Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

sábado, 26 de dezembro de 2009

VOCÊ VOTA EM MIM PARA PRESIDENTE DA REPÚBLICA?


Encontrei-me inesperadamente com ele na Praça Tiradentes, no centro do Rio, quando caminhava para tomar o metrô na Estação Carioca e acompanhar o lançamento do precioso livro para os cinéfilos: “As Grandes Personagens da História do Cinema Brasileiro, 1970-1979” (Rio de Janeiro: Fraiha, 2006), volume 3, 200 páginas, de Eduardo Giffoni Florido e Flávio Leandro de Souza. Após os rituais de reconhecimento mútuo, ele disparou a pergunta:
- “Você vota em para Presidente da República (portuguesa)?
Repetiu por mais três vezes a mesma pergunta, ansioso pela resposta, como esta lhe pudesse salvar a vida. Eu lhe pedi a sua plataforma política e recebi um texto de sua lavra, misto de convite para churrasco (que não aconteceu) e anotação sobre o cotidiano fluminense, sem aparente ligação com Portugal.
Eis um pouco deste manifesto:
“(...) Dêem 150% de aumento aos meus queridos senhores polícias (sic) ... este aumento não sairá dos cofres públicos...tenho um projeto da minha protetora Santa Edwiges para resolver este problema”. “Meus queridos fazendeiros ... me mandem um boi vivo para mim, para que eu possa fazer um churrasco em todas as favelas do Rio”. “Prefeita Aparecida Parrincê, por favor, renuncie para o bem do meu querido povo de S. Gonçalo, já vai tarde, vá lavar roupa que talvez o faça com mais prazer (...)’.
E aí prossegue a sua preocupação com os problemas comunitários. Despedi-me de JOSÉ ALVES DE MOURA, natural de Rio Tinto em Portugal, conhecido como “Beijoqueiro” (por beijar personalidades masculinas na década de oitenta), sem dizer nem que sim, nem que não. Mesmo assim ele deu-me o último recado;
-“Patrício, fale na Terra que não sou veado. Eu gosto mesmo é de mulher”.
Da fantasia da vida segui para a fantasia do cinema – no SESC FLAMENGO. Fui ao lançamento do livro mencionado, que foi precedido da exibição do belíssimo filme “Marcelinho Zona Sul” (1969). Percebi que o filme não envelheceu, o personagem é um pícaro, da mesma linhagem de João Grilo. O livro pertence a uma coleção dirigida pelo produtor Leonardo Esteves. São 84 personagens escolhidos sem nenhum preconceito entre atores e atrizes, diretores, produtores, enfim, gente do cinema. Ele vai de Adriana Prieto a Zezé Motta. Assim pude rever no papel a tímida Isabel Ribeiro (1941-1990) que conheci em Jundiaí. É um álbum luxuoso, papel de primeira qualidade e belas fotografias, com um texto generoso sobre a carreira cinematográfica de cada personagem. É recomendado aos estudiosos da cultura brasileira e quem deseja fruir o prazer de rever o nosso cinema. Por eu ter sido visto conversando com alguns cineastas de prestígio, uma coadjuvante em novelas da Globo que me “reconheceu” (sic) como de sua direção,fez-me distribuir cartões com o meu endereço matuto. Resultado: já recebi o primeiro currículo de uma aspirante a fama.

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