionel David Barnett, 1871-1960, Curador do Department of Oriental Printed Books and Manuscripts, do Museu Britânico e o neto, Richard David Barnett, 1909-1986, Presidente da Jewish Historical Society).

SALONICA

Salonica é uma bela cidade grega e um porto importante que pertenceu ao Império Otomano. Muitos judeus expulsos de Espanha e Portugal foram para aquela cidade. O que vai atrair anos depois cristãos-novos que conseguiam escapar dos terrores inquisitoriais. No começo do século vinte metade de sua população era de origem judaica, fundamentalmente sefardita (de origem ibérica). Havia muitos Abravanel em Salonica, tanto ricos, como Jacques Joseph Abravanel (1906-1993), diretor do Banco Otomano e da Ford turca, que tinha nacionalidade portuguesa; médios e pobres. Todos se consideravam parentes, apesar de não saber precisar o grau de parentesco entre eles. A frase era dita em ladino: “Basta mi nombre que es Abravanel”.
Em 1913, um deles, Don (eles faziam questão do tratamento espanhol) Sabetai Haim David Abravanel consultou o Grão-rabino Jacob Meir (1856 – 1939) que afirmou ser um Judah Abravanel o primeiro Abravanel na cidade, mas ... neto de Judah Abravanel, o Leone Ebreo e de Samuel Abravanel, que teria sido o primeiro a viver na cidade, onde estudava com o Rabino Joseph Fasi, que tinha sido aluno do rabino Yitshak Aboab em Castela.
A crise que levou a queda do Império Otomano foi um dos motivos para a saída dos judeus locais. Muitos migraram para a França ou para as Américas. Os filhos de Doundon Bendavid e Senor Abram Abravanel seguiram o padrão, a filha Sara casou-se com um americano e estabeleceu-se nos EUA e o filho Alberto foi para França daí para o Rio de Janeiro, onde casou-se com uma izmirlia (natural de Esmirna) Rebeca Caro e tiveram seis filhos.
O mais famoso deles, Senor, mesmo nome do avô paterno conforme a tradição sefardita, com o nome Silvio Santos construiu uma brilhante carreira de entertainer e gênio financeiro, administrando várias loterias criadas a partir do seu talento como locutor e apresentador de TV, transformando uma delas, o Baú da Felicidade num grupo empresarial controlador de emissoras de TVs, banco (Panamericano), seguradora, lojas de varejo, dentre tanto outros empreendimentos que lhe dão a posição de oitava fortuna brasileira, algo em torno de um bilhão e meio de dólares.


AONDE LEVASSE O VENTO...”

O grande Isaac Abravanel narrando a expulsão dos judeus das terras espanholas escreveu que eles saíram e caminharam para “aonde levasse o vento” tal a insegurança e incerteza de acolhimento destes refugiados. Examinado a genealogia e biografia destas Abravanel temos a confirmação desta assertiva, pois eles aparecem nos lugares mais insólitos. Numa conferencia de Yitzhak Navon, ex-presidente de Israel, foi apresentado um piloto israelense, descendente de um Abravanel francês que acompanhou o exército napoleônico e ficou em Kovno na Lituânia. Mas ele não é o único ramo do mundo ashkenase (oriundo da Europa não-ibérica), pois consultando o Beider eles são encontrados em Orsha, Kiev, Tiraspol, Vinnitsa, Siedlce, Wlodawa, Pulawy e Varsóvia. Assim não é inverossímil a reivindicação da ascendência aos Abravanel feita tanto por Boris Pasternak (1890 – 1960), autor do romance Doutor Jivago e premiado com o Premio Nobel de Literatura (1958), quanto pelo escritor sionista Max Nordau (1849 – 1923), que inclusive usava o brasão dos Abravanel.


CONCLUSÃO

Toda genealogia é uma obra aberta pronta receber novas colaborações. No caso deste trabalho em vários momentos ela é uma hipótese de genealogia, indicativo do que já temos e onde podemos chegar. Por maior que tenha sido o nosso esforço não conseguimos completá-la. Agradeço a Freddy Abravanel de Atenas pelos contatos fornecidos, a Allan R. Abravanel, editor do boletim The Abravanel Family Newsletter de Portland, Leon Abravanel Jr. de S. Paulo e principalmente ao Coronel Harry Edward Stein de Tucson, que forneceu a conexão entre o ramo brasileiro e seus primos americanos.

BIBLIOGRAFIA

BEIDER, Alexander.
BENAYAHU, Meir. “The House of Abravanel in Saloniki”. Em: Sefunot. Annual for Research on the Jewish Communities in the East. Volume 12. Jerusalem; Ben-Zvi Institute for Research on the Jewish Communities in the East, 1971-8.
DAYAN, Mitchell. “Dayan Family of Aleppo: Direct Descendants of King David”. Em: AVOTAYNU, volume XX, number 2, summer 2004, pp. 31-7.
DINES, Alberto. O baú de Abravanel. Uma crônica de sete séculos até Silvio Santos. S. Paulo: Cia das Letras, 1990.
EINSIEDLER, David. “Descent From King David – Part II”. Em: AVOTAYNU, volume IX, number 2, summer 1993, pp. 34-6.
GRIFFI, Filena Patroni. “Documenti Inediti Sulle Attivitá Economiche Degli Abravanel in Itália Meridionale (1492-1543)”. Em: La Rassegna Mensile de Israel, vol. LXIII, nº 2, maggio-agosto 1997.
SILVA, Arlindo. A fantástica história de Silvio Santos. S. Paulo: Editora do Brasil, 2000.
SILVA, Arlindo. A vida espetacular de Silvio Santos. S. Paulo: L. Oren Editora, 1972.
THE ABRAVANEL FAMILY NEWSLETTER, Portland, Oregon, (november 1987 – june 1998).

OS ABRAVANEL DE SALONICA, INDIANAPOLIS, RIO DE JANEIRO E S. PAULO




TÍTULO ABRAVANEL de LISBOA, SALONICA, INDIANAPOLIS, RIO DE JANEIRO e S. PAULO





§ 1

I – JUDAH ABRAVANEL, “filho de Samuel, filho de Judá, filho de Joseph, filho de Judá, da família Abravanel, todos chefes dos filhos de Israel, da origem de Isaí, de Belém, da dinastia de David”. Pai de:

1 (II) – Samuel Abravanel, que segue no § 2.
2 (II) – Isaac Abravanel, que segue no §3.
3 (II) – Jacob Abravanel, que segue no§4.
4 (II) – Joseph Abravanel, que segue no §5.

§2

II – SAMUEL ABRAVANEL, pai de:

1 (III) – Jacob Abravanel.
2 (III) - José Abravanel, que segue.

III – JOSEPH ABRAVANEL (1480 – 1540), casado com uma prima, filha do tio Isaac Abravanel. São os pais de (por hipótese):

1 (IV) – Luis Gomes de Medeiros (Joseph Abravanel), que segue.

IV – JOSEPH ABRAVANEL (LUIS GOMES DE MEDEIROS) casou-se com GRACIA VAZ BARBOSA. São os pais de:

1 (V) – Manoel Thomaz, viveu na Ilha da Madeira.
2 (V) – Jonas Abravanel, que segue.
3 (V) – Rachel Abravanel, que segue.

V – JONAS ABRAVANEL casou-se com ESTHER SOEIRO, com geração.

V – RACHEL ABRAVANEL casou-se com o Rabino MENASSEH BEN ISRAEL (MANOEL DIAS SOEIRO), com geração.

§3

II – ISAAC ABRAVANEL, nasceu em Lisboa e m. em Veneza (1437 – 1508). Chegou a Napoles em setembro de 1492. Foi recebido ali por Ferrante de Aragona. Morou depois na Puglia, em Monopoli, Veneza e foi sepultado em Pádua. Autor de trabalhos. É o pai de:

1 (III) – uma filha casada com o primo José Abravanel.
2 (III) – Judah Abravanel, que segue.
3 (III) – Joseph Abravanel (Lisboa, 1471 – Ferrara, 1552), médico.
4 (III) – Samuel Abravanel, que segue.

III – JUDAH ABRAVANEL, conhecido como Leone Ebreo, nasceu em Lisboa e morreu na Itália (1460 – 1535). Ele gerou a ISAAC ABRAVANEL, e este a JUDÁ HIYYA ABRAVANEL, que se casou com ESTHER IBN YAHIA (pertencente a outra dinastia originada pelo rei David). O casal gerou a SHEN´UR (SEÑOR I) ABRAVANEL e este a DAVID ABRAVANEL que por sua vez gerou a JOSEPH ABRAVANEL, e este gerou a ISAAC ABRAVANEL, que gerou a SEÑOR (II) ABRAVANEL, e este foi avô paterno de JACOB ABRAVANEL, que por sua vez gerou a ISAAC ABRAVANEL, este gerou a SEÑOR (III) ABRAVANEL, que gerou a ABRAM ABRAVANEL, este gerou a SEÑOR (IV) ABRAM ABRAVANEL...”. que segue em §6.

III – SAMUEL ABRAVANEL, nasceu em Lisboa e morreu em Ferrara (1473 – 1547). Foi o único que dedicou-se inteiramente ao estudo da Torah (os cinco primeiros livros da Bíblia). Foi colega do rabino Joseph Fasi, aluno do rabino Yitshak Aboab, Gaon de Castela. Casou-se com a prima BENVENIDA ABRAVANEL (+ 1560), filha do seu tio Jacob Abravanel. Com geração

§4

II – JACOB ABRAVANEL, de Nápoles, com geração. Alguns de seus primos se casaram com primos.

§5

II – JOSEPH ABRAVANEL, com geração.

§ 6

XIV – SEÑOR ABRAM ABRAVANEL, faleceu em Salonica (1933). Foi casado com DOUNDON BENDAVID, nascida em Salonica e falecida em Indianápolis (1902 – 1987). O casal separou-se e Doundon Abravanel mudou-se para a casa da filha nos EUA, onde viveu até falecer e foi sepultada no Etz Chaim Sephardic Cemetery de Indianápolis. São filhos do casal.

1 (XV) – Sara Abravanel, que segue.
2 (XV) – Alberto Abravanel, que segue.



XV – ALBERTO ABRAVANEL, Abraham b. Doudon, nasceu em Salonica e m. no Rio de Janeiro (15 de março de 1897 – 28 de outubro de 1976). Comerciante. Viveu em Marselha e posteriormente no Rio de Janeiro onde teve uma loja de lembranças para turistas. Casou-se com REBECA CARO, filha de Nissim e Behora Caro, natural de Izmir e falecida no Rio de Janeiro (3 de janeiro de 1907 – 20 de setembro de 1989). O sobrenome Caro é uma versão de “querido” e o principal utente deste sobrenome foi Joseph b. Efraim Caro (Toledo, 1488 – Safed, 1575), autor do livro Shulkhan Arukh (Mesa Posta) sobre a divulgação das leis judaicas. Não sabemos se a família é a mesma, porém sabemos que o legislador toledano viveu por quarenta anos na Turquia onde deixou descendência. Ambos estão sepultados no Cemitério Israelita do Caju (Rio de Janeiro). Epitáfios: “Saudades de sua esposa, filhos, genros e netos” e “Saudades eternas dos filhos, genros, noras, netos e bisnetos”, respectivamente. O casal teve seis filhos:

1 (XVI) – Senor Abravanel, que segue.
2 (XVI) – Beatriz Abravanel, que segue.
3 (XVI) – Sara Benvinda Abravanel, que segue.
4 (XVI) – Leon Abravanel, que segue.
5 (XVI) – Perla Abravanel, que segue.
6 (XVI) – Henrique Abravanel, que segue.

XVI – SENOR ABRAVANEL, mais conhecido como “SILVIO SANTOS”, “nascido aos doze de dezembro de mil novecentos e trinta à 0 hora 15 minutos, na Travessa Bentivi, nº 15, Vila Ruy Barbosa” (Cf. Certidão de nascimento, fls. 60v do livro nº 1.150 sob o nº 2225 de registros de nascimentos, Registro Civil das Pessoas Naturais da 3ª Circunscrição Freguesia de Santo Antonio do Estado da Guanabara, 16 de dezembro de 1930). Foram testemunhas neste registro: Moysés Isaías e Isaac Haiat. Casado por duas vezes, a primeira com Maria Aparecida Vieira e depois com Íris Pássaro. Com geração de ambos leitos.

§ 8
XV – SARA ABRAVANEL, nasceu em Salonica e m. em Indianápolis (abril de 1902 – 17 de março de 1987). Casou-se em Havana com DAVID ISAAC ESKENAZI (Salonica, 24 de junho de 1902 – Indianápolis, 1943) filho de Isaac Juda Eskenazi (Salonica, 14 de junho de 1894 – idem, janeiro de 1943) e Reina Levy (+ Campo de Concentração de Auschwitz, 1943). Sãos os pais de:

1 (XVI) – Sidney David Eskenazy, que segue.
2 (XVI) – Bella Eskenazy, que segue.
3 (XVI) – Daisy Eskenazy, que segue.


XVI – SIDNEY DAVID ESKENAZY, nasceu em Indianápolis (25 de março de 1930). Casado com LOIS COEN, natural de Chicago. Com geração.

XVI – BELA ESKENAZY, nasceu em Indianápolis e m. em Potomac (26 de Janeiro de 1932 - 02 de fevereiro de 1997). Casou-se com GUNTHER ROSINUS, nasceu em St. Ingbert, Alemanha (2 de janeiro de 1928). Com geração.

XVI – DAISY ESKENAZY, nasceu em Indianápolis (01/08/1933). Casou-se com o Coronel HARRY EDWARD STEIN, genealogista a quem agradeço por muitas das informações sobre a familia Abravanel de Salónica. Com geração.