Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

terça-feira, 22 de junho de 2010

O 'MEU' PAULO FRANCIS: O PROVINCIANO EXPATRIADO

Daniel Piza, 20, escreveu no último ano da década de 1980 a Paulo Francis, noticiava que lia os cerca de 600 livros citados em sua coluna. Quatorze anos depois deste episódio ele lançou um livro sobre o mestre: “Paulo Francis – Brasil na cabeça” (Rio de Janeiro, Relume Dumará, 2004). Nestes tempos onde o esquecimento é norma corrente, lembrar em livro o cáustico jornalista, é um ato pedagógico. Mostra que é possível ser culto, sem ser chato, mas também adverte que é perigoso, pois Paulo Francis foi abatido por um enfarte em 4 de fevereiro de 1997, depois de ser processado por uma corporação criticada por ele.
Para quem chegou agora e não sabe de quem estamos falando, Paulo Francis foi um jornalista que trabalhou nos principais jornais brasileiros, onde deixou a sua marca. Ele começou como crítico teatral. Muito culto, leitor compulsivo e dono de fortes convicções, foi empurrado para outros espaços da imprensa. Foi um dos fundadores do Pasquim, onde assuntos sérios eram tratados numa linguagem coloquial. Perseguido pelo consulado militar instalado em 1964, expatriou-se em Nova York. Lá criou a sua obra-prima jornalística, a coluna Diário da Corte, publicado inicialmente na Folha de S. Paulo e a partir de 1990 no Estado de S. Paulo até a sua morte. Junto ao trabalho jornalístico, dirigiu enciclopédias, escreveu e publicou romances, memórias e depoimentos.
Paulo Francis nasceu no bairro do Botafogo, no Rio de Janeiro, em 3 de setembro, filho do comerciante Adolpho Luiz Heilborn e de Irene da Matta Trannin. Apesar de ter ascendência luso-franco-germânica o lado alemão lhe marcou mais. O seu avô Paulo Heilborn (1868-1947) foi o patriarca que lhe deu identidade à linhagem. No seu jazigo, no cemitério S. João Batista em Botafogo estão sepultados ao seu lado, filhos, colaterais e netos, sob a epígrafe cristã: “Eu sou a ressurreição e a vida” (João, 11:25). Três deles batizados com o seu nome (Paulo Eduardo Frederico, Paulo Gustavo e o próprio Paulo Francis). Nascido em família de hábitos culturais estrangeirados ele temperou este modo de ser com o carioquismo circundante.
Nas suas memórias, “O afeto que se encerra” (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1980), ele falou da dificuldade que teve para escolher uma profissão. Recomendado pelos pais trabalhou alguns dias numa empresa aérea. Não deu certo. Deste fracasso inicial saiu para ser ator no Teatro do estudante que mambembava pelo país. Foi um dos raros momentos em que ele saiu da Zona Sul carioca e pode conhecer o Brasil maior. Ao voltar ao Rio, por amizade influente, conseguiu a titularidade de uma coluna sobre teatro. Este foi o início real de sua brilhante carreira jornalística. A imensa cultura livresca ele incorporou um recurso teatral muito comum, a construção de um personagem, no seu caso, o intelectual aristocrático e indignado.
Para a composição deste personagem, abrasileirou o nome, de Franz Paul Heilborn, virou Paulo Francis. Aproveitou o corpo grandalhão e vermelho, a voz forte e pastosa, o uso de roupas bem cortadas e de bom gosto, para viver um aristocrata nos trópicos. Transformou os avós imigrantes em fidalgos emigrados e apagou as suas raízes nacionais. Pouco falou das avós, Alice Maria Albuquerque do Couto e Alcídia Nazareth (ou da Matta), mabas de ascendência luso-brasileira. Espichou informalmente o nome: Franz Paul da Matta Trannin Heilborn. Esta criado o austríaco (sic) Franz de Orleans e Bragança difundido pelo Pasquim.
No texto ele tomava partido de um dos lados e argumentava ferozmente usando citações e o exagero caricatural de modo coloquial. Ler P.F. era um jogo. Não era preciso concordar com ele. O seu texto quando lido era um diálogo entre duas pessoas inteligentes. Este era o pressuposto. Havia o prazer de encontrar neste espaço, aquilo que é a razão da existência de qualquer arte, o inesperado. Esta combinação literária irritou os bacharéis das vírgulas e a praga do politicamente correto que surgia a época. Francis aproveitava esta oposição para polemizar ainda mais e atacar o que lhe parecia falso. Castigat ridendo mores, rindo castiga-se os (maus) costumes – já disse o arlequim Dominico.
Nada lhe escapou ao sarcasmo. Ele realçou a inutilidade de certas instituições ou o ridículo de personagens, às vezes numa caricatura brutal. Como um exemplo dessa agressividade, indignado ao ler uma entrevista de uma antiga comissária da economia brasileira, onde a mesma era inconsistente ao explicar a sua recente fortuna. Sapecou em 19 de setembro de 1991: “Isto é conversa de teúda e manteúda, porque Cabral, que bolinou Zélia, é casado com outra. Mas Zélia nem se preocupa com coerência (mal sabe juntar duas frases, como notou quem a viu na televisão), segura do poder de dedar outros, se for presa. Talvez devêssemos queimar Zélia na Praça da Sé, como exemplo público. Aquele cardeal que chamam de primeira-dama de Erundina poderia lhe encomendar a alma. As chamas ficariam bonitas em televisão em cores. E alguém distraído, quando o fogo estivesse no auge, talvez pudesse dar um tranco acidental na Erundina. Seriam duas coelhas de uma cajadada só, au gratin”.
A honestidade não fica impune no Brasil. Depois de umas frases cortantes sobre a diretoria de uma estatal, P. F. foi processado por eles; ameaçado de ter que pagar uma indenização milionária acima de seus recursos, apavorou-se, teve um enfarte. Voltou morto pra Botafogo, onde repousa no sopé do Corcovado. Este é apenas um relato de um leitor de Paulo Francis, quem desejar conhecer um pouco mais de sua obra leia o trabalho de Daniel Piza. Tenho certeza que sairá um pouco mais rico após a leitura.

terça-feira, 1 de junho de 2010

GENEALOGIA JUDAICA (X): ELIAS CANETTI


1. ELIAS CANETTI nasceu em Rutschuk e morreu em Zurique (25/07/1905 - 14/08/1994). Doutor em Química, Universidade de Viena (1929). Escritor de expressão alemã. Autor, dentre outros livros, de Auto-da-Fé (Die Blendung) e Massa e Poder (Masse und Macht). Prêmio Nobel de Literatura (1981). Casou-se com VENETIANA TAUBNER-CALDERÓN (1897-1963) e com HERA BUSCHOR (1933-1988), s.g.

PAIS:
2. JACQUES ELIAS CANETTI (Adrianople, 01/09/1881 – Manchester, 08/10/1912).
3. MATHILDE ARDITTI (Rutschuk, 30/03/1886 – Paris, 15/06/1957).

AVÓS:
4. ELIAS ABRAHAM CANETTI, oriundo de Andrianople, comerciante e que falava dezessete idiomas.
5. .......................................
6. NISSIM JOSEF ARDITTI
7. REBECCA ROSANES, filha de ABRAHAM b. ISRAEL ROSANES (1838-1879), HaABIR, rabino, historiador e negociante. Criou a primeira escola laica judaica na Bulgária.

GENEALOGIA JUDAICA (IX); MOSES BENSABAT AMZALAK


1. MOSES BENSABAT AMZALAK nasceu e morreu em Lisboa (04/10/1892 – 06/06/1978). Professor de Economia e Reitor da Universidade Técnica de Lisboa. Publicou mais de trezentos trabalhos. Presidente da Academia das Ciências de Lisboa e da Associação Comercial de Lisboa. Administrador do jornal O Século e da SACOR. Presidente da Comunidade Israelita de Lisboa (1927-78). Recebeu a Legião de Honra francesa e também a Ordem do Império Britânico.


PAIS:
2. LEÃO JUDAH AMZALAK nasceu e morreu em Lisboa (1862 – 1909). Comerciante.
3. ESTELLA BENSABAT nasceu na Horta e morreu em Cascais (1862 -1936).


AVÓS:
4. MOSES AMZALAK nasceu e morreu em Lisboa (1837 – 1890).
5. ESTHER BENOLIEL nasceu em Gibraltar e morreu em Lisboa (1831 – 1894).
6. SALOMÃO BENSABAT nasceu em Mogador e morreu na Horta (1800 – 1874).
7. RACHEL ABEASIS nasceu em Malta e morreu em Lisboa (1843 – 1918).


BISAVÓS:
8. LEÃO JUDAH AMZALAK, comerciante. Pais dentre outros, de Moses, que segue e também de Esther Abudarham Amzalak (+ 1907), musa do poeta Tomás Ribeiro, que lhe dedicou a poesia “A Judia”.
9. MARY ABUDARHAM nasceu em Gibraltar e morreu em Lisboa (1816 – 1891).
10. SOLOMON BENOLIEL nasceu e morreu em Gibraltar (? – 1848).
11. JUDITH (Jehudit) BENOLIEL.
12. JOSEPH BENSABAT nasceu em Mogador e morreu em Lisboa ? – 1829).
13. ESTELLA QUERUB nasceu em Agadir e morreu em Angra (? – 1846).
14. SALOM ABEASIS
15. ESTHER de HILLEL BENAMU, originária da Itália.


OUTROS ANCESTRAIS:
16. MOSES AMZALAK, filho de Isaac Amzalak, o “Sábio”.
17. SIMY ............, morreu em Lisboa (1829).
18. DAVID ABUDARHAM.
19. ESTHER SIMY BENOLIEL
20. JUDAH BENOLIEL, natural de Gibraltar.
21. ESTHER ............., faleceu em 1832.
22. ABRAHAM BENOLIEL.
23. SOL PARIENTE.
24. MOSES BENSABAT.
25. ...................................
26. DAVID QUERUB.
27. ..................................
28. MOSHE ABEASIS
FONTES: José Maria Abecassis e P.V.