Quem sou eu

Campinas, S. Paulo, Brazil
Historiador, Mestre em História Social (USP). Autor de "A presença oculta. Genealogia, identidade e cultura cristã-nova brasileira nos séculos XIX e XX": co-autor do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes / Dictionary of Sephardic Surnames" , "B.J. Duarte, caçador de imagens" e “Os primeiros judeus de S. Paulo - uma breve história contada através do Cemitério Israelita de Vila Mariana”.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

'OH RAYAH (OH EMIGRANTE) / AONDE VOCÊ VAI / SE UM DIA TERÁ DE VOLTAR ..."


Música árabe se gosta ou detesta. Não há meio termo. Eu gosto e tenho ouvido bastante nos últimos dias. É o suficiente para eu destacar uma grande canção desta origem, tanto pela sua beleza e crueza do poema e o significado dela para os emigrantes. Ela se chama “Ya Rayah” e foi composta pelo argelino Dahmane El Harrach (Abdelrrahamane Amrani, 1925-1980), o filho do muezim (cantor) da Grande Mesquita da Argélia. Um chauí (nome de sua tribo) que emigrou para a França em 1949. O seu desencanto com a esta experiência inspirou-lhe a canção, que desde que foi composta é cantada pelos principais cantores árabes na diáspora européia, gravada por judeus, como Enrico Macias, ou, muçulmanos como Rachid Taha. A dor da perda da terra natal é igual para todos.
Ela se enquadra no gênero chaabi (popular) do Maghreb (Poente). Apesar de sua origem árabe ela possui elementos ocidentais. Tem algo de andaluz e transmite uma mensagem moral. Normalmente é executada por um cantor e uma orquestra, com destaque para as cordas, violinos, alaúdes, rabab (uma espécie de cavaquinho) e o quanun (espécie de harpa deitada nos joelhos). A abertura da música é feita longamente por um taqsim (banjo) e depois entra o cantor. Não se deve estranhar a longa apresentação. É uma forma de valorizar a orquestra e introduzir o ouvinte musical do cantor. A canção clássica “Inte Omri” (Você é minha vida), cantada pela egípcia Oum Kalthoum (1904-1975) tem sete minutos de introdução. Isto serve para prepará-lo para o poema cantado, com as sílabas tônicas finais.
Em nosso caso, também é assim:
Ya rayah win msafar trouh taaya wa twali / Chhal nadmou laabad El ghaflin qablak ou qabli (bis) / Oh emigrante, / aonde você vai / se um dia terá de voltar / quanta gente se lamentou antes de você e eu / quantas cidades anônimas e quantos desertos você já viu? / quanto tempo você já perdeu? / quanto você ainda vai perder ? / Oh emigrante no país que é dos outros / sabes o que está passando aqui e ali ? / o destino e o tempo seguem os seus cursos, mas você ignora / por que você está tão triste ? / Por que te sentes tão miserável ? / esgotarás os teus dias sem haver aprendido nada / os dias se vão com a nossa juventude / Oh pobre que desperdiçou a sua oportunidade, como eu desperdicei a minha / Oh viajante te dou um conselho, que deves seguir hoje mesmo / estuda o que convém, antes de vender ou comprar / Oh sonhador, chegou notícias tuas e o que lhe passou, ocorreu também a mim / Assim regressará a sua alma ao Criador”.

Quem desejar ouvi-la, pode se recorrer ao Youtube, na interpretação do autor:
http://www.youtube.com/watch?v=9j0L57HJkm4.

Desculpe as imperfeições desta tradução (traição). Só desejei introduzi-lo neste rico universo musical desconhecido para muitos.

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