Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

domingo, 19 de setembro de 2010

OS AMADO: RAIZES CRISTÃS-NOVAS DE UMA FAMÍLIA SERTANEJA


Jorge Amado morreu (06 de agosto de 2001). Como seu leitor e admirador, fiquei triste ao ver que o Brasil perdeu um de seus gigantes literários, alguém que pode ser colocado ao lado dos clássicos luso-brasileiros, sem perder na comparação. Ele pertenceu a uma geração de grandes escritores nordestinos, que além da habilidade literária, combinaram com a ação na vida pública.
Há algum tempo conversando com Annik Chut (revista O Hebreu) ela chamou atenção para o rosto do escritor baiano e o de um conhecido seu, Jacob David Serruya, sefardita de extração marroquina, que seriam quase sósias. Repliquei que era resultado da memória biológica, pois ambos tinham a mesma origem étnica. Fiquei de escrever um artigo sobre o tema. O tempo passou e eu não encontrei um mote para começá-lo. Hoje percebi que posso falar de um Jorge Amado pouco explorado: sua genealogia sertaneja.
Jorge Leal Amado de Faria nasceu em Ferradas, povoado de Itabuna em 10 de agosto de 1912, filho do coronel João Amado de Faria e Eulália Leal. O seu pai foi um pioneiro no cultivo do cacau no sul da Bahia. Porém os Amado são originários de Estância, em Sergipe, onde são considerados como sendo de origem cristã-nova, por eles e por seus vizinhos. Apesar da proeminência da família, ela não é citada em nenhuma genealogia produzida pela elite local. Só é possível acompanhar a sua trajetória lendo as memórias de seus integrantes.
O primeiro deles, Barnabé Amado, que viveu no começo do século XIX, foi proprietário e criador de gado. Sua filha Emerenciana Amado casou-se com João Francisco de Faria, filho de portugueses e tiveram nove filhos: Boaventura, Joviniano, Pacífico, Antonio (“Totonho”), Francisco (“Chico”), Maria da Anunciação (“Dodona”), Ana Joaquina (“Pombinha”), Maria Francisca (“Sinharinha”) e José. Eles migraram para Estância, onde se estabeleceram. José Amado de Faria, um desses irmãos, casou-se e teve seis filhos: Melchisedech, “Sinhá”, Augusto, José, Álvaro e João.
Melchisedech Amado de Faria (1867-?) foi “caixeiro” em Estância, onde se casou com Ana de Lima Azevedo Sousa Ferreira e tiveram quatorze filhos: Gilberto, Iaiá, Petina, Gileno, Maria Zulmira, Genoline, Gentil, Gilda, Gillete, Genolino, Gildásio, Genne, Gennyson e Giuseppe. Dois deles se destacaram como escritores: Genolino (1902-1989) e Gilberto Amado (1887-1969), ambos eleitos para a Academia Brasileira de Letras. O outro irmão de Melchisedech, o coronel João Amado de Faria (1880-1962) aproveitou a corrida ao cacau, estabelecendo-se com outros sergipanos em Itabuna, formando a fazenda Auricídia, onde se casou com Eulália Leal (1884-1972), neta de uma índia preada (capturada a laço por homem branco), tendo quatro filhos: o grande romancista Jorge; Jofre, falecido aos três anos; Joelson, cuja esposa Fanny Rechulsky encontra-se sepultada no Cemitério Israelita do Butantã e James, também escritor e pai da historiadora Janaína Amado.
Resumindo, a genealogia dos Amado segue com Jorge, que se casou com Matilde Mendonça Garcia Rosa (1913-1986), filha de João (telegrafista de Getúlio Vargas) e Dalila Mendonça Garcia Rosa e tiveram uma filha, Eulália Dalila Amado, já falecida e pela segunda vez com Zélia Gattai (1916-2008), com mais dois filhos: João Jorge e Paloma Jorge Amado, ambos com descendentes.
Pouco ou quase nada restou do passado cristão-novo dessa família. São católicos estatísticos, quando o são. Mas existem algumas características peculiares que denotam esse passado: na onomástica, desde o sobrenome Amado, ainda usado por judeus no Oriente e prenomes como Pacífico ou Boaventura, ou bíblicos exóticos como Melchisedech, Otoniel ou Dalila; o costume de nomear o filho homenageando o avô (no caso de Jorge isto é claro); a inclinação pela literatura e a preocupação com a justiça.
E em todos os momentos quando perguntado, o romancista baiano nunca se esquivou: “ele não era árabe como pensavam e sim descendente de cristãos-novos”. Porém, na minha avaliação, o que melhor ficou desses ancestrais foi o seu ímpeto para lutar contra a intolerância religiosa, tão evidente nos seus escritos, quanto na emenda que garantiu a liberdade religiosa para todos, apresentada por ele na constituinte de 1946.

3 comentários:

  1. Olá Paulo!
    Sou mestrando em Teoria Literária. O meu projeto aborda as crônicas que Jorge Amado escreveu no período da Segunda Guerra Mundial, bem como seu posicionamento do baiano em relação aos antissemitismo no mundo e no Brasil - governo Vargas.
    Fiquei extremamente interessado em sua postagem sobre a origem da família Amado. Onde eu poderia encontrar essas informações para poder citar em minha dissertação?
    Muito obrigado!
    Marcio
    henrymuraca@yahoo.com.br

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  2. Sou Edmundo Fernandes Amado
    Filho de Edvaldo Fernandes Amado (Didi)
    Neto de Francisco Fernandes Amado ( Chico de Bela)

    Familia : Fernandes Amado
    Todos os ( Fernandes Amado) tem origem na Bahia. No Alto do Sertão da Bahia. Registrado : Antônio Fernandes Amado ( Capitão Mor) Surgiu essa familia a partir do ano de 1600.

    1. Histórias e Contos - Genealogia da Família Cangussu
    https://sites.google.com/site/genealogiacangussu/historias-e-contos
    o
    A ocupação das terras do Alto Sertão baiano (região do atual Município de .... Paratinga, à margem direita do São Francisco, na Bahia, alguns quilômetros acima .....vendido no ano de 1739 pelo capitão mor Antônio Fernandes Amado e sua ...




    2. Guajeru Online: A fazenda Santa Rosa
    guajeruonline.blogspot.com/2011/01/fazenda-santa-rosa.html
    o
    5 de jan de 2011 - O historiador campinense Lycurgo Santos Filho na sua célebre obra “Uma ... Sítio vendido com a denominação de Riacho do Antônio, pelo capitão mor ... ano de 1739 pelo capitão mor Antônio Fernandes Amado e sua esposa ... Sabemos que todas as terras do Alto Sertão da Bahia pertenciam à família ...

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  3. Sou Edmundo Fernandes Amado
    Filho de Edvaldo Fernandes Amado (Didi)
    Neto de Francisco Fernandes Amado ( Chico de Bela)

    Familia : Fernandes Amado
    Todos os ( Fernandes Amado) tem origem na Bahia. No Alto do Sertão da Bahia. Registrado : Antônio Fernandes Amado ( Capitão Mor) Surgiu essa familia a partir do ano de 1600.

    1. Histórias e Contos - Genealogia da Família Cangussu
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    A ocupação das terras do Alto Sertão baiano (região do atual Município de .... Paratinga, à margem direita do São Francisco, na Bahia, alguns quilômetros acima .....vendido no ano de 1739 pelo capitão mor Antônio Fernandes Amado e sua ...




    2. Guajeru Online: A fazenda Santa Rosa
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    5 de jan de 2011 - O historiador campinense Lycurgo Santos Filho na sua célebre obra “Uma ... Sítio vendido com a denominação de Riacho do Antônio, pelo capitão mor ... ano de 1739 pelo capitão mor Antônio Fernandes Amado e sua esposa ... Sabemos que todas as terras do Alto Sertão da Bahia pertenciam à família ...

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