Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

UM POEMA: "ANGINA PECTORIS" (I), NAZIM HIKMET

Se metade do meu coração está aqui,
Doutor, a outra metade está na China
com o exército que flui em direção
ao Rio Amarelo.
E, toda manhã, Doutor,
todo amanhecer o meu coração
é golpeado na Grécia. E toda noite, Doutor,
quando os prisioneiros estão adormecidos
e a enfermaria está deserta, meu coração vai
para uma cansada casa velha em Istambul.
E então depois de uma década tudo o que
tenho para oferecer ao meu pobre povo
é a maçã na minha mão, Doutor, uma maçã
vermelha : meu coração.
É isto, Doutor, a razão para esta angina pectoris,
não é nicotina, prisão ou arteriosclerose.
Eu olho a noite através das grades
e desprezo o peso no meu peito.
Meu coração bate tranqüilo
Com as mais distantes estrelas.

NAZIM HIKMET (Salônica, 1901 – Moscou, 1963), poeta turco.
Tradução de P. V.

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